Guia · Prótese sobre implante
Contato aberto ao lado da coroa sobre implante: o que fazer
Por que o contato proximal abre entre a coroa sobre implante e o dente vizinho com o tempo, com que frequência, como diagnosticar e como fechar.
Resposta curta
O contato proximal que abre ao lado de uma coroa sobre implante é uma complicação comum, sobretudo na mesial: numa meta-análise de 2023, 41% dos contatos estavam abertos, 47% na face mesial. A causa mais citada é que o implante não acompanha a migração dos dentes vizinhos. Teste com fio dental nas revisões e feche o contato quando houver queixa.
Passo a passo
- 01
Teste o contato com fio dental
Passe fio dental fino nos dois contatos da coroa e classifique cada um: firme, fraco ou aberto. Num estudo de Varthis e colegas, o contato foi considerado aberto quando um fio de 0,07 mm passava sem resistência.
- 02
Pergunte por impactação e examine o tecido
Pergunte se a comida prende ali e examine papila, sangramento e profundidade de sondagem dos dois lados do contato. A queixa e o tecido, mais que a fresta, decidem quando intervir.
- 03
Registre a face, a data e a classificação
Anote no prontuário qual face abriu, quando e como estava na revisão anterior, com foto oclusal. Contato que já saiu fraco da instalação e contato que abriu com os anos são problemas diferentes.
- 04
Decida entre acompanhar e fechar
Sem impactação nem inflamação, acompanhar nas revisões é conduta descrita na literatura. Com queixa, o contato pode ser fechado na coroa, no dente vizinho ou com movimentação ortodôntica, e a escolha é sua.
- 05
Se o fechamento for pela coroa, fale antes com o laboratório
A coroa parafusada sai da boca e vai ao laboratório para receber material na face proximal ou ser refeita. Combine antes de remover o que vai junto e o prazo, porque o paciente fica sem a peça nesse intervalo.
- 06
Acompanhe depois de fechar
Teste o contato de novo nas revisões seguintes, porque ele pode reabrir. Em paciente com bruxismo, discuta a placa oclusal; uma contenção removível também é sugerida por autores da área.
Por que o contato abre ao lado da coroa sobre implante?
O contato abre porque os dentes naturais continuam se movendo e o implante, preso ao osso como um dente anquilosado, fica parado. É a explicação de Greenstein e colegas (The Journal of the American Dental Association, 2016): as forças da mastigação movem os dentes, em geral para mesial, e a coroa sobre implante não acompanha.
A causa ainda não está provada. Na revisão de Stilwell (British Dental Journal, 2024), as hipóteses principais são a migração mesial dos dentes e o crescimento facial que continua na vida adulta, sem ligação direta demonstrada com a carga oclusal. Liu e colegas (Journal of Dental Sciences, 2026) somam a posição do implante e o contorno da coroa.
O que se sabe com segurança é quando e onde. O contato abre mais na mesial, aumenta com os anos de uso e pode aparecer cedo: nos cinco estudos reunidos por Greenstein, a fresta surgiu a partir de três meses depois da instalação.
Com que frequência o contato abre?
O contato abre em boa parte das coroas sobre implante ao lado de dente natural, e a proporção cresce com o tempo de uso. As revisões divergem no número porque os estudos medem em tempos e com critérios diferentes, mas todas apontam a face mesial.
| estudo | desenho | resultado | onde mais |
|---|---|---|---|
| Bento et al., J Prosthet Dent, 2023 | meta-análise, 10 estudos | 41% de contatos abertos | mesial (47%) e mandíbula (41%) |
| Sheba et al., J Prosthodont, 2024 | meta-análise, 15 estudos de região posterior | 44,2% na mesial, 27,5% na distal | sem diferença por idade, sexo ou arcada |
| Papageorgiou et al., Clin Oral Implants Res, 2018 | meta-análise, 27 estudos, até 18,5 anos | 46,3% de perda de contato | mesial; cresce com o tempo; evidência de qualidade muito baixa |
| Abduo e Lau, Heliyon, 2022 | revisão qualitativa, 19 estudos | 11–30% antes de 2 anos; 29–83,3% depois de 5 | tempo de uso e face mesial |
| Varthis et al., Int J Oral Maxillofac Implants, 2016 | transversal, 174 coroas unitárias | 52,8% com contato aberto | 78,2% dos abertos na mesial |
Na mesma revisão de Papageorgiou, a coroa sobre implante ficou abaixo do plano dos dentes vizinhos (infraposição) em 50,5% dos casos, com média de 0,58 mm. É o mesmo fenômeno no sentido vertical.
