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Guia · Protocolo

Protocolo não assenta na instalação: causas e o que fazer

O protocolo pronto que não assenta passivo no dia da instalação. Como confirmar, as causas a investigar, o que não fazer e o que mandar ao laboratório.

Por Equipe técnica Smile Digital LabAtualizado em 6 min de leitura

Resposta curta

O protocolo que não assenta na instalação tem três suspeitos: um pilar solto ou mal assentado, a posição dos implantes transferida com erro ou a peça distorcida na fabricação. Não aperte os parafusos para puxar a peça. Confira os pilares, faça o teste de um parafuso, radiografe com o feixe perpendicular e mande a peça para conferir no modelo.

Passo a passo

  1. 01

    Pare de apertar

    Se a peça não desce com aperto manual leve, não use o torque para trazê-la ao lugar. A tensão que o parafuso vence fica na peça e nos componentes, e esconde o desajuste dos testes seguintes.

  2. 02

    Confira cada pilar sem a prótese

    Retire a prótese e confira cada pilar multiunit: apertado no torque do fabricante, com a plataforma limpa, sem gengiva presa entre pilar e implante. Radiografe essa interface com o feixe perpendicular a ela.

  3. 03

    Faça o teste de um parafuso pelas duas extremidades

    Com a prótese no lugar, aperte só o parafuso de um pilar da extremidade e procure fresta ou báscula nos outros. Solte e repita pela extremidade oposta. Onde a interface fica abaixo da gengiva, a radiografia perpendicular decide.

  4. 04

    Registre o resultado pilar por pilar

    Anote o que cada teste mostrou em cada pilar, pela numeração FDI, com fotos e radiografias. É esse registro que permite ao laboratório separar erro de pilar, de transferência e de fabricação.

  5. 05

    Mantenha o paciente com o provisório

    Recoloque o provisório enquanto a causa não está resolvida. Instalar a definitiva com tensão leva o desajuste para a boca, onde a literatura o associa a mais complicações de parafuso.

  6. 06

    Mande a prótese ao laboratório com os registros

    Envie a prótese com o resultado dos testes, as radiografias e a marca, a plataforma, a altura de cinta e o ângulo de cada pilar. O primeiro exame do laboratório é ver se a peça assenta no modelo.

Protocolo que não assenta ou prova da barra: qual a diferença?

O protocolo que não assenta na instalação é a peça definitiva, pronta, com dentes e gengiva, que não desce passiva sobre os pilares no dia de entregar. A prova da barra acontece antes: confere a posição dos implantes num jig, na barra ainda sem dentes ou num protótipo, enquanto corrigir ainda é barato.

A diferença muda a conduta. Na prova, a fresta é o resultado esperado de um teste, e o caso volta um passo. Na instalação, o paciente está na cadeira esperando a peça final, e a tentação é apertar até ela descer. Este guia trata desse segundo momento: confirmar o desajuste, achar a causa e decidir com o laboratório.

O passo a passo da prova, com teste de um parafuso, jig de verificação e radiografia, está no guia de prova da barra. A sequência de escaneamento está no guia de escaneamento de arcada total.

Como confirmar que o protocolo não está passivo?

O protocolo não está passivo quando falha em mais de um teste de cadeira: báscula sob pressão alternada, fresta no teste de um parafuso, parafuso que gira demais depois da primeira resistência ou fresta na radiografia. Kan e colegas (The Journal of Prosthetic Dentistry, 1999) concluíram que nenhum teste é objetivo sozinho e recomendam combiná-los. Como fazer cada um está no guia de prova da barra; os testes são os mesmos na peça definitiva.

O desajuste não é raro. Harfagar e colegas (Clinical Implant Dentistry and Related Research, 2025) acompanharam 20 arcadas desdentadas com quatro ou seis implantes. As estruturas feitas por escaneamento e por moldagem passaram no teste de um parafuso em 17 dos 20 casos. Os implantes distais, sobretudo na maxila, tiveram os maiores desvios, sem diferença estatística.

