Conteúdo técnico · Prótese sobre implante
Coroa sobre implante: zircônia, Emax ou metalocerâmica?
Sobrevida, lascamento e indicação de zircônia, Emax e metalocerâmica na coroa unitária sobre implante, e o que muda no anterior, no bruxismo e no pedido.
Resposta curta
Zircônia, Emax e metalocerâmica têm sobrevida parecida na coroa unitária sobre implante: entre 96% e 98% em três a cinco anos, nas revisões sistemáticas. O que muda são as complicações. A metalocerâmica tem o histórico mais longo, a zircônia monolítica quase não lasca e o Emax segue as indicações do fabricante para implante.
Qual material dura mais na coroa unitária sobre implante?
Nenhum dos três materiais se destaca em sobrevida na coroa unitária sobre implante. A revisão sistemática de Pjetursson e colaboradores, base do consenso do ITI de 2018, estimou sobrevida em cinco anos de 98,3% para a coroa metalocerâmica (4.363 coroas). A de zircônia com cerâmica de cobertura ficou em 97,6% (912 coroas).
Para as cerâmicas monolíticas, a atualização de 2021 da mesma equipe estimou sobrevida em três anos de 97,0% para a vitrocerâmica reforçada monolítica, grupo em que entra o dissilicato de lítio, e de 96,1% para a zircônia monolítica. Fora as cerâmicas com matriz de resina, as diferenças entre materiais não foram estatisticamente significativas.
| material | sobrevida estimada | complicação que mais pesa | fonte |
|---|---|---|---|
| Metalocerâmica | 98,3% em 5 anos | lascamento da cobertura (2,9% em 5 anos) e mais queixa estética que a zircônia | Pjetursson et al., 2018 |
| Zircônia com cerâmica de cobertura | 97,6% em 5 anos | lascamento (2,8% em 5 anos) e fratura do material (2,1%, contra 0,2% na metalocerâmica) | Pjetursson et al., 2018 |
| Zircônia monolítica | 96,1% em 3 anos | lascamento quase ausente: 0% contra 7,61% da metalocerâmica em 1 ano, na região posterior | Pjetursson et al., 2021; Tajti et al., 2024 |
| Dissilicato de lítio (Emax) monolítico | 97,0% em 3 anos, no grupo das vitrocerâmicas reforçadas | bruxismo é contraindicação do fabricante; a coroa fina de 1 mm não vai sobre implante | Pjetursson et al., 2021; instruções da Ivoclar |
Os números vêm de revisões com acompanhamentos diferentes, de um a cinco anos, e nenhum estudo acompanhou os três materiais no mesmo grupo de pacientes por muito tempo. A escolha é sua, a partir do caso.
Qual lasca menos sobre implante: zircônia ou metalocerâmica?
A zircônia monolítica lasca menos que a metalocerâmica na coroa posterior sobre implante. Na meta-análise de ensaios clínicos randomizados de Tajti e colaboradores (The Journal of Prosthetic Dentistry, 2024), o lascamento em um ano foi de 0% na zircônia monolítica e de 7,61% na metalocerâmica. Perda óssea marginal, sangramento à sondagem e falha do implante não diferiram entre os dois.
Com cerâmica de cobertura, a vantagem some. Na revisão de 2018, zircônia estratificada e metalocerâmica lascaram na mesma proporção, e a zircônia teve mais fratura do material. O consenso do ITI de 2018 resumiu assim: desempenho clínico parecido, complicações diferentes.
A evidência da zircônia monolítica ainda é curta. Os ensaios da meta-análise de 2024 tinham um ano, e a revisão de 2018 não encontrou estudo de coroa monolítica sobre implante com três anos de acompanhamento. A diferença entre zircônia monolítica e estratificada, com a taxa anual de lascamento, está no artigo zircônia monolítica, estratificada, multicamada ou Emax.
Dá para fazer coroa de Emax sobre implante?
A coroa de Emax sobre implante é possível dentro das indicações do fabricante. A Ivoclar lista, para o IPS e.max CAD, restaurações unitárias sobre implante na forma de pilar híbrido e de coroa-pilar híbrida, parafusada, nas regiões anterior e posterior, com instrução de uso própria. A coroa minimamente invasiva, de 1 mm, sobre implante está fora das indicações.
Na mesma instrução de uso, o bruxismo aparece como contraindicação do material. Nos estudos clínicos reunidos em 2021, a vitrocerâmica reforçada monolítica teve sobrevida em três anos próxima à da zircônia monolítica, sem diferença estatística. Resistência, espessura mínima e cimentação dos dois materiais estão comparadas no artigo sobre zircônia e Emax.
Parafusada sobre base de titânio: o que muda na escolha?
Na coroa parafusada sobre base de titânio, a cerâmica, em zircônia ou em dissilicato de lítio, forma com a base uma peça única, parafusada no implante. Na revisão de Chantler e colaboradores (Clinical Oral Implants Research, 2023), 857 próteses unitárias sobre base de titânio tiveram 98,6% de sobrevida em um ano, com acompanhamento médio de 31 meses.
Zhang e colaboradores (Journal of Prosthodontic Research, 2024) reuniram 20 estudos da coroa-pilar híbrida: 100% de sobrevida em um ano e complicações abaixo de 1%, sem diferença para a coroa cimentada nas comparações diretas. Os autores pedem estudos de cinco anos ou mais.
A retenção é uma decisão separada do material. O artigo coroa parafusada ou cimentada mostra o que pesa, da posição do acesso à profundidade da margem.
