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Guia · Protocolo

Como escanear arcada total para protocolo com scan body

A sequência de escaneamento do protocolo sobre implantes, os erros de scan body que tiram a passividade da peça e quando pedir a prova da barra.

Por Equipe técnica Smile Digital LabPublicado em 7 min de leitura

Resposta curta

O escaneamento de arcada total para protocolo reúne o provisório na boca com antagonista e mordida, o rebordo sem scan body, os scan bodies em todos os pilares e o provisório fora da boca. Cada scan body precisa aparecer inteiro e assentado. Revise no software antes de soltar o paciente e anexe tudo ao pedido.

Passo a passo

  1. 01

    Escaneie o provisório na boca, com a mordida

    Com o provisório parafusado na dimensão vertical que você aprovou, escaneie a arcada com ele, a arcada antagonista completa e o registro vestibular dos dois lados. Está pronto quando os modelos se alinham no software sem sobreposição nem folga.

  2. 02

    Escaneie o rebordo sem o provisório

    Remova o provisório e, com os pilares no lugar e ainda sem scan body, escaneie o rebordo inteiro. É a referência de gengiva para a base da prótese.

  3. 03

    Posicione os scan bodies

    Use em cada pilar o scan body do sistema, sem desgaste, batida ou recorte, apertado como indica o fabricante. Confira que todos assentaram por inteiro antes de começar.

  4. 04

    Escaneie os scan bodies

    Siga a estratégia de varredura que o fabricante do scanner recomenda para arcada edêntula. Capture cada scan body por inteiro, topo e faces, e o rebordo entre eles sem interrupção.

  5. 05

    Revise cada scan body no software

    Gire o modelo e confira cada scan body: geometria completa, sem buraco, sem imagem dupla e sem gengiva cobrindo a base. Se um falhou, apague o trecho e escaneie de novo antes de soltar o paciente.

  6. 06

    Escaneie o provisório fora da boca

    Escaneie o provisório inteiro, base e faces. Ele leva para o desenho o volume de dentes e gengiva que o paciente já testou.

  7. 07

    Exporte e anexe ao pedido

    Exporte todos os arquivos e anexe ao pedido no portal, com marca e plataforma dos implantes, altura de cinta e ângulo de cada pilar e o modelo do scan body. Diga no pedido se haverá prova antes da peça definitiva.

O que você precisa antes de escanear o protocolo?

Antes de escanear o protocolo, deixe três coisas definidas. A referência de dentes e de mordida, que costuma ser o provisório que o paciente usa e você aprovou. Os pilares, com marca, plataforma, altura de cinta e ângulo de cada um anotados para o pedido. E um scan body do sistema para cada pilar.

O provisório é o protótipo da peça definitiva: guarda a oclusão e a dimensão vertical que já funcionaram na boca. An e colaboradores (The Journal of Prosthetic Dentistry, 2018) descrevem como levar essas informações do provisório para a definitiva só com arquivos, sem modelo de gesso. É por isso que ele é escaneado duas vezes, na boca e fora dela.

O scan body vai como saiu da embalagem, sem desgaste nem recorte. Petchmedyai e Thanasrisuebwong (PLOS One, 2023) desaconselham modificá-lo, porque o software pode deixar de reconhecê-lo na biblioteca. O modelo também pesa: num estudo in vitro de Meneghetti e colaboradores (PLOS One, 2023), com seis implantes sobre pilares multiunit, sete scan bodies e quatro scanners deram precisões diferentes entre si.

Por que o scan body decide a passividade do protocolo?

O scan body decide a passividade porque o software calcula a posição de cada implante a partir da superfície dele no arquivo. Num protocolo, todas essas posições entram na mesma peça rígida: um implante deslocado no arquivo vira uma barra ou uma zircônia que assenta com tensão.

A margem é pequena. Na revisão sistemática de Pozzi e colaboradores (Clinical Implant Dentistry and Related Research, 2025), desajuste abaixo de 150 µm e desvio angular de até 1° costumam bastar para evitar complicações como o afrouxamento de parafuso. Em parte dos estudos in vitro dessa revisão, o desvio angular médio do escaneamento intraoral passou de 1°.

Dois estudos in vitro mostram de onde vem o erro. Petchmedyai e Thanasrisuebwong (PLOS One, 2023) expuseram o scan body em 8, 5,3 e 2,7 mm e apagaram parte da imagem. O maior erro médio, de 0,24° e 0,08 mm, apareceu com a menor exposição e a imagem falha.

Matta e colaboradores (International Journal of Implant Dentistry, 2026) cobriram os scan bodies com gengiva em dois degraus de cerca de 3 mm e criaram defeitos. Todos os erros aumentaram o desvio: 30 µm no melhor grupo com a gengiva baixa, 178 µm no pior com a gengiva alta.