Quais são as causas, e o que fazer em cada uma?
As causas de contato aberto se somam, e o sinal clínico ajuda a separar a migração dos dentes das outras origens. A tabela parte do achado.
| causa | sinal | o que fazer | fonte |
|---|---|---|---|
| Migração dos dentes naturais com o implante parado | contato mesial que abre meses ou anos depois; fio passa sem resistência | acompanhar sem queixa; fechar com impactação ou queixa | Greenstein et al., 2016; Bento et al., 2023 |
| Tempo em função | contato que enfraquece de uma revisão para outra | testar com fio em toda revisão e registrar | Abduo e Lau, 2022; Ko et al., 2024 |
| Crescimento e erupção contínua | degrau vertical entre a coroa e o dente vizinho | acompanhar; na estética, discutir coroa nova | Papageorgiou et al., 2018; Stilwell, 2024 |
| Bruxismo | facetas de desgaste, lascamento | placa oclusal e oclusão revisada | Liu et al., 2026 |
O contato fraco é a fase em que a revisão ainda pega o problema antes da queixa. Ko e colegas (Journal of Dental Sciences, 2024) acompanharam 40 coroas posteriores: aos 12 meses, 22,5% tinham contato mesial fraco e 12,5%, aberto. Aos 24 meses, os fracos eram 12,9% e os abertos, 25,6%, o que sugere que parte dos fracos abriu.
Quando intervir no contato aberto?
Intervenha quando o contato aberto causa impactação, queixa ou inflamação; sem isso, acompanhar é uma conduta aceita. Greenstein e colegas (2016) recomendam monitorar sinais e sintomas e corrigir a fresta quando eles aparecem. Na revisão de Abduo e Lau (Heliyon, 2022), as consequências descritas foram impactação de alimento e insatisfação do paciente.
O dano ao tecido é menos claro. No estudo de Ko (2024), placa, inflamação gengival, profundidade de sondagem e perda óssea não diferiram entre contatos firmes, fracos e abertos em dois anos. Abduo e Lau também acharam associação pouco clara com perda óssea e sangramento.
A queixa existe, mesmo quando o tecido está bem. No estudo de Varthis (2016), 40% dos pacientes com contato aberto percebiam a fresta e a comida presa.
Fechar o contato na coroa ou no dente vizinho?
O contato aberto pode ser fechado de três formas, e a escolha depende do tamanho da fresta, do estado do dente vizinho e do tipo de retenção da coroa. Liu e colegas (Journal of Dental Sciences, 2026) descrevem as opções:
- Resina composta no dente vizinho, para frestas pequenas. É o caminho mais conservador e não mexe na coroa.
- Coroa refeita ou consertada com material na face proximal, como também descrevem Greenstein e colegas (2016), quando a coroa é parafusada e pode sair da boca.
- Movimentação ortodôntica, quando o dente vizinho migrou muito.
Os mesmos autores apontam os limites das soluções preventivas. O contato desenhado com sobrecontorno atrapalha a higiene e aumenta o risco de cárie, e a união da coroa aos vizinhos dificulta o acesso. Stilwell (2024) lembra que o contato pode reabrir depois de fechado.
A coroa parafusada facilita qualquer correção pela coroa, porque sai sem ser cortada. A diferença entre os dois tipos de retenção está no artigo coroa parafusada ou cimentada.
O contato bem ajustado na entrega evita o problema?
