Guia · Prótese sobre implante
Parafuso de prótese sobre implante soltando: o que fazer
Por que o parafuso da coroa ou do protocolo sobre implante solta, como diferenciar de coroa descolada e o que informar ao laboratório no conserto.
Resposta curta
O parafuso de prótese sobre implante solta quando perde a pré-carga, a força de aperto que mantém a peça unida ao implante. As causas mais citadas são torque abaixo do indicado, componente sem assentar, carga fora do eixo, cantiléver e bruxismo. Reaperte com torquímetro no valor do fabricante e trate a causa antes que ele solte de novo.
Passo a passo
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Descubra o que está solto
Antes de remover a peça, observe o que se move: o conjunto todo, só a coroa sobre a base de titânio ou o próprio implante. Parafuso solto dá folga ao conjunto; coroa descolada gira sobre a base, que segue presa; implante com mobilidade pede outra investigação.
- 02
Radiografe com o feixe perpendicular à conexão
Faça a periapical com o feixe perpendicular à interface entre o componente e o implante. Fresta visível nessa interface indica componente que não assentou, e reapertar sobre ela não resolve.
- 03
Remova a peça e confira parafuso e componente
Examine a cabeça e a rosca do parafuso, a base de titânio e a conexão. Rosca gasta, cabeça espanada ou base descolada mudam a conduta. Guarde as peças identificadas, porque é o que o laboratório vai precisar ver.
- 04
Reaperte com torquímetro no valor do fabricante
Aperte no torque da instrução de uso do fabricante do componente, sempre com torquímetro. Um estudo in vitro recomenda repetir o aperto 10 minutos depois do primeiro, para recuperar a pré-carga perdida na acomodação das superfícies.
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Ajuste a oclusão antes de liberar o paciente
Marque os contatos com papel articular e shimstock. Na coroa posterior, deixe contato só na mordida firme e tire os contatos em lateralidade e protrusão. É a causa que o reaperto não corrige.
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Proteja a cabeça do parafuso e registre o torque
Cubra a cabeça do parafuso com fita de PTFE antes de vedar o acesso, para a próxima abertura não danificá-la. Anote no prontuário o torque usado e a data, e confira o aperto na consulta seguinte.
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Se soltar de novo, envie o conjunto ao laboratório
Na segunda soltura, a causa não é só o aperto. Fale com o laboratório e mande a peça com a base de titânio e o parafuso, a radiografia, fotos dos contatos marcados e a marca e a plataforma do implante.
Por que o parafuso da prótese sobre implante solta?
O parafuso da prótese sobre implante solta quando a pré-carga, a tensão criada no aperto que prende a peça contra o implante, fica menor que as forças que tentam separar essa junta na mastigação. Torque baixo, peça que não assentou e carga lateral reduzem essa margem.
É uma das complicações técnicas mais frequentes. Na revisão sistemática de Jung e colegas (Clinical Oral Implants Research, 2012), com 46 estudos de coroas unitárias sobre implante, a incidência acumulada de parafuso solto em cinco anos foi de 8,8%.
Huang e Wang (Journal of Esthetic and Restorative Dentistry, 2019) revisaram 99 trabalhos sobre o mecanismo. As conexões internas e os pilares com desenho cônico e antirrotacional resistem melhor; o cantiléver aumenta o risco. A orientação clínica dos autores é apertar no torque recomendado, evitar apertar e soltar o mesmo parafuso várias vezes e encurtar o intervalo das revisões para reapertar a tempo.
Como saber se é o parafuso, a coroa ou o implante?
Parafuso solto, coroa descolada e implante com mobilidade dão a mesma queixa, “a coroa mexe”, e pedem condutas diferentes. Na revisão de Stilwell (British Dental Journal, 2024), o paciente costuma perceber cedo o parafuso solto, como um estalido leve ao morder ou mastigar. No exame, os sinais iniciais são discretos: fresta ou fluido na margem e movimento da peça em lateralidade.
A peça de zircônia cimentada sobre base de titânio pode descolar da base enquanto o parafuso segue apertado. Pitta e colegas (The International Journal of Prosthodontics, 2021) relatam essa falha numa prótese parcial sobre bases de titânio, depois de pouco tempo de uso, e lembram que estudos de laboratório já apontavam o risco. Nesse caso, a peça gira ou sai, e a base fica no implante.
