Guia · Protocolo
Protocolo não assenta na instalação: causas e o que fazer
O protocolo pronto que não assenta passivo no dia da instalação. Como confirmar, as causas a investigar, o que não fazer e o que mandar ao laboratório.
Resposta curta
O protocolo que não assenta na instalação tem três suspeitos: um pilar solto ou mal assentado, a posição dos implantes transferida com erro ou a peça distorcida na fabricação. Não aperte os parafusos para puxar a peça. Confira os pilares, faça o teste de um parafuso, radiografe com o feixe perpendicular e mande a peça para conferir no modelo.
Passo a passo
- 01
Pare de apertar
Se a peça não desce com aperto manual leve, não use o torque para trazê-la ao lugar. A tensão que o parafuso vence fica na peça e nos componentes, e esconde o desajuste dos testes seguintes.
- 02
Confira cada pilar sem a prótese
Retire a prótese e confira cada pilar multiunit: apertado no torque do fabricante, com a plataforma limpa, sem gengiva presa entre pilar e implante. Radiografe essa interface com o feixe perpendicular a ela.
- 03
Faça o teste de um parafuso pelas duas extremidades
Com a prótese no lugar, aperte só o parafuso de um pilar da extremidade e procure fresta ou báscula nos outros. Solte e repita pela extremidade oposta. Onde a interface fica abaixo da gengiva, a radiografia perpendicular decide.
- 04
Registre o resultado pilar por pilar
Anote o que cada teste mostrou em cada pilar, pela numeração FDI, com fotos e radiografias. É esse registro que permite ao laboratório separar erro de pilar, de transferência e de fabricação.
- 05
Mantenha o paciente com o provisório
Recoloque o provisório enquanto a causa não está resolvida. Instalar a definitiva com tensão leva o desajuste para a boca, onde a literatura o associa a mais complicações de parafuso.
- 06
Mande a prótese ao laboratório com os registros
Envie a prótese com o resultado dos testes, as radiografias e a marca, a plataforma, a altura de cinta e o ângulo de cada pilar. O primeiro exame do laboratório é ver se a peça assenta no modelo.
Protocolo que não assenta ou prova da barra: qual a diferença?
O protocolo que não assenta na instalação é a peça definitiva, pronta, com dentes e gengiva, que não desce passiva sobre os pilares no dia de entregar. A prova da barra acontece antes: confere a posição dos implantes num jig, na barra ainda sem dentes ou num protótipo, enquanto corrigir ainda é barato.
A diferença muda a conduta. Na prova, a fresta é o resultado esperado de um teste, e o caso volta um passo. Na instalação, o paciente está na cadeira esperando a peça final, e a tentação é apertar até ela descer. Este guia trata desse segundo momento: confirmar o desajuste, achar a causa e decidir com o laboratório.
O passo a passo da prova, com teste de um parafuso, jig de verificação e radiografia, está no guia de prova da barra. A sequência de escaneamento está no guia de escaneamento de arcada total.
Como confirmar que o protocolo não está passivo?
O protocolo não está passivo quando falha em mais de um teste de cadeira: báscula sob pressão alternada, fresta no teste de um parafuso, parafuso que gira demais depois da primeira resistência ou fresta na radiografia. Kan e colegas (The Journal of Prosthetic Dentistry, 1999) concluíram que nenhum teste é objetivo sozinho e recomendam combiná-los. Como fazer cada um está no guia de prova da barra; os testes são os mesmos na peça definitiva.
O desajuste não é raro. Harfagar e colegas (Clinical Implant Dentistry and Related Research, 2025) acompanharam 20 arcadas desdentadas com quatro ou seis implantes. As estruturas feitas por escaneamento e por moldagem passaram no teste de um parafuso em 17 dos 20 casos. Os implantes distais, sobretudo na maxila, tiveram os maiores desvios, sem diferença estatística.
A radiografia só serve com o feixe perpendicular à interface. Num estudo in vitro de Sharkey e colegas (The International Journal of Oral & Maxillofacial Implants, 2011), frestas de 12,7 µm apareceram com o feixe até 5° fora da perpendicular. Com 15°, só as frestas a partir de 51 µm.
