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Conteúdo técnico · Protocolo

Protocolo com ou sem gengiva: quando usar gengiva artificial

Quando o protocolo sobre implante precisa de gengiva artificial, quando dá para fazer só os dentes, o que muda no desenho e como pedir ao laboratório.

Por Equipe técnica Smile Digital LabPublicado em 7 min de leitura

Resposta curta

O protocolo com gengiva artificial repõe os dentes e o volume perdido de osso e gengiva; sem gengiva, repõe só os dentes, que saem da mucosa. Para a maxila, o consenso global de 2026 prefere a prótese só de dentes, ou com pouca gengiva, quando a linha do sorriso e o rebordo permitem, para evitar redução óssea extensa.

O que é protocolo com gengiva e protocolo sem gengiva?

O protocolo com gengiva artificial é a prótese fixa de arcada total que repõe os dentes e uma faixa de gengiva em material rosa, no lugar do osso e da mucosa que se perderam na vertical. O protocolo sem gengiva repõe só os dentes, que emergem da mucosa do paciente como numa ponte sobre implantes. Entre os dois há a prótese com dentes um pouco mais longos ou pouca gengiva.

O primeiro consenso global sobre a maxila desdentada (Schwarz e colaboradores, Clinical Oral Implants Research, 2026) chama a prótese só de dentes de FP1 e a de pouca gengiva de FP2 raso. A prótese com dentes e gengiva aparece como FP3 em estudos como o de Papaspyridakos e colaboradores (Journal of Prosthodontics, 2025). Em português, a versão com gengiva também é chamada de prótese dentogengival.

Quando o protocolo precisa de gengiva artificial?

O protocolo precisa de gengiva artificial quando a perda vertical de osso e mucosa deixaria os dentes longos demais, quando o lábio perdeu apoio ou quando o sorriso mostra a região onde a prótese encontra o rebordo. O consenso global de 2026 lista o que avaliar: suporte facial e do lábio, linha do sorriso, espaço protético na vertical, relação entre as arcadas e forma do rebordo.

A gengiva artificial devolve volume, mas tem limite. O protocolo é desenhado sem flange, para não impedir a limpeza e o acompanhamento, e por isso não leva flange vestibular para o lábio nem extensão no palato para a fala. É o que registra o relatório do grupo 4 do mesmo consenso (Stilwell e colaboradores, 2026). Wendt-Aquino e Sheridan (Journal of Prosthodontics, 2025) puseram um flange removível em 20 pacientes com protocolo superior, e a projeção e a espessura do lábio mudaram.

Quando o rebordo não dá volume para apoiar o lábio, 64,5% dos especialistas consultados pelo consenso indicam a overdenture, que pode ter flange. Na decisão abaixo, cada linha é um ponto de partida para o planejamento; a escolha é sua, com o paciente.

situação clínicacaminho mais citadofonte
Linha do sorriso que não mostra o rebordo e volume ósseo preservadoprótese só de dentes ou com pouca gengiva, sem redução óssea extensaSchwarz et al. (2026)
Perda vertical grande, com dentes que ficariam longosgengiva artificial no lugar da cirurgia de reconstruçãoPapaspyridakos et al. (2018)
Espaço protético abaixo de 11 mm, no protocolo de zircôniaprótese sem gengiva, aumento da dimensão vertical quando indicado ou redução ósseaSaid Sánchez (2022)
Lábio que precisa de flange para ter apoiooverdenture, que admite flange; o protocolo não admiteStilwell et al. (2026)
Sorriso alto, com a gengiva artificial à mostragengiva com a cor escolhida contra a gengiva naturalPapaspyridakos et al. (2018)

Quando dá para fazer o protocolo sem gengiva?

O protocolo sem gengiva é possível quando a linha do sorriso e o volume do rebordo permitem que os dentes saiam da mucosa com proporção natural. Nessa situação, o consenso global de 2026 prefere a prótese só de dentes, ou com pouca gengiva, porque ela evita a redução óssea extensa e mantém o perfil de osso e tecido mole do paciente.

O espaço também empurra para o desenho sem gengiva. Para o protocolo de zircônia monolítica, um texto do blog do ITI (Said Sánchez, 2022) recomenda de 11 a 14 mm do rebordo à oclusal do antagonista. Abaixo de 11 mm, ele lista a prótese sem gengiva rosa entre os caminhos.

A decisão vem antes da cirurgia. O consenso recomenda definir a posição dos dentes, a linha do sorriso e o suporte do lábio num enceramento, numa montagem ou num planejamento digital antes de qualquer intervenção. É dessa montagem que parte o planejamento dos implantes.

Como testar a gengiva artificial antes da peça definitiva?

