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Protocolo com ou sem gengiva: quando usar gengiva artificial
Quando o protocolo sobre implante precisa de gengiva artificial, quando dá para fazer só os dentes, o que muda no desenho e como pedir ao laboratório.
Resposta curta
O protocolo com gengiva artificial repõe os dentes e o volume perdido de osso e gengiva; sem gengiva, repõe só os dentes, que saem da mucosa. Para a maxila, o consenso global de 2026 prefere a prótese só de dentes, ou com pouca gengiva, quando a linha do sorriso e o rebordo permitem, para evitar redução óssea extensa.
O que é protocolo com gengiva e protocolo sem gengiva?
O protocolo com gengiva artificial é a prótese fixa de arcada total que repõe os dentes e uma faixa de gengiva em material rosa, no lugar do osso e da mucosa que se perderam na vertical. O protocolo sem gengiva repõe só os dentes, que emergem da mucosa do paciente como numa ponte sobre implantes. Entre os dois há a prótese com dentes um pouco mais longos ou pouca gengiva.
O primeiro consenso global sobre a maxila desdentada (Schwarz e colaboradores, Clinical Oral Implants Research, 2026) chama a prótese só de dentes de FP1 e a de pouca gengiva de FP2 raso. A prótese com dentes e gengiva aparece como FP3 em estudos como o de Papaspyridakos e colaboradores (Journal of Prosthodontics, 2025). Em português, a versão com gengiva também é chamada de prótese dentogengival.
Quando o protocolo precisa de gengiva artificial?
O protocolo precisa de gengiva artificial quando a perda vertical de osso e mucosa deixaria os dentes longos demais, quando o lábio perdeu apoio ou quando o sorriso mostra a região onde a prótese encontra o rebordo. O consenso global de 2026 lista o que avaliar: suporte facial e do lábio, linha do sorriso, espaço protético na vertical, relação entre as arcadas e forma do rebordo.
A gengiva artificial devolve volume, mas tem limite. O protocolo é desenhado sem flange, para não impedir a limpeza e o acompanhamento, e por isso não leva flange vestibular para o lábio nem extensão no palato para a fala. É o que registra o relatório do grupo 4 do mesmo consenso (Stilwell e colaboradores, 2026). Wendt-Aquino e Sheridan (Journal of Prosthodontics, 2025) puseram um flange removível em 20 pacientes com protocolo superior, e a projeção e a espessura do lábio mudaram.
Quando o rebordo não dá volume para apoiar o lábio, 64,5% dos especialistas consultados pelo consenso indicam a overdenture, que pode ter flange. Na decisão abaixo, cada linha é um ponto de partida para o planejamento; a escolha é sua, com o paciente.
| situação clínica | caminho mais citado | fonte |
|---|---|---|
| Linha do sorriso que não mostra o rebordo e volume ósseo preservado | prótese só de dentes ou com pouca gengiva, sem redução óssea extensa | Schwarz et al. (2026) |
| Perda vertical grande, com dentes que ficariam longos | gengiva artificial no lugar da cirurgia de reconstrução | Papaspyridakos et al. (2018) |
| Espaço protético abaixo de 11 mm, no protocolo de zircônia | prótese sem gengiva, aumento da dimensão vertical quando indicado ou redução óssea | Said Sánchez (2022) |
| Lábio que precisa de flange para ter apoio | overdenture, que admite flange; o protocolo não admite | Stilwell et al. (2026) |
| Sorriso alto, com a gengiva artificial à mostra | gengiva com a cor escolhida contra a gengiva natural | Papaspyridakos et al. (2018) |
Quando dá para fazer o protocolo sem gengiva?
O protocolo sem gengiva é possível quando a linha do sorriso e o volume do rebordo permitem que os dentes saiam da mucosa com proporção natural. Nessa situação, o consenso global de 2026 prefere a prótese só de dentes, ou com pouca gengiva, porque ela evita a redução óssea extensa e mantém o perfil de osso e tecido mole do paciente.
O espaço também empurra para o desenho sem gengiva. Para o protocolo de zircônia monolítica, um texto do blog do ITI (Said Sánchez, 2022) recomenda de 11 a 14 mm do rebordo à oclusal do antagonista. Abaixo de 11 mm, ele lista a prótese sem gengiva rosa entre os caminhos.
A decisão vem antes da cirurgia. O consenso recomenda definir a posição dos dentes, a linha do sorriso e o suporte do lábio num enceramento, numa montagem ou num planejamento digital antes de qualquer intervenção. É dessa montagem que parte o planejamento dos implantes.
Como testar a gengiva artificial antes da peça definitiva?