Os dois trabalhos usaram modelos de um e de três implantes, não de arcada total, mas a recomendação vale para o protocolo: exponha o scan body ao máximo e não deixe falha na malha.

Quais erros fazem o protocolo voltar?

Os erros abaixo nascem no escaneamento ou no pedido, e cada um tem uma conferência simples antes de soltar o paciente.

erroo que acontece na peçacomo evitar
Scan body com parte da geometria faltando ou com imagem duplaa posição do implante sai deslocada no desenho, e a peça assenta com tensão ou frestarevise cada scan body no software e reescaneie o trecho na hora
Gengiva cobrindo a base do scan bodyerro de ângulo e de posição, maior quanto menos scan body apareceexponha o scan body ao máximo; se não der, considere a moldagem com transferente
Scan body solto ou mal assentadoo arquivo mostra o implante onde ele não estáconfira assentamento e aperto de cada um antes de escanear
Scan body desgastado, recortado ou de outro sistemao software não casa a imagem com a biblioteca do componenteuse o scan body do sistema, sem modificação, e informe o modelo no pedido
Mordida sem o provisório na boca, ou de um lado sódentes e dimensão vertical desenhados sem referência; a prótese pode chegar alta ou baixaescaneie o provisório na boca com a mordida vestibular dos dois lados
Provisório não escaneado fora da bocao desenho perde o volume de dentes e gengiva que o paciente aprovouescaneie o provisório inteiro, base incluída
Antagonista parcialcontatos e oclusão desenhados sem referênciaescaneie a arcada oposta completa
Pilar sem marca, plataforma, altura de cinta ou ângulo no pedidocomponente errado e peça que não encaixaanote cada pilar no pedido

Como registrar a mordida num paciente desdentado?

Num paciente desdentado, a mordida do protocolo se registra com o provisório parafusado: ele sustenta a dimensão vertical e os contatos que você aprovou, e o escaneamento vestibular dos dois lados leva essa relação para o arquivo. O mesmo provisório escaneado fora da boca dá ao técnico a forma dos dentes.

Sem provisório fixo, a referência precisa vir de outro lugar: a prótese que o paciente usa, se a dimensão vertical dela está aprovada, ou um registro em base de prova. Combine com o laboratório, na abertura do caso, qual dos dois entra. Na carga imediata, o escaneamento acontece logo depois da cirurgia e segue outra lógica, detalhada no artigo sobre o que o laboratório precisa para carga imediata.

Scan body ou moldagem com transferente?

Scan body e moldagem com transferente servem para protocolo, e a escolha é sua. Na revisão sistemática de Gehrke e colaboradores (International Journal of Implant Dentistry, 2024), o scan body teve precisão comparável à da moldagem em unitário e prótese curta. Para arcada total, faltaram dados clínicos para uma recomendação.

A meta-análise de Pesce e colaboradores (Journal of Clinical Medicine, 2025) reuniu 9 estudos clínicos de arcada total. Os resultados se contradizem, mas a maioria situa a prótese feita pelo escaneamento dentro do clinicamente aceitável.

No escaneamento, a revisão de Gehrke lista o que muda a precisão: desenho, material e cor do scan body, tipo de scanner, técnica, auxiliares de escaneamento, distância entre implantes, extensão escaneada e número de implantes. O caso traz parte desses fatores; a técnica e a escolha do scan body são suas.

Se o implante é profundo e o scan body fica coberto, a moldagem com transferente é a alternativa. Mande os transferentes ou os análogos com o pedido; digitalizamos o modelo no laboratório, e o desenho segue o mesmo fluxo.

A fotogrametria substitui o escaneamento intraoral?

A fotogrametria não substitui o escaneamento intraoral por inteiro. Ela é uma câmera extraoral que registra a posição dos implantes a partir de scan bodies próprios, com marcas ópticas, mas não registra gengiva, rebordo nem dentes. O caso precisa também de um escaneamento intraoral ou de uma moldagem.

Na revisão de Pozzi e colaboradores (2025), com 13 estudos (3 clínicos e 10 in vitro), a fotogrametria foi mais precisa que o escaneamento intraoral em 10 dos 13. Os autores pedem ensaios clínicos antes de uma conclusão. Se você usa fotogrametria, pergunte ao laboratório antes do primeiro caso como enviar os arquivos da câmera junto do escaneamento. As outras revisões, os estudos clínicos e o tempo de cadeira de cada técnica estão no artigo fotogrametria ou escaneamento intraoral no protocolo.

Quando pedir a prova da barra ou um jig de verificação?

Vale pedir uma prova quando a peça definitiva é rígida e de arcada total, como a barra de titânio fresada ou o protocolo de zircônia. É a recomendação de Pozzi e colaboradores (2025): enquanto faltam ensaios clínicos sobre a precisão do escaneamento de arcada total, provar um protótipo rígido na boca antes da peça final.

