Guia · Protocolo
Prova da barra no protocolo: como testar a passividade
Passo a passo da prova da barra no protocolo sobre implantes, com teste de um parafuso, jig de verificação, radiografia e o que fazer se a barra não assenta.
Resposta curta
A prova da barra é a etapa em que você parafusa a barra do protocolo, ou um jig de verificação, na boca antes da peça definitiva. O teste de um parafuso (Sheffield) aperta só o parafuso de uma extremidade e procura fresta nos outros pilares; a radiografia confirma. Se a barra não assenta passiva, ela não recebe os dentes.
Passo a passo
- 01
Combine a prova na abertura do caso
Defina com o laboratório o que vai à boca antes da peça definitiva: um jig de verificação, a própria barra ou um protótipo rígido, e em que momento. Está pronto quando o pedido diz qual prova entra e o que acontece depois dela.
- 02
Confira os pilares antes de provar
Remova o provisório e confira cada pilar multiunit: apertado com o torque do fabricante, com a plataforma limpa e sem gengiva presa. Uma prova sobre pilar mal assentado acusa um desajuste que não é da barra.
- 03
Assente a barra sem parafuso e pressione os lados
Encaixe a barra com a mão e pressione um lado, depois o outro. Báscula, ou saliva que borbulha numa interface, indica desajuste. Passou quando a barra fica estável sem nenhum parafuso.
- 04
Faça o teste de um parafuso pelas duas extremidades
Aperte só o parafuso de um pilar da extremidade e observe as outras interfaces, com lupa e sonda onde a margem aparece. Passou quando nenhuma delas mostra fresta. Solte e repita pela extremidade oposta.
- 05
Aperte os parafusos um a um
Com todos os parafusos no lugar, aperte um de cada vez, começando pelo pilar mais perto da linha média. Na referência clássica, um parafuso que gira mais de meia volta depois da primeira resistência indica desajuste; o número depende do passo de rosca do seu sistema.
- 06
Radiografe as interfaces abaixo da gengiva
Onde a junção entre barra e pilar fica abaixo da gengiva, faça uma radiografia periapical com o feixe perpendicular a ela. Com o feixe inclinado, uma fresta pequena some da imagem.
- 07
Registre o resultado no caso
Anote no caso o resultado de cada teste, pilar por pilar pela numeração FDI, e anexe as radiografias. Se a barra passou em todos, o caso segue para os dentes; se não passou, ela não recebe cobertura até um novo registro.
O que é a prova da barra, e por que ela vem antes dos dentes?
A prova da barra é a conferência clínica da passividade do protocolo: a barra é parafusada nos pilares e examinada antes de receber dentes e gengiva. Passividade quer dizer que a barra assenta em todos os pilares ao mesmo tempo, sem tensão. Quando ela só assenta porque o parafuso a puxou, a tensão fica na peça e nos componentes.
A prova existe porque nenhum registro da posição dos implantes acerta sempre. Harfagar e colaboradores (Clinical Implant Dentistry and Related Research, 2025) acompanharam 20 arcadas desdentadas, com quatro ou seis implantes. As estruturas feitas pelo escaneamento intraoral e pela moldagem passaram no teste de um parafuso em 17 dos 20 casos, e mesmo o registro de referência, medido em máquina de coordenadas, falhou em dois.
Este guia começa onde o guia de escaneamento de arcada total termina. Lá estão a sequência de escaneamento e os erros de scan body; aqui, a conferência na boca, antes da peça definitiva. Quando é a prótese pronta que não assenta no dia da instalação, o problema e a conduta são outros: veja protocolo que não assenta na instalação.
O que preparar antes da prova da barra?
Antes da prova da barra, separe o que permite ler a passividade com mais de um teste: chave e torquímetro do sistema, lupa, sonda, posicionador para radiografia periapical e a lista dos pilares pela numeração FDI. Kan e colaboradores (The Journal of Prosthetic Dentistry, 1999) concluíram que nenhum teste clínico dá resultado objetivo sozinho e sugerem combinar vários.