A radiografia separa o resto, desde que o feixe esteja perpendicular à conexão. Num estudo in vitro de Sharkey e colegas (The International Journal of Oral & Maxillofacial Implants, 2011), frestas de 12,7 µm apareceram com até 5° de desvio do feixe. Com 15° de desvio, só as frestas a partir de 51 µm foram detectadas com segurança.
Quais causas fazem o parafuso soltar de novo?
Um parafuso que solta duas vezes no mesmo lugar tem uma causa além do aperto. A tabela junta as causas descritas na literatura, o sinal que cada uma deixa e a conduta.
| causa | sinal | o que fazer | fonte |
|---|---|---|---|
| Torque abaixo do indicado ou sem reaperto | soltura sem outro achado: radiografia sem fresta e oclusão correta | reapertar com torquímetro no valor do fabricante e repetir o aperto depois de 10 minutos | Huang e Wang, 2019; Siamos et al., 2002 |
| Componente sem assentar ou peça sem passividade | fresta na radiografia perpendicular; soltura logo depois da instalação, às vezes em vários parafusos | resolver o assentamento antes de reapertar; no protocolo, testar a passividade | Sharkey et al., 2011; Katsoulis et al., 2017 |
| Contato oclusal pesado ou em lateralidade | marca forte na coroa em mordida leve ou em excursão | ajustar até contato só na mordida firme, sem contato excursivo na coroa posterior | Stilwell, 2024 |
| Cantiléver | peça com extensão em cantiléver que solta mesmo com a oclusão ajustada | rever com o laboratório a extensão e o desenho do cantiléver | Huang e Wang, 2019 |
| Bruxismo | facetas de desgaste, lascamento, bordas da língua festonadas | placa oclusal rígida e oclusão revisada | Vidal et al., 2025; Stilwell, 2024 |
| Parafuso apertado e solto muitas vezes | rosca ou cabeça gasta, torque que não se mantém | trocar o parafuso | Shui et al., 2026 |
| Peça descolada da base de titânio | a peça gira ou sai, e a base segue presa ao implante | remover e enviar coroa e base ao laboratório | Pitta et al., 2021 |
No protocolo, a soltura repetida num pilar só é motivo para testar a passividade. Na revisão de Katsoulis e colegas (European Journal of Oral Implantology, 2017), o desajuste entre prótese e implantes aumentou um pouco o risco de complicações de parafuso, sem efeito confirmado no osso. O guia sobre protocolo que não assenta mostra como testar.
Reapertar ou trocar o parafuso?
Reaperte o parafuso que soltou uma vez se a rosca e a cabeça estão íntegras; troque quando há desgaste ou quando ele já foi apertado e solto muitas vezes. Na revisão sistemática de Xiao e colegas (The International Journal of Oral & Maxillofacial Implants, 2017), a literatura era escassa. Ainda assim, os 44 parafusos soltos relatados em dois estudos não voltaram a soltar depois de um reaperto.
Os autores não recomendam trocar o parafuso como rotina. O limite aparece em laboratório. Na revisão de Shui e colegas (Journal of Dentistry, 2026), com 16 estudos in vitro, o torque de remoção caiu depois de cinco ciclos de aperto e soltura. Depois de dez, caiu mais, e a rosca mostrou desgaste.
Conte as aberturas da vida da peça, não só as da soltura: provas, ajustes e consertos também são ciclos. Num parafuso que já passou por várias delas, pondere a troca.
Quando o parafuso solto aponta para a oclusão?
O parafuso solto aponta para a oclusão quando volta a soltar depois de um reaperto correto, sem fresta na radiografia. Na revisão de Hsu e colegas (The International Journal of Oral & Maxillofacial Implants, 2012), a sobrecarga oclusal foi apontada como a principal causa das complicações biomecânicas, entre elas a soltura de parafuso. Ela apareceu associada ao bruxismo.
O bruxismo pesa nos números. Na meta-análise de Vidal e colegas (Journal of Prosthodontics, 2025), com 13 estudos, o bruxismo multiplicou por 3,4 a chance de parafuso solto e por 7,1 a de parafuso fraturado.
