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Guia · Protocolo

Protocolo que acumula comida: higiene e desenho da base

Por que a comida para sob o protocolo, como reconhecer a base que não deixa higienizar e o que pedir ao laboratório: base plana ou convexa, polida, com acesso.

Por Equipe técnica Smile Digital LabAtualizado em 4 min de leitura

Resposta curta

O protocolo acumula comida quando a base, a face que fica sobre o rebordo, é côncava ou em sela, ou quando a escova não passa entre a prótese e os pilares. Do lado da prótese, o que ajuda é base plana ou convexa, polida, com acesso de higiene em cada pilar, testada no provisório antes da peça definitiva.

Passo a passo

  1. 01

    Remova a prótese e localize o acúmulo

    Com a prótese fora, veja onde fica o resíduo: na base sobre o rebordo, junto aos pilares ou sob os extremos em cantiléver. Fotografe a base e o rebordo; as fotos ajudam a explicar o problema no pedido.

  2. 02

    Examine a mucosa sem a prótese

    Sonde os pilares com a prótese removida e anote sangramento, supuração e tecido hiperplásico sob a base. Sem a prótese, a sonda chega mais fundo e o diagnóstico fica mais preciso.

  3. 03

    Teste o acesso em cada pilar

    Recoloque a prótese e passe a escova interdental ou o fio sob a base, pilar por pilar. Onde o instrumento não passa no consultório, a limpeza em casa também não chega.

  4. 04

    Leia o formato da base

    Base côncava, em sela sobre o rebordo, ou com degrau na transição para a gengiva retém mais. Base plana ou convexa e polida deixa a escova deslizar.

  5. 05

    Corrija no provisório antes de refazer

    No PMMA, a base pode ser recontornada, polida e testada por algumas semanas. Na zircônia, não faça ajuste grande na boca: teste o contorno novo em PMMA primeiro.

  6. 06

    Mande ao laboratório o que mudou

    Para a peça nova, escaneie o rebordo atual sem a prótese, os scan bodies e a prótese ajustada, na boca e fora dela. Escreva no pedido onde a comida parava e que base você quer.

Por que a comida para embaixo do protocolo?

A comida para embaixo do protocolo quando a base da prótese forma um nicho sobre o rebordo que a língua e a escova não alcançam. Num estudo in vitro de Jia e Yang (The Journal of Prosthetic Dentistry, 2024), 68 próteses de arcada total receberam bases em sela, planas, festonadas ou ovoides. A base em sela reteve mais biofilme que as outras três, mesmo depois do fio dental.

No mesmo estudo, a área de biofilme cresceu com a altura transmucosa. As próteses eram sobre implante subperiosteal, num modelo de laboratório, mas o princípio vale para a base de qualquer protocolo: quanto mais fundo e côncavo o nicho, menos a limpeza alcança.

Na maxila, a posição dos implantes também pesa. Numa revisão narrativa sobre protocolo superior, Block (Journal of Oral and Maxillofacial Surgery, 2023) aponta a dificuldade de higiene diária entre os fatores de complicação biológica. Ele pede implantes posicionados para que a prótese dê acesso a todos eles na manutenção.

A falta de acesso à higiene aumenta o risco de peri-implantite?

A falta de acesso à higiene aparece ligada a mais peri-implantite. Serino e Ström (Clinical Oral Implants Research, 2009) examinaram 23 pacientes parcialmente desdentados encaminhados para tratar peri-implantite. Dos implantes sem acesso adequado à higiene, 65% tinham peri-implantite; entre os que tinham acesso, 82% estavam livres da doença.

O grupo 3 da 6ª Conferência de Consenso da EAO (Clinical Oral Implants Research, 2021) foi na mesma direção: sobrecontorno da prótese e acesso restrito à higiene aumentam o risco de peri-implantite. O acúmulo de comida em si não foi medido como causa; o que os estudos medem é o acesso.

Como deve ser a base de um protocolo fácil de higienizar?

A base de um protocolo fácil de higienizar é plana ou convexa, polida e deixa a escova interdental passar sob a prótese junto de cada pilar. O texto do blog do ITI sobre protocolo de zircônia monolítica (Said Sánchez, 2022) pede a face interna plana ou convexa, desenhada para a higiene. A rotina de limpeza se testa no protótipo de PMMA, antes da zircônia.

Na maxila, a base também participa da fala e do suporte do lábio, e o espaço sob ela é um compromisso entre higiene e estética que se resolve com o paciente na cadeira. O guia fala com protocolo superior mostra o que o único ensaio sobre espaço aberto ou fechado encontrou.

Que sinais apontam a causa, e o que fazer?

