Pular para o conteúdo

Usamos cookies do Google Analytics para entender quais conteúdos ajudam dentistas. Você escolhe. Como usamos cookies

Guia · Prótese sobre implante

Parafuso de prótese sobre implante soltando: o que fazer

Por que o parafuso da coroa ou do protocolo sobre implante solta, como diferenciar de coroa descolada e o que informar ao laboratório no conserto.

Por Equipe técnica Smile Digital LabAtualizado em 5 min de leitura

Resposta curta

O parafuso de prótese sobre implante solta quando perde a pré-carga, a força de aperto que mantém a peça unida ao implante. As causas mais citadas são torque abaixo do indicado, componente sem assentar, carga fora do eixo, cantiléver e bruxismo. Reaperte com torquímetro no valor do fabricante e trate a causa antes que ele solte de novo.

Passo a passo

  1. 01

    Descubra o que está solto

    Antes de remover a peça, observe o que se move: o conjunto todo, só a coroa sobre a base de titânio ou o próprio implante. Parafuso solto dá folga ao conjunto; coroa descolada gira sobre a base, que segue presa; implante com mobilidade pede outra investigação.

  2. 02

    Radiografe com o feixe perpendicular à conexão

    Faça a periapical com o feixe perpendicular à interface entre o componente e o implante. Fresta visível nessa interface indica componente que não assentou, e reapertar sobre ela não resolve.

  3. 03

    Remova a peça e confira parafuso e componente

    Examine a cabeça e a rosca do parafuso, a base de titânio e a conexão. Rosca gasta, cabeça espanada ou base descolada mudam a conduta. Guarde as peças identificadas, porque é o que o laboratório vai precisar ver.

  4. 04

    Reaperte com torquímetro no valor do fabricante

    Aperte no torque da instrução de uso do fabricante do componente, sempre com torquímetro. Um estudo in vitro recomenda repetir o aperto 10 minutos depois do primeiro, para recuperar a pré-carga perdida na acomodação das superfícies.

  5. 05

    Ajuste a oclusão antes de liberar o paciente

    Marque os contatos com papel articular e shimstock. Na coroa posterior, deixe contato só na mordida firme e tire os contatos em lateralidade e protrusão. É a causa que o reaperto não corrige.

  6. 06

    Proteja a cabeça do parafuso e registre o torque

    Cubra a cabeça do parafuso com fita de PTFE antes de vedar o acesso, para a próxima abertura não danificá-la. Anote no prontuário o torque usado e a data, e confira o aperto na consulta seguinte.

  7. 07

    Se soltar de novo, envie o conjunto ao laboratório

    Na segunda soltura, a causa não é só o aperto. Fale com o laboratório e mande a peça com a base de titânio e o parafuso, a radiografia, fotos dos contatos marcados e a marca e a plataforma do implante.

Por que o parafuso da prótese sobre implante solta?

O parafuso da prótese sobre implante solta quando a pré-carga, a tensão criada no aperto que prende a peça contra o implante, fica menor que as forças que tentam separar essa junta na mastigação. Torque baixo, peça que não assentou e carga lateral reduzem essa margem.

É uma das complicações técnicas mais frequentes. Na revisão sistemática de Jung e colegas (Clinical Oral Implants Research, 2012), com 46 estudos de coroas unitárias sobre implante, a incidência acumulada de parafuso solto em cinco anos foi de 8,8%.

Huang e Wang (Journal of Esthetic and Restorative Dentistry, 2019) revisaram 99 trabalhos sobre o mecanismo. As conexões internas e os pilares com desenho cônico e antirrotacional resistem melhor; o cantiléver aumenta o risco. A orientação clínica dos autores é apertar no torque recomendado, evitar apertar e soltar o mesmo parafuso várias vezes e encurtar o intervalo das revisões para reapertar a tempo.

Como saber se é o parafuso, a coroa ou o implante?

Parafuso solto, coroa descolada e implante com mobilidade dão a mesma queixa, “a coroa mexe”, e pedem condutas diferentes. Na revisão de Stilwell (British Dental Journal, 2024), o paciente costuma perceber cedo o parafuso solto, como um estalido leve ao morder ou mastigar. No exame, os sinais iniciais são discretos: fresta ou fluido na margem e movimento da peça em lateralidade.

