Conteúdo técnico · Protocolo
Protocolo: zircônia, barra de titânio ou PMMA?
Zircônia monolítica, zircônia sobre barra de titânio e PMMA no protocolo sobre implantes, com o que as revisões mostram e o que muda no pedido ao laboratório.
Resposta curta
A zircônia monolítica em peça única tem baixa taxa de falha e lasca pouco quando não é estratificada; um texto do ITI recomenda 11 a 14 mm de espaço para ela. Zircônia sobre barra metálica teve menos desgaste e menos peri-implantite que a prótese metal-resina numa meta-análise de 2026. O PMMA fresado é o material do provisório e do protótipo.
Quais são as opções de material para o protocolo?
São três estruturas, que se combinam de quatro jeitos no pedido. A zircônia monolítica em peça única é fresada inteira num disco e parafusada sobre cilindros de titânio. A zircônia sobre barra de titânio fresada põe uma supraestrutura de zircônia sobre uma barra metálica que se liga aos implantes. O PMMA, uma resina acrílica fresada em bloco, aparece como provisório de carga imediata, como protótipo antes da zircônia e, em alguns planejamentos, como prótese de uso prolongado, sozinho ou sobre barra.
A escolha é clínica e depende de espaço protético, antagonista, parafunção e da fase do tratamento. O que segue é o que a literatura mostra para cada opção e o que cada uma pede no pedido ao laboratório.
Quanto dura um protocolo de zircônia?
Os números de curto e médio prazo são bons. Uma revisão sistemática de Bidra e colegas (European Journal of Oral Implantology, 2017) reuniu 285 protocolos de zircônia em 223 pacientes e encontrou falha em 1,4%, por fratura de quatro próteses. Complicações protéticas apareceram em 16,1%, e quase todas (14,7%) eram lascamento da porcelana estratificada. Os autores apontaram a zircônia monolítica, só com maquiagem ou com cerâmica apenas na gengiva, como o caminho promissor.
Uma revisão guarda-chuva de 2026 no Journal of Prosthetic Dentistry, com sete revisões sistemáticas e seguimento de 5 a 15 anos, confirma o padrão. A sobrevida das próteses de arcada total variou de 89,5% a 96,8%. O lascamento chegou a 15% a 35% na zircônia estratificada, a fratura de estrutura ficou abaixo de 5% e o afrouxamento de parafuso, entre 5% e 15%. A zircônia monolítica e as próteses parafusadas tiveram menos complicação técnica.
Quanto espaço o protocolo de zircônia precisa?
De 11 a 14 mm, medidos do tecido mole à oclusal do antagonista, na recomendação de um texto do blog do ITI (Said Sánchez, 2022) para protocolo de zircônia monolítica. O mesmo texto sugere zircônia 3Y, a de maior resistência, com cerâmica de cobertura só nas áreas sem função.
O espaço não é detalhe. Um estudo de 2026 no Journal of Prosthodontics analisou 3.300 protocolos de zircônia 3Y monolítica de um laboratório comercial e chegou a 91,67% de sobrevida em cinco anos. A fratura da estrutura foi a principal causa de falha (38 casos), concentrada nas próteses com espaço vertical insuficiente. Não houve descolamento nem fratura dos cilindros de titânio.
Zircônia sobre barra de titânio vale a pena?
Contra a prótese metal-resina, a evidência favorece a zircônia sobre barra. Uma meta-análise de 2026 no Journal of Clinical and Experimental Dentistry comparou protocolos parafusados de zircônia sobre estrutura metálica com protocolos metal-resina em 12 estudos. A zircônia sobre metal teve menos desgaste protético (RR 0,29) e menos peri-implantite (RR 0,67), com perda óssea marginal também a seu favor. Sobrevida dos implantes, fratura de estrutura, estética e fonética não diferiram.
Os próprios autores ressalvam que a maioria dos estudos tinha risco de viés de moderado a crítico. E a comparação é com metal-resina, não com zircônia monolítica: não encontramos estudo clínico que compare diretamente a zircônia em peça única com a zircônia sobre barra. Entre as duas, a escolha fica com o seu planejamento.
Onde entra o PMMA?
Na fase provisória, principalmente. Num ensaio clínico randomizado cruzado de 2026 no Journal of Prosthodontics, 20 pacientes desdentados usaram por três meses um provisório de PMMA fresado e outro de resina híbrida impressa. O PMMA teve complicação mecânica em 10% dos casos, contra 45% da resina impressa; adaptação passiva e estabilidade de cor foram semelhantes.
