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Conteúdo técnico · Fluxo digital

Transferente ou scan body: moldar ou escanear o implante?

Moldeira aberta ou fechada, transferentes unidos, scan body ou fotogrametria: precisão por número de implantes, quando usar cada um e o que enviar.

Por Equipe técnica Smile Digital LabPublicado em 7 min de leitura

Resposta curta

O transferente leva a posição do implante para o molde, e dali para o modelo de gesso; o scan body leva a mesma posição para o arquivo do escaneamento. Até quatro implantes, as revisões encontram precisão parecida entre os dois. Em arcada total com mais de quatro, parte delas ainda favorece a moldagem, e a fotogrametria reduz a diferença.

Qual é a diferença entre transferente e scan body?

O transferente e o scan body fazem o mesmo trabalho em fluxos diferentes: registrar onde está cada implante e como a conexão está girada. O transferente, parafusado no implante ou no pilar, deixa a posição no material de moldagem, e o análogo montado nele leva essa posição ao modelo de gesso. O scan body é lido pelo escâner, e o software casa a imagem com a biblioteca daquele modelo.

O glossário de termos protéticos (GPT-10, The Journal of Prosthetic Dentistry, 2023) separa os dois tipos de transferente. O de moldeira aberta fica retido no molde; o de moldeira fechada é solto do implante na boca e recolocado no molde, já unido ao análogo. O scan body, para o mesmo glossário, é um marcador de referência para o registro óptico, e o que muda de um modelo para outro está em o que é scan body.

Há um terceiro caminho para arcada total, a fotogrametria. Ela registra só a posição dos implantes, com scan bodies próprios, e precisa de um escaneamento intraoral ou de uma moldagem junto.

caminhoo que registrao que chega ao laboratório
Moldagem com transferenteposição dos implantes, gengiva e dentes, no moldemolde ou modelo, transferente ou análogo, antagonista e mordida
Escaneamento com scan bodyposição dos implantes, gengiva, dentes e mordida, no mesmo arquivoarquivos do escaneamento e o modelo do scan body
Fotogrametriasó a posição dos implantesarquivo da câmera e um escaneamento intraoral

O que a fotogrametria mede contra o escâner está em fotogrametria ou escaneamento intraoral no protocolo.

Moldeira aberta ou fechada: quando usar cada uma?

A moldeira aberta foi a mais precisa no desdentado total, e no parcialmente desdentado as duas técnicas se equivaleram na clínica. É o que conclui a revisão sistemática de Papaspyridakos e colaboradores (The International Journal of Oral & Maxillofacial Implants, 2014), com 76 estudos, 4 deles clínicos.

No desdentado total, 10 estudos favoreceram a moldeira aberta, 1 a fechada e 10 não viram diferença. No parcial, a maioria dos estudos de laboratório favoreceu a aberta, mas o único estudo clínico não viu diferença. O manual protético Grand Morse da Neodent segue a mesma linha: para os transferentes que têm as duas versões, indica a aberta para prótese de vários elementos e a fechada para unitária.

técnicacomo o transferente saiquando a evidência apoiao que conferir
Moldeira abertapreso ao molde; o parafuso é solto pela janela da moldeiraarcada total e próteses de vários elementostransferente firme no material, sem rasgo nem bolha em volta
Moldeira fechadafica no implante; é removido e recolocado no molde com o análogocoroa unitária e prótese curta no parcialmente desdentadotransferente recolocado até o encaixe completo, sem girar

O material pesa pouco. Silicone de adição e poliéter não mudaram a precisão na revisão de 2014. Na meta-análise de Guo e colaboradores (The Journal of Prosthetic Dentistry, 2025), com 27 estudos in vitro de arcada total, o poliéter só levou vantagem com implantes inclinados mais de 15°.

Vale unir os transferentes?

Unir os transferentes deu moldagens mais precisas no desdentado total e no parcial, na mesma revisão de Papaspyridakos e colaboradores (2014). No desdentado total, 15 estudos favoreceram a união, 1 a técnica sem união e 9 não viram diferença, e os três estudos clínicos favoreceram a união. No parcial, a conta foi de 8, 2 e 3.

A guia multifuncional pode servir de moldeira individual para os transferentes unidos com resina, como mostra o artigo sobre guia multifuncional no protocolo.

No escaneamento, unir os scan bodies ainda é técnica em estudo. Na meta-análise in vitro de Vánkos e colaboradores (Dentistry Journal, 2026), o escaneamento com scan bodies unidos teve desvio médio de 65,6 µm, contra 99,5 µm do escaneamento simples, sem diferença estatística entre os grupos.