Combine também, na abertura do caso, o que vai à boca. Pode ser um jig de verificação, a própria barra ou um protótipo rígido; a diferença entre eles está mais abaixo, e cada um entra numa etapa diferente do caso.
Quais testes mostram se a barra está passiva?
Na consulta de prova, a passividade da barra se lê com cinco testes de cadeira, e cada um enxerga uma parte do problema. A revisão de Buzayan e Yunus (The Journal of the Indian Prosthodontic Society, 2014) descreve todos a partir do trabalho de Kan e colaboradores. Ela cita ainda os materiais evidenciadores e a medição 3D.
| teste | como fazer | o que indica desajuste | limite | fonte |
|---|---|---|---|---|
| Pressão alternada | barra sem parafuso; pressione um lado, depois o outro | báscula; saliva borbulhando numa interface | não mede a fresta, só o desajuste que faz a barra balançar | Buzayan e Yunus (2014) |
| Visão e sonda | lupa e ponta da sonda em cada interface visível | degrau ou fresta na margem | só vale acima da gengiva; a ponta de uma sonda nova tem cerca de 60 µm | Buzayan e Yunus (2014) |
| Teste de um parafuso (Sheffield) | um parafuso apertado num pilar da extremidade; depois, pela outra | fresta nos pilares sem parafuso | depende do que se enxerga, ou da radiografia | Buzayan e Yunus (2014); Harfagar et al. (2025) |
| Resistência dos parafusos | aperte um a um, a partir do pilar mais perto da linha média | parafuso que gira mais de meia volta depois da primeira resistência | a meia volta vale para parafuso com passo de rosca de 300 µm, não para todo sistema | Buzayan e Yunus (2014) |
| Radiografia periapical | feixe perpendicular à junção entre barra e pilar | linha escura na interface | com o feixe inclinado, a fresta pequena some | Sharkey et al. (2011) |
A radiografia depende do ângulo. Num estudo in vitro de Sharkey e colaboradores (The International Journal of Oral & Maxillofacial Implants, 2011), frestas de 12,7 µm foram vistas com o feixe até 5° fora da perpendicular. Com 15° de inclinação, a leitura confiável exigiu uma fresta de 51 µm.
Qual fresta é aceitável na prova da barra?
Não há um número único de fresta aceitável na prova da barra. Kan e colaboradores (1999) chamam de empíricos os níveis de passividade propostos, e Buzayan e Yunus (2014) não acharam na literatura um valor nem uma faixa de consenso. O que se usa como referência são limites citados em revisões e números de laboratório.
Na revisão de Pozzi e colaboradores (Clinical Implant Dentistry and Related Research, 2025), desajuste abaixo de 150 µm e desvio angular de até 1° costumam bastar para evitar complicações como afrouxamento de parafuso e fratura. Os autores lembram que a tolerância cai quanto mais implantes a peça une. A fabricação sozinha já pode deixar frestas de 20 a 100 µm.
Eid e colaboradores (BMC Oral Health, 2026) testaram barras de titânio num modelo de quatro implantes, com o parafuso terminal a 15 Ncm. Nos outros três pilares, a fresta média foi de 49 µm nas barras fresadas e de 44 µm nas impressas, e os autores consideraram as duas clinicamente aceitáveis. Uma fresta dessa ordem é menor que a ponta de uma sonda nova, e é por isso que a combinação de testes pesa mais que o olho.
O que acontece se a barra for parafusada com desajuste?
Uma barra parafusada com desajuste cria tensões nos componentes e no osso ao redor dos implantes, que em tese levam a complicações técnicas e biológicas. Na revisão sistemática de Katsoulis e colaboradores (European Journal of Oral Implantology, 2017), dois estudos clínicos mostraram risco um pouco maior de complicação com parafuso, e a perda óssea por causa do desajuste não se confirmou.
A evidência é curta: a revisão reuniu cinco estudos em humanos e cinco em animais, com métodos diferentes, sem meta-análise possível. Os autores não tiram disso licença para aceitar desajuste e recomendam buscar o menor possível. É o que a prova faz, antes de a barra receber os dentes.
Jig de verificação, prova da barra ou protótipo: qual a diferença?