Não evita. Abduo e Lau (2022) descrevem a perda de contato como frequente, inevitável e progressiva, e ela é medida justamente em contatos que existiam na entrega. Ajustar bem o contato continua necessário, porque um contato fraco já começa perto de abrir; só não impede a perda ao longo dos anos.
O que se controla no pedido é a captura dos dentes vizinhos e o contato inicial. Isso está no artigo por que coroas sobre implante voltam. Este guia trata do que acontece depois, com a coroa já em função.
O que informar ao laboratório?
Informe qual face abriu, quando, como o contato estava na instalação e o resultado do fio, com fotos e radiografia. Se a correção for pela coroa, mande também um escaneamento novo da arcada: o contato novo é desenhado contra a posição atual do dente vizinho, não contra a do arquivo antigo.
Envie ao laboratório:
- A coroa parafusada com a base de titânio e o parafuso, se ela vai receber material ou servir de referência.
- Escaneamento atual da arcada com o dente vizinho, o antagonista e a mordida.
- Se a coroa vai ser refeita, o escaneamento com scan body e a marca e a plataforma do implante.
- Fotos e a classificação do contato nas revisões anteriores.
- Se há bruxismo e se você vai indicar placa ou contenção.
Conferimos cada caso na chegada e em oito pontos antes de sair. Como funcionam ajuste e repetição, pergunte antes do primeiro caso. A peça está na coroa de zircônia sobre implante, e a proteção noturna, na placa fresada.
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Criar conta no portalPerguntas frequentes
Devo avisar o paciente de que o contato pode abrir?
Os autores das revisões recomendam. Greenstein e colegas (2016) e Abduo e Lau (2022) sugerem informar o paciente da chance de o contato abrir e de a comida prender, e testar o contato em toda revisão. Varthis e colegas (2016) defendem incluir esse risco no consentimento.
Contato aberto ao lado do implante causa perda óssea?
Não há associação clara. Num estudo prospectivo de Ko e colegas (2024), com 40 coroas posteriores acompanhadas por dois anos, placa, inflamação gengival, sondagem e perda óssea não diferiram entre contatos firmes, fracos e abertos. Na revisão de Abduo e Lau (2022), as consequências descritas foram impactação e insatisfação.
Uma contenção ou placa evita que o contato abra?
Não há ensaio que mostre. Varthis e colegas (2016) sugerem uma contenção removível tipo Essix, e Liu e colegas (2026) citam a placa noturna em paciente com bruxismo. São propostas de autores, sem estudo comparativo.
Fontes
- Prevalence of proximal contact loss between implant-supported prostheses and adjacent natural teeth: a systematic review and meta-analysis · The Journal of Prosthetic Dentistry (Bento et al., 2023)
- Interproximal contact loss between implant restorations and adjacent natural teeth: a systematic review and meta-analysis · Journal of Prosthodontics (Sheba et al., 2024)
- Frequency of infraposition and missing contact points in implant-supported restorations within natural dentitions over time: a systematic review with meta-analysis · Clinical Oral Implants Research (Papageorgiou et al., 2018)
- Proximal contact loss between implant prostheses and adjacent natural teeth: a qualitative systematic review of prevalence, influencing factors and implications · Heliyon (Abduo e Lau, 2022)
- Prevalence of interproximal open contacts between single-implant restorations and adjacent teeth · The International Journal of Oral & Maxillofacial Implants (Varthis et al., 2016)
- Open contacts adjacent to dental implant restorations: etiology, incidence, consequences, and correction · The Journal of the American Dental Association (Greenstein et al., 2016)
- A two-year prospective study to compare the peri-implant parameters of posterior implant-supported single crowns with and without mesial proximal contact loss · Journal of Dental Sciences (Ko et al., 2024)
- Open contacts adjacent to posterior dental implants: current understanding and emerging preventive concepts · Journal of Dental Sciences (Liu et al., 2026)
- Occlusal considerations in maintaining health of implants and their restorations · British Dental Journal (Stilwell, 2024)
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