Na região anterior, o que pesa na escolha do material?
Na coroa sobre implante da região anterior, pesa a estética, porque a sobrevida não mudou com a posição no arco. Na revisão de 2021, a localização da coroa, anterior ou posterior, não influenciou sobrevida nem lascamento das coroas cerâmicas. Na de 2018, a zircônia teve menos complicação estética que a metalocerâmica.
Para o laboratório, o anterior se decide na informação de cor: a escala, a foto com a escala encostada no dente vizinho e a cor do substrato. O guia de cor e foto mostra como mandar cada uma.
E se o paciente tiver bruxismo?
O bruxismo pesa na falha da prótese sobre implante qualquer que seja o material. Barboza e colaboradores (The Journal of Prosthetic Dentistry, 2026) reuniram oito revisões sistemáticas numa revisão guarda-chuva. As mais recentes apontam o bruxismo como fator de risco importante; numa delas, a falha foi 4,68 vezes mais provável em quem range os dentes.
A Ivoclar lista o bruxismo como contraindicação do IPS e.max CAD. Se o paciente range ou aperta os dentes, escreva isso no pedido: muda a conversa sobre material, espessura e desenho antes da fresagem.
O que escrever no pedido ao laboratório?
No pedido de coroa unitária sobre implante, informe o material, a retenção, o sistema do implante, a cor e qualquer sinal de bruxismo. Sem esses dados, o laboratório não escolhe o disco nem o componente, e o caso para na conferência. O que não pode faltar:
- o material (zircônia monolítica, Emax ou metalocerâmica) e se você aceita outro quando o espaço não comportar;
- parafusada sobre base de titânio ou cimentada sobre pilar;
- marca, modelo e plataforma do implante;
- a cor na escala e, na região anterior, a foto com a escala ao lado;
- bruxismo ou fratura anterior de cerâmica no mesmo paciente.
O Smile Digital Lab, laboratório digital de próteses para reabilitação oral em São Paulo, faz a coroa de zircônia sobre implante, em zircônia Aidite, e o coping metalocerâmico sobre implante. O Emax é IPS e.max CAD, feito aqui; a coroa de Emax sobre implante é combinada na abertura do caso. Os componentes são Neodent e Titaniumfix, nacionais.
Conferimos cada caso na chegada e em oito pontos antes de sair, e cada etapa fica registrada. As outras próteses sobre implante estão na página de prótese sobre implante.
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Criar conta no portalPerguntas frequentes
Coroa de Emax sobre implante pode ser cimentada?
Sobre um pilar, sim. A Ivoclar prevê o IPS e.max CAD sobre implante em dois desenhos: a coroa-pilar híbrida, parafusada, e o pilar híbrido, que recebe uma coroa separada por cima. A coroa minimamente invasiva de 1 mm sobre implante fica fora das indicações do fabricante.
A posição do implante no arco muda a sobrevida da coroa?
Nas coroas cerâmicas, não mudou. Na revisão sistemática de Pjetursson e colaboradores (2021), a localização da coroa, anterior ou posterior, não influenciou sobrevida nem lascamento. Na região anterior, o que pesa na escolha é a estética, e a zircônia teve menos complicação estética que a metalocerâmica na revisão de 2018.
Esses números valem por quanto tempo?
Por pouco tempo, no caso das cerâmicas monolíticas. Os dados da metalocerâmica e da zircônia estratificada vão a cinco anos; os da zircônia monolítica e do dissilicato, a três; os ensaios randomizados de zircônia monolítica contra metalocerâmica, a um ano. Faltam estudos longos com os três materiais no mesmo grupo de pacientes.
Que laboratório faz coroa sobre implante em zircônia ou metalocerâmica em São Paulo?
O Smile Digital Lab, laboratório digital de prótese em São Paulo, faz a coroa de zircônia sobre implante, em zircônia Aidite, e o coping metalocerâmico sobre implante. O Emax é IPS e.max CAD, feito no laboratório; a coroa de Emax sobre implante é combinada na abertura do caso. Os componentes são Neodent e Titaniumfix, nacionais.
Fontes
- A systematic review of the survival and complication rates of zirconia-ceramic and metal-ceramic single crowns · Clinical Oral Implants Research (Pjetursson et al., 2018)
- A systematic review and meta-analysis evaluating the survival, the failure, and the complication rates of veneered and monolithic all-ceramic implant-supported single crowns · Clinical Oral Implants Research (Pjetursson et al., 2021)
- Monolithic zirconia as a valid alternative to metal-ceramic for implant-supported single crowns in the posterior region: a systematic review and meta-analysis of randomized controlled trials · The Journal of Prosthetic Dentistry (Tajti et al., 2024)
- Group 2 ITI Consensus Report: Prosthodontics and implant dentistry · Clinical Oral Implants Research (Morton et al., 2018)
- Clinical performance of single implant prostheses restored using titanium base abutments: a systematic review and meta-analysis · Clinical Oral Implants Research (Chantler et al., 2023)
- Clinical performance of implant-supported single hybrid abutment crown restoration: a systematic review and meta-analysis · Journal of Prosthodontic Research (Zhang et al., 2024)
- An umbrella review of the role of bruxism in the failure of implant-supported prostheses · The Journal of Prosthetic Dentistry (Barboza et al., 2026)
- IPS e.max CAD — Instructions for Use (Rev. 0, 2019) · Ivoclar Vivadent
- IPS e.max CAD — página do produto · Ivoclar
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