Conteúdo técnico · Prótese sobre implante
Coroa sobre implante: parafusada ou cimentada?
O que as revisões e o consenso do ITI dizem sobre coroa parafusada e cimentada sobre implante, cimento residual, posição do acesso e canal angulado.
Resposta curta
As duas têm sobrevida parecida: 95,6% para a parafusada e 96,0% para a cimentada em cinco anos, na revisão que embasou o consenso do ITI de 2013. A parafusada pode ser removida e não deixa cimento no sulco. A cimentada resolve o acesso que cairia na vestibular. Decidem a posição do acesso e a profundidade da margem.
Parafusada ou cimentada: qual dura mais?
Nenhuma das duas, pelo que a evidência mostra até aqui. A revisão sistemática de Wittneben, Millen e Brägger serviu de base à 5ª Conferência de Consenso do ITI (2013) e reuniu 73 estudos. A sobrevida em cinco anos foi de 96,03% para reconstruções cimentadas e de 95,55% para parafusadas, sem diferença estatística. Separando coroas unitárias e próteses parciais, o resultado se manteve.
O consenso resume assim: dá para ter sobrevida alta com os dois tipos de retenção, e nenhum deles evita falha ou complicação por si só. A diferença aparece no tipo de problema que cada um tende a dar.
Que complicações cada uma tende a ter?
As cimentadas tiveram mais complicações técnicas no total, e as parafusadas, mais lascamento de cerâmica, segundo o consenso do ITI. Do lado biológico, fístula e supuração foram mais frequentes nas cimentadas. Na conclusão da revisão, as parafusadas somaram menos complicações técnicas e biológicas no geral.
Um dado da mesma revisão interessa a quem escolhe material: nas cimentadas, as reconstruções totalmente cerâmicas falharam mais que as metalocerâmicas; nas parafusadas, essa diferença não apareceu.
| critério | parafusada | cimentada |
|---|---|---|
| sobrevida em 5 anos (Wittneben 2014) | 95,55% | 96,03% |
| remoção para manutenção | pelo acesso do parafuso | sem acesso; depende de descimentar |
| cimento no sulco | não há | risco, maior com margem profunda |
| acesso do parafuso | na coroa, onde o eixo do implante apontar | fica no pilar, sob a coroa |
| complicações técnicas (consenso ITI) | mais lascamento de cerâmica | mais complicações técnicas no total |
| complicações biológicas (consenso ITI) | menos fístula e supuração | mais fístula e supuração |
Por que o cimento residual preocupa tanto?
Porque ele aparece com frequência nos implantes que inflamam. Num estudo endoscópico de 2009 no Journal of Periodontology, Wilson encontrou excesso de cimento em 34 de 42 implantes com sinais de doença peri-implantar e em nenhum dos 20 controles saudáveis. Trinta dias depois da remoção do cimento, 74% dos sítios tratados não tinham mais sinais clínicos ou endoscópicos de inflamação.
Um estudo transversal de 2025, na mesma revista, repetiu a endoscopia em 46 pacientes com coroas cimentadas e doença peri-implantar. Havia resíduo de cimento em 80,4% deles, concentrado nas faces vestibular e lingual (88% dos casos). Na peri-implantite, o resíduo estava mais apical do que na mucosite.
A profundidade da margem muda o risco?
Muda, e a radiografia não resolve. Linkevicius e colegas cimentaram 53 coroas unitárias com margens que iam do nível da mucosa até 3 mm abaixo dela (Clinical Oral Implants Research, 2013). Depois da limpeza do excesso, desparafusaram o conjunto para medir o cimento que tinha ficado. Quanto mais profunda a margem, mais cimento esquecido, com diferença significativa entre todos os grupos.
Na mesma amostra, a radiografia mostrou o resíduo na mesial em só 7,5% dos casos e na distal em 11,3%. Nas faces vestibular e lingual, onde o estudo de 2025 achou a maior parte do cimento, a periapical, que é bidimensional, não mostra o perfil da margem.
Quando a cimentada ainda é a escolha certa?
Quando o acesso do parafuso cairia num lugar ruim. O consenso do ITI lista as situações em que recomenda a retenção por cimento. São elas: prótese curta com margem no nível do tecido ou acima dele; estética, quando o acesso atravessaria a face oclusal ou incisal ou o implante está mal posicionado; e quando se quer a face oclusal intacta. O mesmo texto pede que o clínico trate a cimentação sobre implante como um procedimento que exige cautela.