O PMMA também serve de protótipo antes da zircônia. O texto do blog do ITI recomenda usar o protótipo fresado por 6 a 8 semanas para testar oclusão e estética antes de fresar a peça definitiva. Como prótese de uso prolongado, o PMMA sobre barra se aproxima da categoria metal-resina da literatura, que na meta-análise de 2026 teve mais desgaste que a zircônia sobre metal.
| material | onde entra | o que a evidência mostra | ponto de atenção |
|---|---|---|---|
| Zircônia monolítica em peça única | prótese definitiva | falha de 1,4% no curto prazo (Bidra 2017); 91,67% em 5 anos em 3.300 casos | 11 a 14 mm de espaço; fratura com espaço vertical insuficiente |
| Zircônia sobre barra de titânio | prótese definitiva | menos desgaste e peri-implantite que metal-resina (meta-análise 2026) | estudos com risco de viés de moderado a crítico |
| PMMA fresado | provisório de carga imediata, protótipo | 10% de complicação mecânica em 3 meses, contra 45% da resina impressa | provisório; o estudo durou 3 meses |
| PMMA sobre barra | uso prolongado | a categoria metal-resina desgastou mais que zircônia sobre metal | evidência indireta, via metal-resina |
O que muda no pedido ao laboratório
Cada material pede informações diferentes, e o pedido precisa dizer qual é o plano. Para qualquer protocolo, informe marca, sistema e plataforma dos implantes e dos componentes protéticos, e mande o escaneamento com scan bodies ou a moldagem com transfers, antagonista e registro de mordida.
Para zircônia, diga o espaço interoclusal medido e o material do antagonista; se houver protótipo de PMMA aprovado na boca, ele é a referência do desenho. Para zircônia sobre barra, confirme que quer a barra fresada e se o desenho da supraestrutura segue o protótipo. Para carga imediata em PMMA, mande o guia cirúrgico usado, quando o caso foi guiado, e combine o prazo na abertura do caso.
Na conferência, checamos se os componentes de implante estão em estoque e se a aprovação do desenho está registrada quando o caso a exige. As páginas de protocolo de zircônia, zircônia sobre barra de titânio, protocolo de PMMA e carga imediata mostram como cada um é produzido, e o guia de envio de caso lista os arquivos.
Serviços relacionados
- Protocolo de zircônia
- Protocolo de zircônia sobre barra de titânio
- Barra de titânio fresada
- Protocolo de PMMA
- Carga imediata
Perguntas frequentes
Quanto espaço preciso para um protocolo de zircônia?
Um texto do blog do ITI (2022) recomenda de 11 a 14 mm entre o tecido mole e a oclusal do antagonista. Numa série de 3.300 protocolos de zircônia monolítica publicada em 2026, a fratura da estrutura foi a principal causa de falha, sobretudo quando faltava espaço vertical.
O protocolo de zircônia lasca?
A zircônia monolítica quase não lasca; o problema é a cerâmica de cobertura. Numa revisão de 2017, 14,7% dos protocolos de zircônia tiveram fratura da porcelana estratificada. Uma revisão guarda-chuva de 2026 encontrou lascamento de 15% a 35% na zircônia estratificada e menos complicação técnica na monolítica.
No provisório de carga imediata, PMMA fresado ou resina impressa?
Num ensaio clínico cruzado de 2026 no Journal of Prosthodontics, com 20 pacientes, o PMMA fresado teve complicação mecânica em 10% dos casos em três meses, contra 45% da resina híbrida impressa. Adaptação passiva e estabilidade de cor foram semelhantes.
A barra de titânio evita a fratura da zircônia?
Não há comparação clínica direta entre zircônia monolítica e zircônia sobre barra que responda a isso. Na meta-análise de 2026 que comparou zircônia sobre barra metálica com prótese metal-resina, a fratura de estrutura não diferiu entre os grupos.
Fontes
- Clinical outcomes of full arch fixed implant-supported zirconia prostheses — a systematic review · European Journal of Oral Implantology (2017)
- Prosthetic complications of implant-supported complete arch prostheses — an umbrella review of systematic reviews · The Journal of Prosthetic Dentistry (2026)
- Five-year survival and failure patterns of complete arch fixed implant-supported monolithic zirconia prostheses — a retrospective analysis of 3300 laboratory cases · Journal of Prosthodontics (2026)
- Prosthetic and biological complications of metal-zirconia versus metal-acrylic implant-supported screw-retained complete-arch prostheses — a systematic review and meta-analysis · Journal of Clinical and Experimental Dentistry (2026)
- Randomized comparative crossover clinical study of CAD-CAM milled and 3D-printed complete-arch implant-supported interim restorations · Journal of Prosthodontics (2026)
- 10 considerations on the use of monolithic zirconia for one-piece implant-supported fixed complete dental prostheses · ITI Blog (2022)
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