Conteúdo técnico · Cor e estética
VITA classical ou 3D-Master: qual escala de cor usar
Como a VITA classical A1–D4 e a VITA 3D-Master organizam a cor, quando cada uma ajuda e como informar a cor ao laboratório para a coroa sair no tom.
Resposta curta
A VITA classical A1–D4 agrupa 16 cores por matiz (A, B, C, D) e saturação. A VITA 3D-Master organiza 26 cores pelas três dimensões da cor: valor, croma e matiz, nessa ordem. As duas servem ao laboratório, se o pedido trouxer a escala usada, o código exato e uma foto com a amostra ao lado do dente.
Como a VITA classical A1–D4 é organizada?
A classical separa as cores por matiz e, dentro de cada matiz, por saturação. São quatro grupos: A (castanho-avermelhado), B (amarelo-avermelhado), C (acinzentado) e D (cinza-avermelhado). O grupo A tem A1, A2, A3, A3,5 e A4; B e C vão de 1 a 4; D vai de D2 a D4. No total, 16 amostras.
A escala nasceu em 1956 e foi montada a partir das cores mais frequentes nos dentes naturais, segundo a própria VITA. É nela que vem a maior parte das cerâmicas e resinas para restauração. A limitação está na lógica: as amostras são agrupadas por matiz, e o valor (claro ou escuro) não é uma dimensão separada. Escolher é comparar amostra por amostra até achar a mais parecida.
Como a VITA 3D-Master é organizada?
A 3D-Master, lançada em 1998, separa a cor nas três dimensões que o olho percebe. O primeiro número é o valor, de 1 (claro) a 5 (escuro), com o grupo 0 reservado a dentes clareados (0M1, 0M2, 0M3). A letra é o matiz: L puxa para o amarelo, M é o matiz médio, R puxa para o vermelho. O último número é o croma, de 1 (pouco saturado) a 3 (saturado).
Na prática, 2M2 quer dizer valor 2, matiz médio, croma 2. São 26 cores naturais, distribuídas para cobrir o espaço de cor dos dentes de forma sistemática, e não pela frequência de uso. A leitura segue três passos, na ordem que a VITA recomenda:
- Valor: com a escala a 25–30 cm do dente, escolha o grupo de 0 a 5, indo do escuro para o claro.
- Croma: tire a amostra M do grupo escolhido e compare as três saturações.
- Matiz: veja se o dente está mais amarelo (L) ou mais vermelho (R) que a amostra escolhida.
Quando o dente fica entre duas amostras, a VITA prevê cores intermediárias, como 2M1.5 (entre 2M1 e 2M2) ou 4.5M2 (entre 4M2 e 5M2).
Classical ou 3D-Master: qual acerta mais?
A 3D-Master tende a acertar mais. Hassel e colegas, da Universidade de Heidelberg, resumem os estudos anteriores em Acta Odontologica Scandinavica (2013). Em laboratório, a seleção com a 3D-Master foi mais confiável. Num estudo clínico, as restaurações que precisaram de nova queima ou de refação por erro de cor foram significativamente menos frequentes com ela do que com a classical.
A vantagem vem da ordem. Em vez de comparar amostra por amostra, você decide uma dimensão de cada vez, começando pelo valor. Os mesmos autores lembram que a 3D-Master se estende mais para matizes amarelo-avermelhados e para cores mais saturadas, o que cobre melhor os dentes naturais.
A classical continua útil. O estudo de Heidelberg simulou a conversão de cores 3D-Master para a classical por tabela e encontrou diferença mediana de cor (ΔE) de 2,38 na escolha direta pela classical contra 2,86 na conversão. A conclusão dos autores: na maioria dos casos, dá para tomar a cor com a 3D-Master e converter sem erro clinicamente perceptível.
| VITA classical A1–D4 | VITA 3D-Master | |
|---|---|---|
| Como organiza | por matiz (A, B, C, D) e saturação (1–4) | por valor (0–5), matiz (L, M, R) e croma (1–3) |
| Número de cores | 16 | 26 naturais, mais 3 de clareamento |
| Lógica de construção | frequência das cores naturais | cobertura sistemática do espaço de cor |
| Ordem de leitura | comparação livre entre amostras | valor, depois croma, depois matiz |
| Cor intermediária | não prevista | prevista (ex.: 2M1.5, 4.5M2) |
| Onde ajuda mais | quando o material só existe nessas cores e a equipe já tem o olho treinado nela | dentes que não “caem” em nenhuma amostra classical, casos anteriores, clareados |
Quando cada escala ajuda?
Use a escala que a sua equipe domina. Um código classical bem tomado vale mais que um 3D-Master tomado com pressa.
A 3D-Master rende mais em três situações: coroa anterior isolada ao lado de dentes naturais, dente clareado (o grupo 0 existe para isso) e dente que fica entre duas amostras classical. A classical resolve bem os casos posteriores, as próteses extensas em que o paciente escolhe a cor junto com você e os casos em que o material do planejamento só vem em cores A1–D4.