Na prática do desenho, a posição do implante define a conversa. Um implante com eixo voltado para o cíngulo ou para a fossa central aceita coroa parafusada sem prejuízo estético. Um implante vestibularizado joga o acesso para a face visível, e aí a cimentada sobre pilar personalizado, com a margem rasa, entra na discussão.
E o canal de parafuso angulado?
É a terceira via: um componente que permite apertar o parafuso por um acesso inclinado em relação ao eixo do implante. Uma meta-análise de 2025 no Journal of Esthetic and Restorative Dentistry comparou coroas com canal angulado de até 25° e coroas cimentadas em regiões não molares. Foram quatro estudos e 167 coroas, com acompanhamento de 12 a 44 meses. Os resultados clínicos, radiográficos e estéticos foram comparáveis, com menos sangramento à sondagem no grupo do canal angulado.
A evidência ainda é de curto prazo e depende de o sistema do implante ter o componente. Quando existe, ele mantém a reversibilidade da parafusada num caso que antes pediria cimento.
O que escrever no pedido ao laboratório
O tipo de retenção muda o desenho e os componentes, então ele precisa estar no pedido. Informe:
- parafusada (sobre base de titânio) ou cimentada sobre pilar;
- se for cimentada, a altura desejada para a margem do pilar em relação à mucosa;
- marca, modelo e plataforma do implante;
- o escaneamento com scan body bem capturado, ou a moldagem com transfer;
- o que fazer se o acesso sair na vestibular: cimentar sobre pilar, ou usar canal angulado se o sistema tiver.
Na conferência, checamos se o componente do implante está em estoque antes de o caso seguir para o desenho. Se o acesso cair numa face visível, o desenho pode ir para a sua aprovação no portal antes da fresagem. A página de coroa de zircônia sobre implante mostra como a coroa é produzida; para metalocerâmica, veja o coping metalocerâmico sobre implante. Os arquivos estão no guia de envio de caso, e a escolha do material está em zircônia monolítica, multicamada ou Emax.
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Criar conta no portalPerguntas frequentes
Qual tem mais complicação técnica, parafusada ou cimentada?
No consenso do ITI de 2013, as reconstruções cimentadas tiveram mais complicações técnicas no total, e as parafusadas, mais lascamento de cerâmica. A revisão de base concluiu que as parafusadas somaram menos complicações técnicas e biológicas, sem diferença de sobrevida.
A radiografia mostra o excesso de cimento?
Mal. Num estudo clínico de 2013 na Clinical Oral Implants Research, o cimento remanescente apareceu na radiografia em 7,5% dos casos na mesial e 11,3% na distal, embora houvesse resíduo em todos os grupos. Os autores concluem que a radiografia não é confiável para isso.
O canal de parafuso angulado substitui a coroa cimentada?
Em regiões não molares, uma meta-análise de 2025 encontrou resultados clínicos, radiográficos e estéticos comparáveis entre coroas com canal angulado de até 25° e coroas cimentadas, com menos sangramento à sondagem no canal angulado. O acompanhamento dos estudos foi de 12 a 44 meses.
Se eu escolher cimentada, o que muda no pedido?
Informe a altura que você quer para a margem do pilar em relação à mucosa. Estudos clínicos mostram mais cimento esquecido quanto mais profunda a margem, e o ITI recomenda cimentação quando a margem fica no nível do tecido ou acima dele.
Fontes
- Clinical performance of screw- versus cement-retained implant-supported fixed reconstructions (consensus statement) · ITI Academy (5ª Conferência de Consenso, 2013)
- Clinical performance of screw- versus cement-retained fixed implant-supported reconstructions — a systematic review · The International Journal of Oral & Maxillofacial Implants (2014)
- The positive relationship between excess cement and peri-implant disease — a prospective clinical endoscopic study · Journal of Periodontology (2009)
- The influence of the cementation margin position on the amount of undetected cement — a prospective clinical study · Clinical Oral Implants Research (2013)
- Excess cement and peri-implant disease — a cross-sectional clinical endoscopic study · Journal of Periodontology (2025)
- Angled screw channel-retained vs. cement-retained implant crowns in nonmolar sites — a systematic review and meta-analysis · Journal of Esthetic and Restorative Dentistry (2025)
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