A gengiva artificial se testa no provisório: o consenso global de 2026 recomenda usar uma prótese provisória em resina, em geral parafusada, por um período de teste. Nela, você e o paciente avaliam a linha do sorriso, o suporte do lábio, a fala, a oclusão e o acesso à higiene, e os ajustes passam para a peça final.
O provisório ajustado vira o arquivo de referência do desenho. A sequência de escaneamento dele, na boca e fora dela, está no guia de escaneamento de arcada total. Quando o problema é a fala, os estudos apontam o volume palatino; o que ajustar está em fala com protocolo superior.
O que muda no desenho e na higiene?
Com gengiva artificial, a prótese ganha uma base que fica sobre o rebordo, e é essa face que decide a higiene. O consenso global de 2026 pede que as faces em contato com o tecido sejam desenhadas para o paciente conseguir limpar embaixo e em volta da prótese. O texto do ITI (Said Sánchez, 2022) descreve a face interna plana ou convexa.
Sem gengiva, cada dente emerge da mucosa, e o que pesa é o espaço entre os dentes junto aos pilares, por onde a escova interdental passa. Nos dois desenhos, a falta de acesso à escova é o que os estudos ligam à peri-implantite; o que mudar na base está no guia protocolo que acumula comida.
A gengiva não mudou a resistência no maior estudo que separou os dois tipos. Em 115 protocolos de zircônia monolítica, Papaspyridakos e colaboradores (2025) não acharam relação entre complicação e tipo de prótese, só dentes ou dentes e gengiva. As duas fraturas foram na linha média, uma em cada tipo. Os fatores que pesam na duração estão em quanto dura um protocolo de zircônia.
De que material é a gengiva artificial?
A gengiva artificial do protocolo pode ser a própria zircônia maquiada, cerâmica rosa aplicada sobre a zircônia ou o metal, resina composta rosa ou a resina acrílica ou PMMA da prótese de resina. Cada uma muda a cor, o reparo e o risco de lascar, e a comparação abaixo usa só estudos publicados.
| material da gengiva | onde entra | o que os estudos mostram | ponto de atenção | fonte |
|---|---|---|---|---|
| Zircônia maquiada | protocolo de zircônia monolítica | o desenho monolítico teve complicação técnica de 1% a 3%, contra até 27% com cobertura | a cor vem da infiltração ou da maquiagem, sem camada por cima | Matos et al. (2026); Said Sánchez (2022) |
| Cerâmica rosa sobre a zircônia | zircônia com cerâmica só na gengiva | 3.300 protocolos com 91,67% de sobrevida em cinco anos; 4 lascamentos, sobretudo inferiores com camada excessiva | a cor da cerâmica é difícil de acertar no sorriso alto | Alshahrani et al. (2026); Papaspyridakos et al. (2018) |
| Resina composta rosa | sobre zircônia ou metal | in vitro, mudou mais de cor que a cerâmica rosa com fumaça de cigarro | estudo de laboratório, com corpos de prova | Erdogan et al. (2025) |
| Resina acrílica ou PMMA rosa | protocolo de resina ou PMMA, com ou sem barra | titânio com resina teve 7,11 vezes o risco de fratura da cobertura da metalocerâmica, em até 17 anos | a cobertura de resina fratura mais com o tempo | Pelser et al. (2026) |
O artigo da pesquisa com especialistas do consenso de 2026 (Lin e colaboradores) cita resultados de médio prazo promissores para a zircônia monolítica com cerâmica rosa na gengiva, com menos placa que a prótese de resina sobre metal. A estrutura por baixo de cada opção está no artigo protocolo em zircônia, titânio ou PMMA.
Como pedir protocolo com ou sem gengiva ao laboratório?
O pedido do protocolo com ou sem gengiva precisa mostrar ao laboratório o que o arquivo não mostra: até onde o lábio sobe no sorriso, quanto espaço há na vertical e que cor a gengiva deve ter. Sem a foto do sorriso, o desenho não sabe se o ponto onde a gengiva artificial encontra a mucosa vai aparecer. A revisão de Bidra (Journal of Esthetic and Restorative Dentistry, 2011) põe linha do sorriso, suporte do lábio e exposição de gengiva entre os parâmetros do planejamento estético da maxila desdentada.
| o que enviar | por quê |
|---|---|
| Foto do sorriso amplo, do lábio em repouso e de perfil | mostra a linha do sorriso, a gengiva à mostra e o suporte do lábio |
| Cor dos dentes na escala e cor da gengiva, com foto ao lado | a cor da gengiva artificial é escolhida contra a gengiva natural |
| Espaço protético medido, do rebordo à oclusal do antagonista | decide se cabe gengiva e de que espessura |
| Provisório aprovado, escaneado na boca e fora dela | traz o volume, o suporte do lábio e a fala que já foram testados |
| A sua decisão: só dentes, pouca gengiva ou dentes e gengiva, e o material dela | o desenho parte dela, e não do arquivo |
| Registro de mordida na dimensão vertical definida | a altura de dentes e gengiva depende dela |
Se você quer ver o desenho antes da fresagem, diga no pedido: o caso para na fase Aprovação e só segue depois da sua resposta.