Como tomar a cor antes de mandar o caso?
As instruções da VITA para a 3D-Master valem para qualquer escala:
- Tome a cor antes do preparo. Depois dele, o dente desidrata e parece mais claro.
- Use luz do dia ou lâmpada de 5.500 a 6.500 K, não a luz comum da sala.
- Deixe o entorno neutro: sem batom, e com um babador cinza se a roupa do paciente for colorida.
- Segure a amostra paralela ao dente e o mais perto possível da gengiva, e compare pelo terço médio da amostra.
- Decida rápido. O olho cansa depois de 5 a 7 segundos; aceite a primeira impressão.
A foto entra aqui. Fotografe o dente com a amostra escolhida encostada nele, na mesma luz, com a etiqueta da amostra visível. O guia de como informar a cor mostra o enquadramento.
Como informar a cor ao laboratório?
O pedido precisa dizer qual escala você usou e qual código escolheu. “A2” e “2M2” são cores diferentes, e um “cor clara” sem escala obriga o técnico a adivinhar. Na conferência de chegada, cor definida é um dos itens do nosso checklist: sem ela, o caso para antes do desenho e voltamos a você.
Para casos estéticos, pedimos também a foto com a escala ao lado e a cor do substrato, ou seja, do dente preparado ou do pilar por baixo da coroa. O fundo muda a cor final das cerâmicas translúcidas. Montero e Gómez-Polo cimentaram discos de Emax 2M1 e mediram a cor depois: só 30% continuaram 2M1. A cor do cimento foi o que mais pesou no resultado, e os discos de 0,5 mm variaram mais que os de 1 mm. Para uma coroa de Emax sobre dente escurecido, essa informação decide o desenho.
Na zircônia, o técnico escolhe o disco pela cor e ajusta na maquiagem. Numa coroa de zircônia multicamada, o gradiente do colo à incisal já vem do disco, e a foto mostra onde o seu paciente tem mais ou menos saturação. Antes de sair, o controle de qualidade confere a cor da peça contra o pedido.
Escâner intraoral substitui a escala?
Ainda não. Lee e Kim compararam, em 83 adultos, a cor lida pelo escâner intraoral, pelo espectrofotômetro e pela escala (Scientific Reports, 2024). Com a 3D-Master, o escâner coincidiu exatamente com o espectrofotômetro em 46,9% dos casos; com a classical, em 32,3%. A concordância com a escolha visual foi menor ainda, e os autores recomendam usar o escâner como apoio e conferir a cor pela escala.
Se o seu escâner sugere uma cor, mande a sugestão junto e diga qual cor você confirmou na escala. Com isso, a conferência, o desenho e o controle de qualidade trabalham com o mesmo número. O restante do envio está no guia de como enviar um caso ao laboratório.
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Criar conta no portalPerguntas frequentes
Posso usar a 3D-Master se o material do caso só vem em cores da classical?
Pode. Um estudo da Universidade de Heidelberg simulou a conversão de cores 3D-Master para a classical por tabela e concluiu que, na maioria dos casos, a conversão não acrescenta erro clinicamente perceptível. Informe no pedido o código 3D-Master que você escolheu.
O que é uma cor intermediária, como 2M1.5?
Na 3D-Master, quando o dente fica entre duas amostras, a VITA prevê cores intermediárias: 2M1.5 fica entre 2M1 e 2M2 no croma, e 4.5M2 fica entre 4M2 e 5M2 no valor. Escreva o código assim no pedido; ele é mais útil ao técnico do que "entre A2 e A3".
A foto substitui a escala?
Não. A foto mostra textura, translucidez e caracterizações que o código não descreve, mas a câmera e a tela alteram a cor. O que funciona é a combinação: código da escala mais foto com a amostra encostada no dente vizinho, na mesma luz.
O escâner intraoral já mede a cor. Preciso da escala?
Vale usar a leitura do escâner como ponto de partida, não como resposta final. Num estudo de 2024 com 83 adultos, a leitura do escâner concordou só moderadamente com o espectrofotômetro, e os autores recomendam conferir a cor visualmente com a escala.
Fontes
- VITA classical A1–D4 shade guide · VITA Zahnfabrik
- VITA SYSTEM 3D-MASTER – precise, systematic tooth shades · VITA Zahnfabrik
- VITA Toothguide 3D-MASTER — instruções de uso (961E) · VITA Zahnfabrik (PDF do fabricante, hospedado por distribuidor)
- Determination of VITA Classical shades with the 3D-Master shade guide · Acta Odontologica Scandinavica (Hassel et al., 2013)
- A comparative study of shade-matching performance using intraoral scanner, spectrophotometer, and visual assessment · Scientific Reports (Lee e Kim, 2024)
- Effect of ceramic thickness and cement shade on the final shade after bonding using the 3D master system · Clinical and Experimental Dental Research (Montero e Gómez-Polo, 2016)
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