A gengiva artificial se testa no provisório: o consenso global de 2026 recomenda usar uma prótese provisória em resina, em geral parafusada, por um período de teste. Nela, você e o paciente avaliam a linha do sorriso, o suporte do lábio, a fala, a oclusão e o acesso à higiene, e os ajustes passam para a peça final.

O provisório ajustado vira o arquivo de referência do desenho. A sequência de escaneamento dele, na boca e fora dela, está no guia de escaneamento de arcada total. Quando o problema é a fala, os estudos apontam o volume palatino; o que ajustar está em fala com protocolo superior.

O que muda no desenho e na higiene?

Com gengiva artificial, a prótese ganha uma base que fica sobre o rebordo, e é essa face que decide a higiene. O consenso global de 2026 pede que as faces em contato com o tecido sejam desenhadas para o paciente conseguir limpar embaixo e em volta da prótese. O texto do ITI (Said Sánchez, 2022) descreve a face interna plana ou convexa.

Sem gengiva, cada dente emerge da mucosa, e o que pesa é o espaço entre os dentes junto aos pilares, por onde a escova interdental passa. Nos dois desenhos, a falta de acesso à escova é o que os estudos ligam à peri-implantite; o que mudar na base está no guia protocolo que acumula comida.

A gengiva não mudou a resistência no maior estudo que separou os dois tipos. Em 115 protocolos de zircônia monolítica, Papaspyridakos e colaboradores (2025) não acharam relação entre complicação e tipo de prótese, só dentes ou dentes e gengiva. As duas fraturas foram na linha média, uma em cada tipo. Os fatores que pesam na duração estão em quanto dura um protocolo de zircônia.

De que material é a gengiva artificial?

A gengiva artificial do protocolo pode ser a própria zircônia maquiada, cerâmica rosa aplicada sobre a zircônia ou o metal, resina composta rosa ou a resina acrílica ou PMMA da prótese de resina. Cada uma muda a cor, o reparo e o risco de lascar, e a comparação abaixo usa só estudos publicados.

material da gengivaonde entrao que os estudos mostramponto de atençãofonte
Zircônia maquiadaprotocolo de zircônia monolíticao desenho monolítico teve complicação técnica de 1% a 3%, contra até 27% com coberturaa cor vem da infiltração ou da maquiagem, sem camada por cimaMatos et al. (2026); Said Sánchez (2022)
Cerâmica rosa sobre a zircôniazircônia com cerâmica só na gengiva3.300 protocolos com 91,67% de sobrevida em cinco anos; 4 lascamentos, sobretudo inferiores com camada excessivaa cor da cerâmica é difícil de acertar no sorriso altoAlshahrani et al. (2026); Papaspyridakos et al. (2018)
Resina composta rosasobre zircônia ou metalin vitro, mudou mais de cor que a cerâmica rosa com fumaça de cigarroestudo de laboratório, com corpos de provaErdogan et al. (2025)
Resina acrílica ou PMMA rosaprotocolo de resina ou PMMA, com ou sem barratitânio com resina teve 7,11 vezes o risco de fratura da cobertura da metalocerâmica, em até 17 anosa cobertura de resina fratura mais com o tempoPelser et al. (2026)

O artigo da pesquisa com especialistas do consenso de 2026 (Lin e colaboradores) cita resultados de médio prazo promissores para a zircônia monolítica com cerâmica rosa na gengiva, com menos placa que a prótese de resina sobre metal. A estrutura por baixo de cada opção está no artigo protocolo em zircônia, titânio ou PMMA.

Como pedir protocolo com ou sem gengiva ao laboratório?

O pedido do protocolo com ou sem gengiva precisa mostrar ao laboratório o que o arquivo não mostra: até onde o lábio sobe no sorriso, quanto espaço há na vertical e que cor a gengiva deve ter. Sem a foto do sorriso, o desenho não sabe se o ponto onde a gengiva artificial encontra a mucosa vai aparecer. A revisão de Bidra (Journal of Esthetic and Restorative Dentistry, 2011) põe linha do sorriso, suporte do lábio e exposição de gengiva entre os parâmetros do planejamento estético da maxila desdentada.

o que enviarpor quê
Foto do sorriso amplo, do lábio em repouso e de perfilmostra a linha do sorriso, a gengiva à mostra e o suporte do lábio
Cor dos dentes na escala e cor da gengiva, com foto ao ladoa cor da gengiva artificial é escolhida contra a gengiva natural
Espaço protético medido, do rebordo à oclusal do antagonistadecide se cabe gengiva e de que espessura
Provisório aprovado, escaneado na boca e fora delatraz o volume, o suporte do lábio e a fala que já foram testados
A sua decisão: só dentes, pouca gengiva ou dentes e gengiva, e o material delao desenho parte dela, e não do arquivo
Registro de mordida na dimensão vertical definidaa altura de dentes e gengiva depende dela

Se você quer ver o desenho antes da fresagem, diga no pedido: o caso para na fase Aprovação e só segue depois da sua resposta.

