Guia · Fluxo digital
Escaneamento intraoral para o laboratório
Como escanear preparo, scan body, antagonista e mordida para o laboratório, quando mandar STL ou o formato nativo e os erros que geram retrabalho.
Resposta curta
Um escaneamento que passa de primeira tem margem do preparo visível em toda a volta, scan body inteiro e bem assentado, arcada antagonista completa e registro de mordida alinhado dos dois lados. Exporte em STL ou no formato nativo do scanner, que guarda a cor, e anexe ao pedido no portal com marca e plataforma do implante.
Passo a passo
- 01
Prepare o campo antes de escanear
Em margem subgengival, faça o afastamento gengival antes de escanear. Controle saliva e sangramento e seque a região: o scanner não lê o que está coberto por fluido ou tecido.
- 02
Escaneie a arcada do preparo ou do implante
Siga a estratégia de varredura que o fabricante do scanner recomenda. Capture os dentes vizinhos por inteiro e, em prótese de vários elementos ou arcada total, a arcada completa.
- 03
Posicione e escaneie o scan body
Use o scan body compatível com o sistema do implante, assentado e apertado como indica o fabricante. Capture a geometria inteira, sem sombra nem corte, em cada implante do caso.
- 04
Escaneie o antagonista
Escaneie a arcada antagonista completa. Sem ela, não há como ajustar contatos e oclusão no desenho.
- 05
Registre a mordida
Com o paciente em máxima intercuspidação, faça o registro vestibular dos dois lados. Confira no software se os dois modelos se alinharam sem sobreposição ou folga visível.
- 06
Revise antes de exportar
Gire o modelo e procure buraco na margem, scan body incompleto e dente vizinho cortado. Refazer um trecho agora custa menos que um retorno do caso.
- 07
Exporte e anexe ao pedido
Exporte em STL, que todo software lê, ou no formato nativo do seu scanner, que guarda a cor. Anexe os arquivos ao pedido no portal com marca e plataforma do implante e, se souber, o modelo do scan body.
Antes de escanear
Confira três coisas. O scanner está calibrado e com o software atualizado, dois fatores que a revisão de Alkadi (Diagnostics, 2023) lista entre os que mudam a precisão do escaneamento. O scan body é o do sistema do implante, sem desgaste nem batida. E você sabe marca e plataforma do implante, porque elas vão no pedido.
A precisão com scan body depende de mais variáveis do que parece. A revisão sistemática de Gehrke e colaboradores (International Journal of Implant Dentistry, 2024) cita desenho, material e cor do scan body, posição e distância entre os implantes, extensão da área escaneada, tipo de scanner e técnica. Parte disso é do caso; a técnica é sua.
O envio completo, com o que mais vai no pedido, está no guia de envio de caso.
Erros que geram retrabalho
Na conferência, o primeiro item é o arquivo: ele abre e está completo? Estes são os motivos que fazem um arquivo falhar:
- Margem com buraco ou coberta por gengiva, saliva ou sangue. Sem a linha de término contínua, o desenho da margem vira estimativa.
- Scan body com parte da geometria faltando ou com imagem duplicada, o que desloca a posição do implante no CAD.
- Antagonista parcial, só do quadrante, em caso que precisa da arcada toda.
- Mordida registrada de um lado só, ou com os modelos visivelmente sobrepostos. Mei e colaboradores (2022) mostraram que a estratégia de registro muda o alinhamento dos modelos virtuais.
- Arquivo exportado errado: só a arcada do preparo, ou o escaneamento pré-operatório no lugar do final.
Quando o arquivo falha, o caso fica na conferência até um novo escaneamento ou um trecho refeito. Em implante, o serviço de coroa de zircônia sobre implante detalha o que mais pesa.
Checklist antes de enviar
- Margem visível e contínua em toda a volta do preparo
- Scan body completo em cada implante, com marca e plataforma no pedido
- Antagonista completo
- Mordida registrada dos dois lados e alinhada no software
- Arquivo final exportado (STL ou formato nativo) e anexado ao pedido
- Em caso estético, cor e foto com a escala (guia de cor)
Serviços relacionados
Criar conta no portalPerguntas frequentes
STL ou o formato nativo do scanner?
Os dois servem. O STL é o formato universal, mas sai sem cor. O formato nativo ou o PLY guardam a cor dos dentes e da gengiva, útil em caso estético. Um estudo de 2026 com 50 arcadas não encontrou diferença de precisão geométrica entre STL, PLY e OBJ.
O escaneamento com scan body é tão preciso quanto a moldagem?
Para elemento unitário e prótese de poucos elementos, a revisão sistemática de Gehrke e colaboradores (2024) encontrou precisão comparável à da moldagem convencional. Para arcada total, os autores pedem mais estudos clínicos antes de uma recomendação.
Preciso fazer afastamento gengival para escanear?
Em margem subgengival, sim. Num ensaio clínico de 2026, a margem escaneada sem afastamento saiu menos definida que na moldagem convencional; com afastamento, os dois métodos reproduziram melhor a margem.
Não tenho scanner. Como envio o caso digital?
Envie a moldagem ou o modelo de gesso: digitalizamos no laboratório, e o desenho e a fresagem seguem o mesmo fluxo digital.
Fontes
- A systematic review of factors impacting intraoral scanning accuracy in implant dentistry with emphasis on scan bodies · International Journal of Implant Dentistry (2024)
- Factors that influence the accuracy of intraoral scanners (literature review) · Diagnostics (2023)
- Comparison of subgingival finish line reproduction in intraoral scanning versus conventional impressions — a randomized crossover clinical study with/without gingival retraction · The Journal of Advanced Prosthodontics (2026)
- Three-dimensional analysis of the outcome of different scanning strategies in virtual interocclusal registration · The Journal of Advanced Prosthodontics (2022)
- Mesh quality comparison of common three file formats derived from intraoral scans · Clinical Oral Investigations (2026)
- How to export lab scans in STL/DCM/PLY formats · 3Shape
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