As causas abaixo vêm de estudos sobre a base da prótese, o acesso de higiene e a manutenção. Cada linha traz o sinal que você vê no consultório e o que muda na prótese ou na rotina.

causasinalo que fazerfonte
Base côncava, em sela sobre o rebordoresíduo e biofilme na base quando a prótese saipedir base plana ou convexa, polidaJia e Yang, 2024; Said Sánchez, 2022
Escova sem passagem junto aos pilaressangramento à sondagem e placa nos pilaresabrir o acesso no desenho e testar no provisórioSerino e Ström, 2009; Schwarz e colaboradores, 2021
Nicho fundo entre a base e o rebordomais área de biofilme sob a prótesereduzir a profundidade do nicho no desenhoJia e Yang, 2024
Tecido crescendo sob a basemucosa hiperplásica ao remover a prótesetratar o tecido e rever forma e polimento da base antes da peça novaPapaspyridakos e colaboradores, 2012
Manutenção sem remover a próteseplaca nas faces internas e na conexãoremover a prótese na manutenção, principalmente com bolsa acima de 5 mmYin e colaboradores, 2025
Sondagem feita com a prótesebolsa subestimadasondar com a prótese removidaXu e colaboradores, 2026

A manutenção precisa remover a prótese?

A manutenção do protocolo parafusado limpa melhor com a prótese removida. Yin e colaboradores (The Journal of Prosthetic Dentistry, 2025) limparam com ultrassom, sem remover, 23 próteses fixas sobre implante. A limpeza tirou em média 45% do biofilme corado, e 54,6% ficou. Os autores apontam a conexão e as faces mucosas e proximais como o que a limpeza sem remover não alcança; com bolsa acima de 5 mm, o resultado foi pior.

Remover a prótese também melhora o diagnóstico. Num estudo com 83 implantes (Xu e colaboradores, Clinical Oral Implants Research, 2026), a sondagem sem a prótese foi em média 0,9 mm mais profunda e identificou melhor a peri-implantite. O intervalo de manutenção é decisão sua.

O que pedir ao laboratório para refazer a base?

Para refazer a base, mande o rebordo atual escaneado sem a prótese, os scan bodies em todos os pilares e a prótese, ou o provisório ajustado, escaneada na boca e fora dela. No pedido, escreva onde a comida parava, que base você quer (plana ou convexa) e em que pilares a escova precisa passar.

O Smile Digital Lab, laboratório digital de próteses para reabilitação oral em São Paulo, desenha a base sobre o rebordo escaneado. Se você pede para ver o desenho, o caso para na fase Aprovação e só segue depois da sua resposta. A sequência de escaneamento está no guia de arcada total, e a comparação entre materiais, no artigo protocolo em zircônia, titânio ou PMMA.

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Perguntas frequentes

Fechar o espaço sob a prótese resolve?

Tira o nicho, mas também tira a passagem da escova, e o consenso da EAO de 2021 associa acesso restrito à higiene a mais peri-implantite. O objetivo é uma base plana ou convexa que a escova alcance em cada pilar, não uma base fechada que ninguém limpa.

O tecido sob a prótese pode crescer?

Pode. Na revisão sistemática de Papaspyridakos e colaboradores (2012), a hiperplasia ou hipertrofia do tecido em volta do protocolo foi a complicação biológica mais frequente ligada à prótese: 13% em cinco anos e 26% em dez.

Protocolo de zircônia acumula menos que o de resina?

Não encontramos estudo que compare o acúmulo de comida entre os materiais. Os estudos comparam complicações e peri-implantite; o artigo sobre protocolo em zircônia, titânio ou PMMA reúne esses dados. Para o acúmulo, o que os estudos apontam é o formato da base e o acesso de higiene.

Fontes

  1. Biofilm accumulation on complete arch subperiosteal implant-supported prostheses: effect of pontic type · The Journal of Prosthetic Dentistry (Jia e Yang, 2024)
  2. Peri-implantitis in partially edentulous patients: association with inadequate plaque control · Clinical Oral Implants Research (Serino e Ström, 2009)
  3. Peri-implantitis: summary and consensus statements of group 3. The 6th EAO Consensus Conference 2021 · Clinical Oral Implants Research (Schwarz et al., 2021)
  4. Maxillary full arch restorations - biological complications: a narrative review outlining criteria for long term success · Journal of Oral and Maxillofacial Surgery (Block, 2023)
  5. Necessity of removing implant-supported prostheses when conducting supportive peri-implant therapy: a clinical study · The Journal of Prosthetic Dentistry (Yin et al., 2025)
  6. Diagnostic accuracy of peri-implant probing with or without prostheses in detecting peri-implantitis · Clinical Oral Implants Research (Xu et al., 2026)
  7. A systematic review of biologic and technical complications with fixed implant rehabilitations for edentulous patients · The International Journal of Oral & Maxillofacial Implants (Papaspyridakos et al., 2012)
  8. 10 considerations on the use of monolithic zirconia for one-piece implant-supported fixed complete dental prostheses · ITI Blog (Said Sánchez, 2022)

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