Quais são as causas e o que fazer em cada uma?
As causas de um protocolo que não assenta caem em três grupos, e cada um deixa um sinal diferente nos testes e no modelo. A tabela parte do sinal para a conduta.
| causa | sinal | o que fazer | fonte |
|---|---|---|---|
| Pilar multiunit solto, mal assentado ou com gengiva presa | fresta na interface entre pilar e implante na radiografia; prótese que balança sobre um pilar só | reapertar o pilar no torque do fabricante, limpar a plataforma e repetir os testes | Sharkey et al., 2011 |
| Posição dos implantes transferida com erro, ou pilar trocado depois do registro | fresta em um ou mais pilares no teste de um parafuso, com os pilares conferidos; a peça assenta no modelo | novo registro conferido na boca, com jig ou protótipo, antes de corrigir ou refazer | Ercoli et al., 2012; Papaspyridakos et al., 2026; Pozzi et al., 2025 |
| Peça distorcida na fabricação | a peça não assenta nem no modelo | correção ou peça nova pelo laboratório, sobre o mesmo registro | Katsoulis et al., 2014; Yannikakis e Prombonas, 2013 |
O pilar vem primeiro porque é a causa mais simples de excluir e a única que se resolve na mesma consulta. As outras duas pedem a peça no laboratório.
Por que não apertar os parafusos até a peça descer?
Apertar os parafusos de um protocolo desajustado fecha a fresta à custa de tensão na peça, nos parafusos e nos implantes. Abduo e Judge (The International Journal of Oral & Maxillofacial Implants, 2014) revisaram 28 estudos de laboratório e em animais. Neles, a tensão na estrutura e nos parafusos e a instabilidade dos parafusos cresceram com o desajuste.
O efeito clínico disso é menos claro do que se costuma dizer. Na revisão de Katsoulis e colegas (European Journal of Oral Implantology, 2017), dois estudos clínicos mostraram risco um pouco maior de complicações de parafuso, e a perda óssea por desajuste não se confirmou. Os autores recomendam buscar o menor desajuste possível.
A complicação clínica que a literatura registra é a do parafuso. O guia sobre parafuso de prótese sobre implante soltando mostra como ela aparece e o que fazer.
A peça assenta no modelo e não na boca: o que isso diz?
Se a peça assenta no modelo e não na boca, o erro está entre a boca e o modelo: na transferência da posição dos implantes ou num pilar que mudou depois do registro. Se ela não assenta nem no modelo, o erro está na fabricação. É o primeiro exame que o laboratório faz com a peça.
A fabricação digital costuma reproduzir bem o modelo. Katsoulis e colegas (Clinical Oral Implants Research, 2014) testaram in vitro estruturas de 10 elementos sobre seis implantes. As fresadas em zircônia e em titânio tiveram fresta mediana de 14 a 18 µm no teste de um parafuso; as fundidas, de 236 µm.
O registro, por sua vez, nunca acerta sempre. No estudo de Harfagar (2025), até o escaneamento de referência, feito em máquina de medição por coordenadas, deixou de passar no teste de um parafuso em 2 dos 20 casos.
Corrigir a peça ou refazer?
Corrigir ou refazer depende do material e do desenho da peça, e de onde está o erro. Quando a causa é a transferência, qualquer correção começa por um registro novo, conferido na boca antes de a peça ser mexida ou refeita.
O registro conferido muda o resultado. Ercoli e colegas (Clinical Implant Dentistry and Related Research, 2012) revisaram 30 protocolos sobre estrutura metálica, moldados com transferentes. As 16 estruturas feitas com jig de verificação assentaram passivas; das 14 feitas sem ele, só 2. Papaspyridakos e colegas (Journal of Prosthodontics, 2026) provaram jigs e protótipos fresados antes de 30 protocolos de zircônia em peça única, e todos assentaram.