O Smile Digital Lab é um laboratório digital de próteses para reabilitação oral em São Paulo. No protocolo de zircônia que fazemos, em peça única ou sobre barra de titânio, dentes e gengiva recebem maquiagem. Cerâmica ou resina rosa na gengiva, e a gengiva do protocolo de PMMA, são combinadas na abertura do caso.
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Criar conta no portalPerguntas frequentes
Protocolo de zircônia sem gengiva é mais resistente?
Os dados não mostram isso. Papaspyridakos e colaboradores (2025) seguiram 115 protocolos de zircônia monolítica por até seis anos e não acharam relação entre as complicações e o tipo de prótese, só dentes ou dentes e gengiva. As duas fraturas foram na linha média, uma em cada tipo.
Protocolo sem gengiva acumula menos comida?
Não encontramos estudo que compare o acúmulo entre os dois desenhos. O consenso global de 2026 pede que as faces em contato com o tecido sejam desenhadas para o paciente conseguir limpar, com ou sem gengiva. Formato da base e passagem da escova pesam mais que a cor rosa.
A gengiva artificial dá suporte ao lábio?
Em parte. O protocolo é desenhado sem flange vestibular, que impediria a limpeza, segundo o relatório do grupo 4 do consenso global de 2026. Quando falta volume de rebordo para apoiar o lábio, 64,5% dos especialistas consultados usam a overdenture, que admite flange.
Que material de gengiva mancha menos?
Num estudo in vitro de Erdogan e colaboradores (2025), a cerâmica rosa mudou menos de cor que a resina composta rosa depois da fumaça de cigarro: ΔE*ab de 7,4 contra 9,7. As duas ficaram mais rugosas com o cigarro convencional. Os dois materiais mudaram de cor, e o fumo pesa na escolha.
Fontes
- First Global Consensus for Clinical Guidelines: Structured Recommendations (S2k-Level Guideline Framework) for the Rehabilitation of the Edentulous Maxilla Based on Core Outcome Sets · Clinical Oral Implants Research (Schwarz et al., 2026)
- Consensus Report of Group 4 of the 1st Global Consensus for Clinical Guidelines for the Rehabilitation of the Edentulous Maxilla: Conventional Dentures, Implant Overdentures and Implant-Supported Fixed Dental Prostheses · Clinical Oral Implants Research (Stilwell et al., 2026)
- 1st Global Consensus for Clinical Guidelines for the Rehabilitation of the Edentulous Maxilla: Single-Round Survey on Implant-Supported Fixed and Removable Prostheses · Clinical Oral Implants Research (Lin et al., 2026)
- Changes in facial soft tissue support with and without a maxillary labial flange · Journal of Prosthodontics (Wendt-Aquino e Sheridan, 2025)
- 10 considerations on the use of monolithic zirconia for one-piece implant-supported fixed complete dental prostheses · ITI Blog (Said Sánchez, 2022)
- Zirconia full-arch implant prostheses: Survival, complications, and prosthetic space dimensions with 115 edentulous jaws · Journal of Prosthodontics (Papaspyridakos et al., 2025)
- Technique to Match Gingival Shade when Using Pink Ceramics for Anterior Fixed Implant Prostheses · Journal of Prosthodontics (Papaspyridakos et al., 2018)
- Five-year survival and failure patterns of complete arch fixed implant-supported monolithic zirconia prostheses: A retrospective analysis of 3300 laboratory cases · Journal of Prosthodontics (Alshahrani et al., 2026)
- Are monolithic zirconia complete arch implant-supported prostheses reliable? A systematic review and meta-analysis · The Journal of Prosthetic Dentistry (Matos et al., 2026)
- Comparative effects of conventional and electronic cigarettes on discoloration and surface roughness of gingiva-colored dental materials · Journal of Prosthodontics (Erdogan et al., 2025)
- Technical and biological complications of implant-supported fixed complete dentures: a retrospective cohort study with up to 17 years of follow-up · International Journal of Implant Dentistry (Pelser et al., 2026)
- Three-dimensional esthetic analysis in treatment planning for implant-supported fixed prosthesis in the edentulous maxilla: review of the esthetics literature · Journal of Esthetic and Restorative Dentistry (Bidra, 2011)
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