O Smile Digital Lab é um laboratório digital de próteses para reabilitação oral em São Paulo. No protocolo de zircônia que fazemos, em peça única ou sobre barra de titânio, dentes e gengiva recebem maquiagem. Cerâmica ou resina rosa na gengiva, e a gengiva do protocolo de PMMA, são combinadas na abertura do caso.

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Perguntas frequentes

Protocolo de zircônia sem gengiva é mais resistente?

Os dados não mostram isso. Papaspyridakos e colaboradores (2025) seguiram 115 protocolos de zircônia monolítica por até seis anos e não acharam relação entre as complicações e o tipo de prótese, só dentes ou dentes e gengiva. As duas fraturas foram na linha média, uma em cada tipo.

Protocolo sem gengiva acumula menos comida?

Não encontramos estudo que compare o acúmulo entre os dois desenhos. O consenso global de 2026 pede que as faces em contato com o tecido sejam desenhadas para o paciente conseguir limpar, com ou sem gengiva. Formato da base e passagem da escova pesam mais que a cor rosa.

A gengiva artificial dá suporte ao lábio?

Em parte. O protocolo é desenhado sem flange vestibular, que impediria a limpeza, segundo o relatório do grupo 4 do consenso global de 2026. Quando falta volume de rebordo para apoiar o lábio, 64,5% dos especialistas consultados usam a overdenture, que admite flange.

Que material de gengiva mancha menos?

Num estudo in vitro de Erdogan e colaboradores (2025), a cerâmica rosa mudou menos de cor que a resina composta rosa depois da fumaça de cigarro: ΔE*ab de 7,4 contra 9,7. As duas ficaram mais rugosas com o cigarro convencional. Os dois materiais mudaram de cor, e o fumo pesa na escolha.

Fontes

  1. First Global Consensus for Clinical Guidelines: Structured Recommendations (S2k-Level Guideline Framework) for the Rehabilitation of the Edentulous Maxilla Based on Core Outcome Sets · Clinical Oral Implants Research (Schwarz et al., 2026)
  2. Consensus Report of Group 4 of the 1st Global Consensus for Clinical Guidelines for the Rehabilitation of the Edentulous Maxilla: Conventional Dentures, Implant Overdentures and Implant-Supported Fixed Dental Prostheses · Clinical Oral Implants Research (Stilwell et al., 2026)
  3. 1st Global Consensus for Clinical Guidelines for the Rehabilitation of the Edentulous Maxilla: Single-Round Survey on Implant-Supported Fixed and Removable Prostheses · Clinical Oral Implants Research (Lin et al., 2026)
  4. Changes in facial soft tissue support with and without a maxillary labial flange · Journal of Prosthodontics (Wendt-Aquino e Sheridan, 2025)
  5. 10 considerations on the use of monolithic zirconia for one-piece implant-supported fixed complete dental prostheses · ITI Blog (Said Sánchez, 2022)
  6. Zirconia full-arch implant prostheses: Survival, complications, and prosthetic space dimensions with 115 edentulous jaws · Journal of Prosthodontics (Papaspyridakos et al., 2025)
  7. Technique to Match Gingival Shade when Using Pink Ceramics for Anterior Fixed Implant Prostheses · Journal of Prosthodontics (Papaspyridakos et al., 2018)
  8. Five-year survival and failure patterns of complete arch fixed implant-supported monolithic zirconia prostheses: A retrospective analysis of 3300 laboratory cases · Journal of Prosthodontics (Alshahrani et al., 2026)
  9. Are monolithic zirconia complete arch implant-supported prostheses reliable? A systematic review and meta-analysis · The Journal of Prosthetic Dentistry (Matos et al., 2026)
  10. Comparative effects of conventional and electronic cigarettes on discoloration and surface roughness of gingiva-colored dental materials · Journal of Prosthodontics (Erdogan et al., 2025)
  11. Technical and biological complications of implant-supported fixed complete dentures: a retrospective cohort study with up to 17 years of follow-up · International Journal of Implant Dentistry (Pelser et al., 2026)
  12. Three-dimensional esthetic analysis in treatment planning for implant-supported fixed prosthesis in the edentulous maxilla: review of the esthetics literature · Journal of Esthetic and Restorative Dentistry (Bidra, 2011)

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