A radiografia só serve com o feixe perpendicular à interface. Num estudo in vitro de Sharkey e colegas (The International Journal of Oral & Maxillofacial Implants, 2011), frestas de 12,7 µm apareceram com o feixe até 5° fora da perpendicular. Com 15°, só as frestas a partir de 51 µm.

Quais são as causas e o que fazer em cada uma?

As causas de um protocolo que não assenta caem em três grupos, e cada um deixa um sinal diferente nos testes e no modelo. A tabela parte do sinal para a conduta.

causasinalo que fazerfonte
Pilar multiunit solto, mal assentado ou com gengiva presafresta na interface entre pilar e implante na radiografia; prótese que balança sobre um pilar sóreapertar o pilar no torque do fabricante, limpar a plataforma e repetir os testesSharkey et al., 2011
Posição dos implantes transferida com erro, ou pilar trocado depois do registrofresta em um ou mais pilares no teste de um parafuso, com os pilares conferidos; a peça assenta no modelonovo registro conferido na boca, com jig ou protótipo, antes de corrigir ou refazerErcoli et al., 2012; Papaspyridakos et al., 2026; Pozzi et al., 2025
Peça distorcida na fabricaçãoa peça não assenta nem no modelocorreção ou peça nova pelo laboratório, sobre o mesmo registroKatsoulis et al., 2014; Yannikakis e Prombonas, 2013

O pilar vem primeiro porque é a causa mais simples de excluir e a única que se resolve na mesma consulta. As outras duas pedem a peça no laboratório.

Por que não apertar os parafusos até a peça descer?

Apertar os parafusos de um protocolo desajustado fecha a fresta à custa de tensão na peça, nos parafusos e nos implantes. Abduo e Judge (The International Journal of Oral & Maxillofacial Implants, 2014) revisaram 28 estudos de laboratório e em animais. Neles, a tensão na estrutura e nos parafusos e a instabilidade dos parafusos cresceram com o desajuste.

O efeito clínico disso é menos claro do que se costuma dizer. Na revisão de Katsoulis e colegas (European Journal of Oral Implantology, 2017), dois estudos clínicos mostraram risco um pouco maior de complicações de parafuso, e a perda óssea por desajuste não se confirmou. Os autores recomendam buscar o menor desajuste possível.

A complicação clínica que a literatura registra é a do parafuso. O guia sobre parafuso de prótese sobre implante soltando mostra como ela aparece e o que fazer.

A peça assenta no modelo e não na boca: o que isso diz?

Se a peça assenta no modelo e não na boca, o erro está entre a boca e o modelo: na transferência da posição dos implantes ou num pilar que mudou depois do registro. Se ela não assenta nem no modelo, o erro está na fabricação. É o primeiro exame que o laboratório faz com a peça.

A fabricação digital costuma reproduzir bem o modelo. Katsoulis e colegas (Clinical Oral Implants Research, 2014) testaram in vitro estruturas de 10 elementos sobre seis implantes. As fresadas em zircônia e em titânio tiveram fresta mediana de 14 a 18 µm no teste de um parafuso; as fundidas, de 236 µm.

O registro, por sua vez, nunca acerta sempre. No estudo de Harfagar (2025), até o escaneamento de referência, feito em máquina de medição por coordenadas, deixou de passar no teste de um parafuso em 2 dos 20 casos.

Corrigir a peça ou refazer?

Corrigir ou refazer depende do material e do desenho da peça, e de onde está o erro. Quando a causa é a transferência, qualquer correção começa por um registro novo, conferido na boca antes de a peça ser mexida ou refeita.

O registro conferido muda o resultado. Ercoli e colegas (Clinical Implant Dentistry and Related Research, 2012) revisaram 30 protocolos sobre estrutura metálica, moldados com transferentes. As 16 estruturas feitas com jig de verificação assentaram passivas; das 14 feitas sem ele, só 2. Papaspyridakos e colegas (Journal of Prosthodontics, 2026) provaram jigs e protótipos fresados antes de 30 protocolos de zircônia em peça única, e todos assentaram.