A peça de zircônia cimentada sobre base de titânio pode descolar da base enquanto o parafuso segue apertado. Pitta e colegas (The International Journal of Prosthodontics, 2021) relatam essa falha numa prótese parcial sobre bases de titânio, depois de pouco tempo de uso, e lembram que estudos de laboratório já apontavam o risco. Nesse caso, a peça gira ou sai, e a base fica no implante.

A radiografia separa o resto, desde que o feixe esteja perpendicular à conexão. Num estudo in vitro de Sharkey e colegas (The International Journal of Oral & Maxillofacial Implants, 2011), frestas de 12,7 µm apareceram com até 5° de desvio do feixe. Com 15° de desvio, só as frestas a partir de 51 µm foram detectadas com segurança.

Quais causas fazem o parafuso soltar de novo?

Um parafuso que solta duas vezes no mesmo lugar tem uma causa além do aperto. A tabela junta as causas descritas na literatura, o sinal que cada uma deixa e a conduta.

causasinalo que fazerfonte
Torque abaixo do indicado ou sem reapertosoltura sem outro achado: radiografia sem fresta e oclusão corretareapertar com torquímetro no valor do fabricante e repetir o aperto depois de 10 minutosHuang e Wang, 2019; Siamos et al., 2002
Componente sem assentar ou peça sem passividadefresta na radiografia perpendicular; soltura logo depois da instalação, às vezes em vários parafusosresolver o assentamento antes de reapertar; no protocolo, testar a passividadeSharkey et al., 2011; Katsoulis et al., 2017
Contato oclusal pesado ou em lateralidademarca forte na coroa em mordida leve ou em excursãoajustar até contato só na mordida firme, sem contato excursivo na coroa posteriorStilwell, 2024
Cantiléverpeça com extensão em cantiléver que solta mesmo com a oclusão ajustadarever com o laboratório a extensão e o desenho do cantiléverHuang e Wang, 2019
Bruxismofacetas de desgaste, lascamento, bordas da língua festonadasplaca oclusal rígida e oclusão revisadaVidal et al., 2025; Stilwell, 2024
Parafuso apertado e solto muitas vezesrosca ou cabeça gasta, torque que não se mantémtrocar o parafusoShui et al., 2026
Peça descolada da base de titânioa peça gira ou sai, e a base segue presa ao implanteremover e enviar coroa e base ao laboratórioPitta et al., 2021

No protocolo, a soltura repetida num pilar só é motivo para testar a passividade. Na revisão de Katsoulis e colegas (European Journal of Oral Implantology, 2017), o desajuste entre prótese e implantes aumentou um pouco o risco de complicações de parafuso, sem efeito confirmado no osso. O guia sobre protocolo que não assenta mostra como testar.

Reapertar ou trocar o parafuso?

Reaperte o parafuso que soltou uma vez se a rosca e a cabeça estão íntegras; troque quando há desgaste ou quando ele já foi apertado e solto muitas vezes. Na revisão sistemática de Xiao e colegas (The International Journal of Oral & Maxillofacial Implants, 2017), a literatura era escassa. Ainda assim, os 44 parafusos soltos relatados em dois estudos não voltaram a soltar depois de um reaperto.

Os autores não recomendam trocar o parafuso como rotina. O limite aparece em laboratório. Na revisão de Shui e colegas (Journal of Dentistry, 2026), com 16 estudos in vitro, o torque de remoção caiu depois de cinco ciclos de aperto e soltura. Depois de dez, caiu mais, e a rosca mostrou desgaste.

Conte as aberturas da vida da peça, não só as da soltura: provas, ajustes e consertos também são ciclos. Num parafuso que já passou por várias delas, pondere a troca.

Quando o parafuso solto aponta para a oclusão?

O parafuso solto aponta para a oclusão quando volta a soltar depois de um reaperto correto, sem fresta na radiografia. Na revisão de Hsu e colegas (The International Journal of Oral & Maxillofacial Implants, 2012), a sobrecarga oclusal foi apontada como a principal causa das complicações biomecânicas, entre elas a soltura de parafuso. Ela apareceu associada ao bruxismo.

O bruxismo pesa nos números. Na meta-análise de Vidal e colegas (Journal of Prosthodontics, 2025), com 13 estudos, o bruxismo multiplicou por 3,4 a chance de parafuso solto e por 7,1 a de parafuso fraturado.