Em estruturas metálicas, cortar e reunir a peça sobre um índice novo melhorou a adaptação no estudo in vitro de Yannikakis e Prombonas (The International Journal of Oral & Maxillofacial Implants, 2013), feito com estruturas fundidas. Qual correção a sua peça admite, o laboratório responde depois de vê-la com o registro novo.
O que informar ao laboratório?
Informe o resultado de cada teste por pilar, pela numeração FDI, com as radiografias e as fotos, e diga se algum pilar foi trocado ou reapertado depois do escaneamento. Sem isso, o laboratório não separa erro de pilar, de transferência e de fabricação.
Envie ao laboratório:
- A prótese, limpa, com os parafusos.
- As radiografias perpendiculares de cada interface e as fotos dos testes.
- Marca e plataforma dos implantes; marca, altura de cinta e ângulo de cada pilar.
- Se houve prova antes da definitiva, o que ela mostrou.
- Se o registro vai ser refeito, como você prefere conferir: jig, protótipo ou a própria barra.
Trabalhamos com componentes Neodent e Titaniumfix, nacionais, e conferimos cada caso na chegada e em oito pontos antes de sair. Como funcionam ajuste e repetição, pergunte antes do primeiro caso.
A peça em si está nas páginas do protocolo de zircônia, do protocolo sobre barra de titânio e do protocolo de PMMA.
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Criar conta no portalPerguntas frequentes
Posso instalar o protocolo com uma fresta pequena?
Não há valor de consenso. Pozzi e colaboradores (2025) citam desajuste abaixo de 150 µm e desvio de até 1° como suficientes para evitar complicações, mas o teste de cadeira não mede micrômetros. Fresta que aparece no teste de um parafuso ou na radiografia perpendicular pede investigação antes de instalar, e a decisão é sua.
Quem decide entre corrigir e refazer o protocolo?
A decisão clínica é sua. O laboratório diz o que a peça admite depois de vê-la no modelo e, quando a causa é a transferência, sobre um registro novo conferido na boca. Como funcionam ajuste e repetição, pergunte antes do primeiro caso.
O teste de um parafuso vale para protocolo de zircônia sem barra?
Vale. Os testes são os mesmos da barra: um parafuso de cada extremidade, resistência dos parafusos e radiografia perpendicular. Num estudo clínico de 2026 com 30 protocolos de zircônia em peça única, a adaptação foi conferida por resistência dos parafusos, exame visual e radiografias.
Fontes
- Clinical methods for evaluating implant framework fit · The Journal of Prosthetic Dentistry (Kan et al., 1999)
- Trueness and passivity of digital and conventional implant impressions in edentulous jaws: a prospective clinical study · Clinical Implant Dentistry and Related Research (Harfagar et al., 2025)
- A radiographic analysis of implant component misfit · The International Journal of Oral & Maxillofacial Implants (Sharkey et al., 2011)
- Misfit of implant prostheses and its impact on clinical outcomes. Definition, assessment and a systematic review of the literature · European Journal of Oral Implantology (Katsoulis et al., 2017)
- Implications of implant framework misfit: a systematic review of biomechanical sequelae · The International Journal of Oral & Maxillofacial Implants (Abduo e Judge, 2014)
- Precision of fit of implant-supported screw-retained 10-unit computer-aided-designed and computer-aided-manufactured frameworks made from zirconium dioxide and titanium: an in vitro study · Clinical Oral Implants Research (Katsoulis et al., 2014)
- Improving the fit of implant prosthetics: an in vitro study · The International Journal of Oral & Maxillofacial Implants (Yannikakis e Prombonas, 2013)
- The influence of verification jig on framework fit for nonsegmented fixed implant-supported complete denture · Clinical Implant Dentistry and Related Research (Ercoli et al., 2012)
- Reverse scan body: a retrospective clinical study with 30 edentulous jaws · Journal of Prosthodontics (Papaspyridakos et al., 2026)
- Photogrammetry versus intraoral scanning in complete-arch digital implant impression: a systematic review and meta-analysis · Clinical Implant Dentistry and Related Research (Pozzi et al., 2025)
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