Em estruturas metálicas, cortar e reunir a peça sobre um índice novo melhorou a adaptação no estudo in vitro de Yannikakis e Prombonas (The International Journal of Oral & Maxillofacial Implants, 2013), feito com estruturas fundidas. Qual correção a sua peça admite, o laboratório responde depois de vê-la com o registro novo.

O que informar ao laboratório?

Informe o resultado de cada teste por pilar, pela numeração FDI, com as radiografias e as fotos, e diga se algum pilar foi trocado ou reapertado depois do escaneamento. Sem isso, o laboratório não separa erro de pilar, de transferência e de fabricação.

Envie ao laboratório:

  • A prótese, limpa, com os parafusos.
  • As radiografias perpendiculares de cada interface e as fotos dos testes.
  • Marca e plataforma dos implantes; marca, altura de cinta e ângulo de cada pilar.
  • Se houve prova antes da definitiva, o que ela mostrou.
  • Se o registro vai ser refeito, como você prefere conferir: jig, protótipo ou a própria barra.

Trabalhamos com componentes Neodent e Titaniumfix, nacionais, e conferimos cada caso na chegada e em oito pontos antes de sair. Como funcionam ajuste e repetição, pergunte antes do primeiro caso.

A peça em si está nas páginas do protocolo de zircônia, do protocolo sobre barra de titânio e do protocolo de PMMA.

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Perguntas frequentes

Posso instalar o protocolo com uma fresta pequena?

Não há valor de consenso. Pozzi e colaboradores (2025) citam desajuste abaixo de 150 µm e desvio de até 1° como suficientes para evitar complicações, mas o teste de cadeira não mede micrômetros. Fresta que aparece no teste de um parafuso ou na radiografia perpendicular pede investigação antes de instalar, e a decisão é sua.

Quem decide entre corrigir e refazer o protocolo?

A decisão clínica é sua. O laboratório diz o que a peça admite depois de vê-la no modelo e, quando a causa é a transferência, sobre um registro novo conferido na boca. Como funcionam ajuste e repetição, pergunte antes do primeiro caso.

O teste de um parafuso vale para protocolo de zircônia sem barra?

Vale. Os testes são os mesmos da barra: um parafuso de cada extremidade, resistência dos parafusos e radiografia perpendicular. Num estudo clínico de 2026 com 30 protocolos de zircônia em peça única, a adaptação foi conferida por resistência dos parafusos, exame visual e radiografias.

Fontes

  1. Clinical methods for evaluating implant framework fit · The Journal of Prosthetic Dentistry (Kan et al., 1999)
  2. Trueness and passivity of digital and conventional implant impressions in edentulous jaws: a prospective clinical study · Clinical Implant Dentistry and Related Research (Harfagar et al., 2025)
  3. A radiographic analysis of implant component misfit · The International Journal of Oral & Maxillofacial Implants (Sharkey et al., 2011)
  4. Misfit of implant prostheses and its impact on clinical outcomes. Definition, assessment and a systematic review of the literature · European Journal of Oral Implantology (Katsoulis et al., 2017)
  5. Implications of implant framework misfit: a systematic review of biomechanical sequelae · The International Journal of Oral & Maxillofacial Implants (Abduo e Judge, 2014)
  6. Precision of fit of implant-supported screw-retained 10-unit computer-aided-designed and computer-aided-manufactured frameworks made from zirconium dioxide and titanium: an in vitro study · Clinical Oral Implants Research (Katsoulis et al., 2014)
  7. Improving the fit of implant prosthetics: an in vitro study · The International Journal of Oral & Maxillofacial Implants (Yannikakis e Prombonas, 2013)
  8. The influence of verification jig on framework fit for nonsegmented fixed implant-supported complete denture · Clinical Implant Dentistry and Related Research (Ercoli et al., 2012)
  9. Reverse scan body: a retrospective clinical study with 30 edentulous jaws · Journal of Prosthodontics (Papaspyridakos et al., 2026)
  10. Photogrammetry versus intraoral scanning in complete-arch digital implant impression: a systematic review and meta-analysis · Clinical Implant Dentistry and Related Research (Pozzi et al., 2025)

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