Antes de reapertar pela terceira vez, revise o esquema oclusal da peça. O guia de ajuste oclusal em coroa sobre implante traz o critério de contato. Em paciente com bruxismo, a revisão de Stilwell indica placa oclusal rígida para a noite, como a placa fresada.

O que informar ao laboratório no conserto?

Fale com o laboratório antes de enviar e descreva o histórico: quando a peça foi instalada, quantas vezes o parafuso soltou, o torque usado e o que a radiografia mostrou. Com isso, a peça chega com a pergunta certa.

Envie ao laboratório:

  • A coroa ou o protocolo com a base de titânio e o parafuso, cada um identificado.
  • A radiografia com o feixe perpendicular à conexão.
  • Fotos dos contatos marcados em mordida leve, firme e em lateralidade.
  • Marca, sistema e plataforma do implante e o modelo do componente.
  • Se a peça vai ser refeita, um escaneamento novo com scan body, antagonista e mordida.

Trabalhamos com componentes Neodent e Titaniumfix, nacionais. Se a peça saiu daqui, informe o caso no portal: o pedido guarda a marca e a plataforma que você passou. Se o protocolo de resina também tem dente fraturado ou gasto, a troca entra como conserto.

Como funcionam ajuste e repetição, pergunte antes do primeiro caso. O que se previne já no pedido, de scan body a antagonista, está em por que coroas sobre implante voltam. A peça em si está na coroa de zircônia sobre implante.

Serviços relacionados

Criar conta no portal

Perguntas frequentes

Qual torque usar no parafuso da coroa sobre implante?

O da instrução de uso do fabricante do componente, que muda entre parafuso de pilar, de base de titânio e de pilar multiunit. Use torquímetro, não aperto manual. Se você não tem a instrução do componente que veio com a peça, peça ao laboratório a marca e o modelo usados.

Coroa cimentada também tem parafuso que solta?

Tem. Na cimentada, o parafuso que solta é o do pilar, debaixo da coroa, e o conjunto inteiro ganha folga. Para chegar a ele, é preciso abrir um acesso pela coroa ou removê-la, e essa diferença pesa na escolha entre coroa parafusada e cimentada.

O que pôr sobre o parafuso antes de fechar o acesso?

Fita de PTFE (teflon). É inerte e protege a cabeça do parafuso na próxima abertura, segundo a revisão de Stilwell no British Dental Journal (2024). Por cima vai a resina que fecha o acesso, escolhida conforme a previsão de reabrir.

Fontes

  1. Systematic review of the survival rate and the incidence of biological, technical, and aesthetic complications of single crowns on implants reported in longitudinal studies with a mean follow-up of 5 years · Clinical Oral Implants Research (Jung et al., 2012)
  2. Mechanism of and factors associated with the loosening of the implant abutment screw: a review · Journal of Esthetic and Restorative Dentistry (Huang e Wang, 2019)
  3. Relationship between implant preload and screw loosening on implant-supported prostheses · Journal of Oral Implantology (Siamos et al., 2002)
  4. A radiographic analysis of implant component misfit · The International Journal of Oral & Maxillofacial Implants (Sharkey et al., 2011)
  5. Opinions regarding reuse or replacement of implant prosthesis retaining screws: a systematic review · The International Journal of Oral & Maxillofacial Implants (Xiao et al., 2017)
  6. Impact of repeated tightening and loosening on the implant-prosthetic screw joint: a systematic review and meta-analysis · Journal of Dentistry (Shui et al., 2026)
  7. Relationship between bruxism and different types of mechanical complications in implant-supported prosthesis: a systematic review with meta-analysis · Journal of Prosthodontics (Vidal et al., 2025)
  8. Occlusal considerations in maintaining health of implants and their restorations · British Dental Journal (Stilwell, 2024)
  9. Biomechanical implant treatment complications: a systematic review of clinical studies of implants with at least 1 year of functional loading · The International Journal of Oral & Maxillofacial Implants (Hsu et al., 2012)
  10. Technical complication of a zirconia multiple-unit FDP supported by titanium base abutments: case report on a bonding failure and treatment alternative · The International Journal of Prosthodontics (Pitta et al., 2021)
  11. Misfit of implant prostheses and its impact on clinical outcomes. Definition, assessment and a systematic review of the literature · European Journal of Oral Implantology (Katsoulis et al., 2017)

Uma carta técnica por mês

Materiais, protocolos e o que vemos na bancada. Sem promoção, e você sai quando quiser.

Continue lendo

WhatsApp