O jig de verificação é um índice rígido que une os implantes na posição registrada; a prova da barra faz o mesmo papel com a própria barra. Nos dois, use o teste de um parafuso (o teste de Sheffield): aperte só o parafuso de uma extremidade e observe se há báscula ou fresta nos outros pilares, depois repita pela outra extremidade.

Eid e colaboradores (BMC Oral Health, 2026) usaram esse teste num modelo de quatro implantes, com o parafuso terminal a 15 Ncm, para medir a fresta nos outros três sob barras de titânio. Deu 49 µm nas fresadas e 44 µm nas impressas, as duas dentro do aceitável. A prova serve para achar a fresta enquanto ainda dá para corrigir; combine na abertura do caso se ela entra no plano.

O passo a passo da prova, os outros testes de passividade e o que fazer quando a barra não assenta estão no guia de prova da barra.

O que o laboratório confere quando o arquivo chega?

O Smile Digital Lab, laboratório digital de próteses para reabilitação oral em São Paulo, confere na chegada se o arquivo abre e está completo, com cada scan body legível, antes de o caso seguir para o desenho. Quando um scan body não está legível, o caso para ali e voltamos a você, em vez de desenhar sobre uma posição duvidosa.

Conferimos cada caso na chegada e em oito pontos antes de sair, e você acompanha a fase pelo portal. Os componentes que usamos são Neodent e Titaniumfix, nacionais; se o seu sistema é outro, informe marca e plataforma no pedido. A peça em si está nas páginas do protocolo sobre barra de titânio e do protocolo de zircônia, e o básico do arquivo, no guia de escaneamento intraoral.

Checklist antes de enviar

  • Provisório escaneado na boca, com antagonista completo e mordida dos dois lados
  • Rebordo escaneado sem scan body
  • Cada scan body inteiro, assentado e sem gengiva cobrindo a base
  • Provisório escaneado fora da boca, base incluída
  • Marca e plataforma dos implantes, altura de cinta e ângulo de cada pilar, modelo do scan body
  • Prova da barra ou do protótipo combinada, quando a peça é rígida

Serviços relacionados

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Perguntas frequentes

Posso usar o escaneamento da carga imediata para a prótese definitiva?

Não é o caminho mais seguro. Para a definitiva, faça um novo escaneamento com os scan bodies sobre os pilares, com os tecidos estáveis, e escaneie o provisório na boca e fora dela. O provisório traz para a peça final o que já funcionou na boca: posição dos dentes, oclusão e dimensão vertical.

Preciso enviar o scan body para o laboratório?

Não. Informe no pedido a marca e o modelo do scan body: o desenho usa a biblioteca digital daquele componente para achar a posição de cada implante. Se o modelo for pouco comum, avise o laboratório antes de escanear o primeiro caso.

O escaneamento é mais rápido que a moldagem no protocolo?

Nos estudos clínicos reunidos por Ma e colaboradores (2023), o escaneamento de arcada total levou em média 8,6 minutos a menos que a moldagem, e as próteses dos estudos com um a dois anos de acompanhamento seguiam todas em função. Os autores pedem cautela, porque parte dos dados vem do mesmo grupo de pesquisa.

Fontes

  1. A systematic review of factors impacting intraoral scanning accuracy in implant dentistry with emphasis on scan bodies · International Journal of Implant Dentistry (Gehrke et al., 2024)
  2. Photogrammetry versus intraoral scanning in complete-arch digital implant impression: a systematic review and meta-analysis · Clinical Implant Dentistry and Related Research (Pozzi et al., 2025)
  3. Accuracy of full-arch intraoral scans versus conventional impression: a systematic review with a meta-analysis and a proposal to standardise the analysis of the accuracy · Journal of Clinical Medicine (Pesce et al., 2025)
  4. Accuracy of digital implant impressions obtained using intraoral scanners: a systematic review and meta-analysis of in vivo studies · International Journal of Implant Dentistry (Ma et al., 2023)
  5. Optimizing digital implant impressions: evaluating the significance of scan body image deficiency and alignment under varied scan body exposures · PLOS One (Petchmedyai e Thanasrisuebwong, 2023)
  6. Impact of scanning errors on the trueness of digital implant impressions · International Journal of Implant Dentistry (Matta et al., 2026)
  7. Influence of scanbody design and intraoral scanner on the trueness of complete arch implant digital impressions: an in vitro study · PLOS One (Meneghetti et al., 2023)
  8. Passive fit of milled and additively manufactured complete arch implant-supported titanium frameworks: a micro-CT analysis · BMC Oral Health (Eid et al., 2026)
  9. A CAD-CAM technique for conversion of interim-to-definitive restoration in patients with complete edentulism · The Journal of Prosthetic Dentistry (An et al., 2018)

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