Antes de reapertar pela terceira vez, revise o esquema oclusal da peça. O guia de ajuste oclusal em coroa sobre implante traz o critério de contato. Em paciente com bruxismo, a revisão de Stilwell indica placa oclusal rígida para a noite, como a placa fresada.
O que informar ao laboratório no conserto?
Fale com o laboratório antes de enviar e descreva o histórico: quando a peça foi instalada, quantas vezes o parafuso soltou, o torque usado e o que a radiografia mostrou. Com isso, a peça chega com a pergunta certa.
Envie ao laboratório:
- A coroa ou o protocolo com a base de titânio e o parafuso, cada um identificado.
- A radiografia com o feixe perpendicular à conexão.
- Fotos dos contatos marcados em mordida leve, firme e em lateralidade.
- Marca, sistema e plataforma do implante e o modelo do componente.
- Se a peça vai ser refeita, um escaneamento novo com scan body, antagonista e mordida.
Trabalhamos com componentes Neodent e Titaniumfix, nacionais. Se a peça saiu daqui, informe o caso no portal: o pedido guarda a marca e a plataforma que você passou. Se o protocolo de resina também tem dente fraturado ou gasto, a troca entra como conserto.
Como funcionam ajuste e repetição, pergunte antes do primeiro caso. O que se previne já no pedido, de scan body a antagonista, está em por que coroas sobre implante voltam. A peça em si está na coroa de zircônia sobre implante.
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Criar conta no portalPerguntas frequentes
Qual torque usar no parafuso da coroa sobre implante?
O da instrução de uso do fabricante do componente, que muda entre parafuso de pilar, de base de titânio e de pilar multiunit. Use torquímetro, não aperto manual. Se você não tem a instrução do componente que veio com a peça, peça ao laboratório a marca e o modelo usados.
Coroa cimentada também tem parafuso que solta?
Tem. Na cimentada, o parafuso que solta é o do pilar, debaixo da coroa, e o conjunto inteiro ganha folga. Para chegar a ele, é preciso abrir um acesso pela coroa ou removê-la, e essa diferença pesa na escolha entre coroa parafusada e cimentada.
O que pôr sobre o parafuso antes de fechar o acesso?
Fita de PTFE (teflon). É inerte e protege a cabeça do parafuso na próxima abertura, segundo a revisão de Stilwell no British Dental Journal (2024). Por cima vai a resina que fecha o acesso, escolhida conforme a previsão de reabrir.
Fontes
- Systematic review of the survival rate and the incidence of biological, technical, and aesthetic complications of single crowns on implants reported in longitudinal studies with a mean follow-up of 5 years · Clinical Oral Implants Research (Jung et al., 2012)
- Mechanism of and factors associated with the loosening of the implant abutment screw: a review · Journal of Esthetic and Restorative Dentistry (Huang e Wang, 2019)
- Relationship between implant preload and screw loosening on implant-supported prostheses · Journal of Oral Implantology (Siamos et al., 2002)
- A radiographic analysis of implant component misfit · The International Journal of Oral & Maxillofacial Implants (Sharkey et al., 2011)
- Opinions regarding reuse or replacement of implant prosthesis retaining screws: a systematic review · The International Journal of Oral & Maxillofacial Implants (Xiao et al., 2017)
- Impact of repeated tightening and loosening on the implant-prosthetic screw joint: a systematic review and meta-analysis · Journal of Dentistry (Shui et al., 2026)
- Relationship between bruxism and different types of mechanical complications in implant-supported prosthesis: a systematic review with meta-analysis · Journal of Prosthodontics (Vidal et al., 2025)
- Occlusal considerations in maintaining health of implants and their restorations · British Dental Journal (Stilwell, 2024)
- Biomechanical implant treatment complications: a systematic review of clinical studies of implants with at least 1 year of functional loading · The International Journal of Oral & Maxillofacial Implants (Hsu et al., 2012)
- Technical complication of a zirconia multiple-unit FDP supported by titanium base abutments: case report on a bonding failure and treatment alternative · The International Journal of Prosthodontics (Pitta et al., 2021)
- Misfit of implant prostheses and its impact on clinical outcomes. Definition, assessment and a systematic review of the literature · European Journal of Oral Implantology (Katsoulis et al., 2017)
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