Moldar ou escanear: o que muda com o número de implantes?

Com até três ou quatro implantes, escaneamento e moldagem tiveram precisão parecida nas revisões. Acima de quatro, em arcada total, parte delas favorece a moldagem, e a fotogrametria reduz a diferença. A maior parte dos estudos é in vitro.

situaçãoo que as revisões encontramfonte
Parcialmente desdentado, até 3 implantesdigital favorável em precisão, tempo e preferência do pacienteGaikwad et al., Int J Oral Maxillofac Implants, 2022 (28 revisões)
Parcialmente desdentadomoldagem com desvio 52 µm menor em média, em 5 estudos in vitro e 1 clínicoPapaspyridakos et al., J Prosthodont, 2020
Arcada total, até 4 implantessem diferença entre digital e moldagemAlfaraj et al., J Prosthodont, 2026 (37 estudos)
Arcada total, mais de 4 implantesmoldagem levemente favorecida; fotogrametria levemente mais precisa que a moldagemAlfaraj et al., 2026
Arcada total, 4 a 8 implantes, in vitrosem diferença estatística: 53 µm na fotogrametria, 74 µm na moldagem e 100 µm no escânerVánkos et al., Dent J, 2026 (34 estudos)
Prótese fixa de arcada totalmoldagem mais precisa que o escaneamentoKaitatzidou et al., J Prosthet Dent, 2025 (28 revisões)

O limite está nos estudos clínicos. Schmidt, Wöstmann e Schlenz (Clinical Oral Implants Research, 2022) acharam oito, com 1 a 6 implantes: o escâner recente ficou clinicamente aceitável, e os autores lembram que o erro de transferência ainda precisa entrar na conta. Na revisão de Kaitatzidou, 67,9% das revisões incluídas tiveram confiança criticamente baixa.

Quando escolher cada caminho?

Escolha pelo número de implantes e por quanto do scan body aparece. A tabela resume o que a evidência apoia em cada situação; a decisão é sua.

situaçãocaminho que a evidência apoiao que pesa
Coroa unitária ou prótese curta, scan body expostoescaneamento com scan bodyprecisão parecida com a da moldagem e um arquivo só com gengiva, dentes e mordida
Implante profundo, com a gengiva cobrindo o scan bodymoldagem com transferentescan body coberto desloca a posição no arquivo
Arcada total com até 4 implantesescaneamento ou moldagem com transferentes unidosprecisão parecida; vale combinar a prova de um protótipo rígido antes da peça final
Arcada total com mais de 4 implantes, ou implantes distantesmoldagem unida em moldeira aberta, ou fotogrametria com escaneamento intraorala precisão do escâner cai acima de 4 implantes
Carga imediatascan bodies nos pilares multiunit ou transferentes unidosa janela é de uma semana; a data da cirurgia entra no pedido antes

A sequência de escaneamento da arcada total, com o scan body exposto e o provisório na boca e fora dela, está no guia de escaneamento de arcada total. A prova do protótipo está no guia de prova da barra, e os envios da carga imediata, em carga imediata: o que o laboratório precisa.

O que mandar ao laboratório em cada caminho?

Em qualquer caminho, o laboratório precisa da posição de cada implante, do que identifica a conexão e da relação com o antagonista. O que muda é o suporte: molde, arquivo ou os dois.

caminhoo que vaio que vai no pedido
Moldeira abertamolde com os transferentes presos, ou o modelo; análogo de cada implante; antagonista e registro de mordida, desinfetadosmarca, linha e plataforma de cada implante; registro no implante ou no multiunit
Moldeira fechadamolde, transferentes e análogos identificados pela posição na numeração FDI, ou o modelo; antagonista e registro de mordida, desinfetadoso mesmo da moldeira aberta
Escaneamentoarquivos do arco com scan bodies, do rebordo, do antagonista e da mordida, em STL ou no formato do escânermarca e modelo do scan body, nível e plataforma
Fotogrametriaarquivo da câmera e escaneamento intraoral do arco e da mordidamodelo dos scan bodies dos dois sistemas; pergunte antes se o laboratório recebe o arquivo da câmera

A prescrição assinada, com CRO, e o nome do paciente no pedido valem para todos. A lista completa está no guia de envio de caso.

Quais erros fazem o caso voltar em cada caminho?