O jig de verificação, a prova da barra e o protótipo rígido conferem a mesma coisa, a posição dos implantes, em momentos diferentes do caso. O jig confere o registro antes de a barra existir; a prova da barra confere registro e fabricação juntos; o protótipo leva à boca, numa peça rígida, o desenho da definitiva.
| prova | o que vai à boca | quando entra | o que confere | fonte |
|---|---|---|---|---|
| Jig de verificação | índice rígido que une os implantes na posição registrada, em resina ou fresado a partir do arquivo | antes de a barra ser feita | se a moldagem ou o escaneamento registrou a posição certa | Papaspyridakos et al. (2011); Sinada e Papaspyridakos (2021) |
| Prova da barra | a própria barra de titânio, ainda sem dentes | depois de a barra ficar pronta, antes da cobertura | registro e fabricação juntos | Harfagar et al. (2025); Eid et al. (2026) |
| Protótipo rígido | peça provisória rígida feita do mesmo desenho da definitiva | antes da definitiva, inclusive na zircônia em peça única, que não tem barra | a passividade da peça final antes de ela ser feita | Pozzi et al. (2025) |
Papaspyridakos e colaboradores (The International Journal of Oral & Maxillofacial Implants, 2011) usaram jigs de verificação unidos na boca para gerar o modelo de trabalho de 13 arcadas. As próteses de zircônia em peça única assentaram em todas, no modelo e na boca; com a moldagem sem união dos transferentes, só 6 das 13 tiveram adaptação correta.
O jig não é infalível. Num estudo in vitro de De La Cruz e colaboradores (The Journal of Prosthetic Dentistry, 2002), com três implantes, jigs em três resinas não foram mais precisos que a moldagem. Para a resina de união, Buzayan e Yunus (2014) descrevem cortar a peça entre os transferentes com disco fino e reunir os segmentos em pequenos incrementos, para compensar a contração do material.
Sinada e Papaspyridakos (Journal of Prosthodontics, 2021) descrevem a versão digital: um jig desenhado e fresado a partir do registro digital, provado na boca antes de duas próteses de zircônia em peça única. É um relato de caso, não um estudo comparativo. Qual dessas provas entra no seu caso, e em que etapa, é combinado com o laboratório na abertura do caso.
O que fazer quando a barra não assenta na prova?
Quando a barra não assenta na prova, não aperte mais para trazê-la ao lugar: a tensão que o parafuso vence fica na peça e nos componentes. Volte um passo, separe o que é do pilar do que é do registro e só aceite a barra quando ela passar nos testes.
| o que a prova mostra | onde costuma estar a causa | o que fazer |
|---|---|---|
| Barra que balança ou não encaixa num pilar só | pilar frouxo, mal assentado ou com gengiva presa | reaperte o pilar com o torque do fabricante, limpe a plataforma e repita a prova |
| Fresta em um ou mais pilares no teste de um parafuso, com os pilares conferidos | posição de implante registrada com erro, por scan body ou transferente | não aceite a barra; faça novo registro: jig unido na boca, novo escaneamento ou moldagem |
| Parafuso que gira além da meia volta depois da primeira resistência | barra puxada para o lugar pelo parafuso | pare o aperto e trate como desajuste, mesmo sem fresta visível |
| Dúvida na radiografia | feixe inclinado em relação à interface | repita com o feixe perpendicular antes de concluir |
| Jig de verificação que não assenta | registro com erro, ou distorção do próprio jig | corte o jig entre os pilares, reúna os segmentos na boca e mande ao laboratório |
A tabela junta os testes descritos por Buzayan e Yunus (2014) ao uso do jig unido na boca de Papaspyridakos e colaboradores (2011). Depois de um novo registro, a barra feita sobre o registro antigo deixa de servir de referência: combine com o laboratório o próximo passo e prove de novo antes dos dentes. Se a dúvida está nos scan bodies, os erros mais comuns estão no guia de escaneamento de arcada total.
O que anotar no caso depois da prova?