Os erros que fazem o caso voltar mudam a posição registrada do implante ou deixam a conexão sem nome no pedido.

errocaminhoo que acontececomo evitar
Transferente recolocado girado ou sem assentarmoldeira fechadao modelo mostra o implante girado ou fora do lugar, e a peça não assentarecolocar até o encaixe completo e conferir antes de enviar
Transferente que se move dentro do moldemoldeira abertaa posição se perde ao desparafusarmolde sem rasgo nem bolha em volta de cada transferente
Transferente ou análogo de outra linha ou plataformamoldagempeça que não encaixa no implanteconferir a etiqueta e escrever a linha no pedido
Moldagem sem desinfecção comprovadamoldagema RDC 1.002/2025 pede que o laboratório comprove, na recepção, a desinfecção feita no consultóriodesinfetar antes de sair do consultório
Scan body coberto ou com parte faltando na malhaescaneamentoposição deslocada no desenhoexpor o scan body e reescanear o trecho na hora
Scan body sem modelo ou sem nível no pedidoescaneamentoo desenho não acha a biblioteca certaescrever marca, modelo e nível do scan body

Na conferência de chegada, o caso sobre implante para quando o arquivo não abre completo, quando um scan body não está legível ou quando a plataforma falta no pedido. Nesses casos, voltamos a você antes de desenhar, em vez de seguir sobre uma posição duvidosa. O custo de uma plataforma errada está em por que coroas sobre implante voltam.

Recebemos moldagem e escaneamento. Os componentes que usamos são Neodent e Titaniumfix, nacionais; se o seu sistema é outro, fale com a gente antes de enviar. As próteses que dependem desse registro estão em prótese sobre implante.

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Perguntas frequentes

Que material de moldagem usar no protocolo sobre implantes?

Silicone de adição e poliéter deram moldagens de precisão parecida na meta-análise de Guo e colaboradores (2025), com 27 estudos in vitro de arcada total. A exceção foram implantes inclinados mais de 15°, em que o poliéter teve menos desvio, nas técnicas de moldeira aberta e fechada.

Transferente de moldeira fechada serve para ponte?

Serve no parcialmente desdentado, onde o único estudo clínico da revisão de Papaspyridakos (2014) não viu diferença entre as técnicas. No desdentado total, a moldeira aberta foi mais precisa. O manual protético Grand Morse da Neodent indica a aberta para prótese de vários elementos e a fechada para unitária.

Vocês recebem moldagem de implante?

Sim. Mande a moldagem ou o modelo de gesso, o antagonista, o registro de mordida e o transferente ou o análogo do implante, limpos e desinfetados. No pedido, informe marca, linha e plataforma de cada implante e se o registro é no implante ou no multiunit.

Na carga imediata, é melhor moldar ou escanear?

Os dois caminhos funcionam: scan bodies parafusados nos pilares multiunit ou transferentes unidos em moldeira aberta. A guia multifuncional pode servir de moldeira para os transferentes unidos. O que vai em cada envio está no artigo sobre o que o laboratório precisa na carga imediata.

Fontes

  1. Accuracy of implant impressions for partially and completely edentulous patients: a systematic review · The International Journal of Oral & Maxillofacial Implants (Papaspyridakos et al., 2014)
  2. Digital vs conventional implant impressions: a systematic review and meta-analysis · Journal of Prosthodontics (Papaspyridakos et al., 2020)
  3. An overview of systematic reviews and meta-analyses evaluating different impression techniques for implant-supported prostheses in partially and completely edentulous arches · The International Journal of Oral & Maxillofacial Implants (Gaikwad et al., 2022)
  4. Digital scans versus conventional impressions in fixed prosthodontics: an overview of systematic reviews · The Journal of Prosthetic Dentistry (Kaitatzidou et al., 2025)
  5. Comparative analyses of accuracy between digital and conventional impressions for complete-arch implant-supported fixed dental prostheses — a systematic review and meta-analysis · Journal of Prosthodontics (Alfaraj et al., 2026)
  6. Accuracy of digital and conventional implant impressions in edentulous jaws: a systematic review and meta-analysis of in vitro studies · Dentistry Journal (Vánkos et al., 2026)
  7. Accuracy of digital implant impressions in clinical studies: a systematic review · Clinical Oral Implants Research (Schmidt, Wöstmann e Schlenz, 2022)
  8. Optimal impression materials for implant-supported fixed complete dentures: a systematic review and meta-analysis · The Journal of Prosthetic Dentistry (Guo et al., 2025)
  9. The Glossary of Prosthodontic Terms 2023, tenth edition · The Journal of Prosthetic Dentistry (2023)
  10. Manual protético Grand Morse · Neodent (2024)

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