Depois da prova da barra, anote no caso o resultado de cada teste por pilar, pela numeração FDI, e anexe as radiografias e as fotos. Com isso, o laboratório sabe se a barra segue para os dentes ou se o registro precisa ser refeito, sem adivinhar qual pilar falhou.
No portal do Smile Digital Lab, recados e arquivos ficam dentro do caso, com data, hora e autor, e o resultado da prova fica junto do pedido. A barra pedida sozinha está na página da barra de titânio fresada, e a barra com a zircônia por cima, no protocolo de zircônia sobre barra de titânio. A versão sem barra está no protocolo de zircônia.
Checklist antes de liberar a barra para os dentes
- Pilares conferidos e apertados com o torque do fabricante
- Barra estável sem parafuso, sem báscula na pressão alternada
- Teste de um parafuso sem fresta, pelas duas extremidades
- Nenhum parafuso além do critério de resistência do seu sistema
- Radiografia perpendicular sem fresta nas interfaces abaixo da gengiva
- Resultado por pilar e radiografias anexados ao caso
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Criar conta no portalPerguntas frequentes
Qual é o protocolo para a prova da barra?
Confira os pilares, assente a barra sem parafuso e pressione os lados, faça o teste de um parafuso pelas duas extremidades, aperte os parafusos um a um sentindo a resistência e radiografe as interfaces abaixo da gengiva com o feixe perpendicular. A barra só recebe os dentes se passar em todos.
O que é o teste de Sheffield?
O teste de Sheffield é o teste de um parafuso: com a barra no lugar, aperta-se só o parafuso de um pilar da extremidade e observa-se a interface dos outros pilares. Fresta em qualquer um deles indica desajuste. Repete-se pela outra extremidade, e a radiografia confirma o que não se vê.
A prova da barra é obrigatória no protocolo?
Não há consenso que a torne obrigatória, e a decisão é sua. A revisão de Pozzi e colaboradores (2025) recomenda provar um protótipo rígido enquanto faltam ensaios clínicos sobre a precisão do escaneamento de arcada total. Num estudo clínico de 2025, 3 de 20 estruturas não passaram no teste de um parafuso.
Como testar a passividade num protocolo de zircônia sem barra?
Com um jig de verificação antes do desenho final, ou com um protótipo rígido feito do mesmo desenho da zircônia. Os testes são os mesmos da barra: pressão alternada, um parafuso pelas duas extremidades, resistência dos parafusos e radiografia. Qual prova entra é combinado com o laboratório na abertura do caso.
Fontes
- Clinical methods for evaluating implant framework fit · The Journal of Prosthetic Dentistry (Kan et al., 1999)
- Passive fit in screw retained multi-unit implant prosthesis understanding and achieving: a review of the literature · The Journal of the Indian Prosthodontic Society (Buzayan e Yunus, 2014)
- Trueness and passivity of digital and conventional implant impressions in edentulous jaws: a prospective clinical study · Clinical Implant Dentistry and Related Research (Harfagar et al., 2025)
- Photogrammetry versus intraoral scanning in complete-arch digital implant impression: a systematic review and meta-analysis · Clinical Implant Dentistry and Related Research (Pozzi et al., 2025)
- Passive fit of milled and additively manufactured complete arch implant-supported titanium frameworks: a micro-CT analysis · BMC Oral Health (Eid et al., 2026)
- Misfit of implant prostheses and its impact on clinical outcomes. Definition, assessment and a systematic review of the literature · European Journal of Oral Implantology (Katsoulis et al., 2017)
- A radiographic analysis of implant component misfit · The International Journal of Oral & Maxillofacial Implants (Sharkey et al., 2011)
- Effect of splinted and nonsplinted impression techniques on the accuracy of fit of fixed implant prostheses in edentulous patients: a comparative study · The International Journal of Oral & Maxillofacial Implants (Papaspyridakos et al., 2011)
- Verification jig for implant-supported prostheses: a comparison of standard impressions with verification jigs made of different materials · The Journal of Prosthetic Dentistry (De La Cruz et al., 2002)
- Digitally designed and milled verification jigs generated from photogrammetry data acquisition: a clinical report · Journal of Prosthodontics (Sinada e Papaspyridakos, 2021)
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