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Fotogrametria ou escaneamento intraoral no protocolo?
O que a fotogrametria registra no protocolo sobre implantes, quanto erra contra o escâner intraoral, o que dizem os estudos clínicos e o que enviar.
Resposta curta
A fotogrametria registra a posição dos implantes com câmeras e scan bodies próprios, com marcas ópticas. Na arcada total, as revisões sistemáticas a encontram mais precisa que o escaneamento intraoral, sobretudo no ângulo. Ela não registra gengiva, dentes nem mordida, e o caso precisa também do escâner intraoral ou de uma moldagem.
O que é fotogrametria em implante?
A fotogrametria em implante é o registro da posição dos implantes por câmeras, a partir de scan bodies próprios, com marcas ópticas, parafusados nos implantes ou nos pilares. Nos aparelhos extraorais, duas câmeras estéreo fotografam as marcas ao mesmo tempo e calculam a posição e o ângulo de cada implante em relação aos outros.
O arquivo que sai traz só essas coordenadas. Há também sistemas que fazem fotogrametria com o próprio escâner intraoral; a revisão de Revilla-León e colaboradores (The Journal of Prosthetic Dentistry, 2026) a trata como uma das técnicas calibradas de escaneamento de arcada total.
Por que o escaneamento intraoral perde precisão na arcada total?
O escaneamento intraoral perde precisão na arcada total porque o escâner monta o modelo juntando imagens consecutivas, e cada emenda acumula um pouco de erro. Num rebordo desdentado longo, sem pontos de referência estáveis, a soma pesa mais. A fotogrametria extraoral não tem essa etapa: registra todos os scan bodies de uma vez.
Na revisão de Pozzi e colaboradores (Clinical Implant Dentistry and Related Research, 2025), o desvio angular do escaneamento intraoral passou de 1°, o limite associado à passividade, nos três estudos que mediram o ângulo. O da fotogrametria ficou entre 0,24° e 0,80°. A técnica de escaneamento continua nas suas mãos, e os passos estão no guia de escaneamento de arcada total.
Fotogrametria ou escaneamento intraoral: qual é mais preciso?
A fotogrametria foi mais precisa que o escaneamento intraoral na maioria das revisões sistemáticas de arcada total sobre implantes publicadas entre 2025 e 2026. A vantagem aparece na veracidade e na precisão, em distância e em ângulo. A maior parte dos estudos é in vitro, e os autores pedem ensaios clínicos antes de uma conclusão definitiva.
| revisão | estudos incluídos | o que encontrou |
|---|---|---|
| Pozzi et al., Clin Implant Dent Relat Res, 2025 | 13 (3 clínicos, 10 in vitro) | fotogrametria mais precisa em 10 dos 13; ângulo do escâner intraoral acima de 1° nos 3 que o mediram |
| Altalla et al., J Prosthet Dent, 2026 | 14, in vitro e clínicos | fotogrametria com veracidade e precisão melhores, em distância e em ângulo |
| Noronha et al., Int J Prosthodont, 2026 | 11 in vitro, 7 na meta-análise | fotogrametria mais precisa e mais consistente; o dado de veracidade teve peso pequeno |
| Prasad et al., J Prosthet Dent, 2026 | 26 de fotogrametria extraoral | discrepância média de 27 µm e 0,21°; técnica clinicamente aceitável |
| Revilla-León et al., J Prosthet Dent, 2026 | 15 de técnicas calibradas | fotogrametria intraoral com 36 µm e 0,23° em média; viés de publicação significativo |
| Alfaraj et al., J Prosthodont, 2026 | 37 (30 in vitro, 7 clínicos) | digital e moldagem equivalentes no geral; acima de quatro implantes, a moldagem levou leve vantagem, e a fotogrametria atenuou a perda |
Na revisão de Revilla-León, todas as técnicas calibradas ficaram abaixo de 150 µm, o limite de distorção que os autores tratam como clinicamente aceitável. O que a tabela não mede é quanto essa diferença muda a prótese na boca, e para isso há poucos estudos clínicos.
Há resultado clínico de protocolo feito com fotogrametria?
Há, em séries curtas. No estudo retrospectivo multicêntrico de Stefanović e colaboradores (Journal of Dentistry, 2026), 52 próteses de arcada total sobre 221 implantes, feitas a partir de fotogrametria intraoral, passaram no teste de um parafuso na instalação. Em cerca de 12 meses, a sobrevida das próteses foi de 100%.
Zhang e colaboradores (The Journal of Prosthetic Dentistry, 2023) compararam fotogrametria e moldagem com transferentes unidos em 14 arcadas. O desvio médio foi de 70 µm, abaixo do limite de 150 µm, e cresceu com a distância entre os implantes.
No ensaio piloto randomizado de Peñarrocha-Diago e colaboradores (2017), com carga imediata em 18 pacientes, não houve diferença de sucesso dos implantes, perda óssea marginal nem sobrevida da prótese entre fotogrametria e moldagem.
Qual técnica leva menos tempo de cadeira?
O escaneamento intraoral foi a técnica mais rápida no estudo clínico de Robert e colaboradores (International Journal of Oral Implantology, 2026), com 20 pacientes de arcada desdentada e quatro a oito implantes. Fotogrametria e moldagem em gesso tomaram mais tempo de cadeira, e as duas técnicas digitais tiveram mais satisfação do paciente que a moldagem.
No mesmo estudo, a fotogrametria teve o menor erro: 0,030 mm de erro quadrático médio, contra 0,117 mm do escâner intraoral e 0,110 mm da moldagem. Contra a moldagem convencional, ela encurtou a sessão no ensaio de Peñarrocha-Diago (15,6 contra 20,5 minutos). Na conta, entra também o escaneamento intraoral que a fotogrametria exige.
O que a fotogrametria não registra?
A fotogrametria não registra gengiva, rebordo, dentes, perfil de emergência nem mordida: o arquivo dela traz só a posição dos implantes. O caso precisa também de um escaneamento intraoral ou de uma moldagem, que o técnico alinha ao arquivo da câmera. A revisão de Negreiros e colaboradores (Australian Dental Journal, 2025) cita ainda o custo do aparelho.
| o que o laboratório precisa | escaneamento intraoral | fotogrametria |
|---|---|---|
| posição dos implantes | scan bodies no escaneamento | arquivo da câmera, com os scan bodies do sistema |
| gengiva e rebordo | no mesmo escaneamento | escaneamento intraoral à parte, ou moldagem |
| dentes, provisório e mordida | no mesmo escaneamento | escaneamento intraoral à parte |
| modelo do scan body no pedido | o do escâner | o do sistema de fotogrametria e o do escâner |
Fonte: Pozzi et al. (2025) e Negreiros et al. (2025).
Antes do primeiro caso com fotogrametria, pergunte ao laboratório se ele recebe o arquivo da câmera, em que formato e como prefere receber o escaneamento que o acompanha: os dois precisam abrir no mesmo software de desenho. O resto do pedido, de marca e plataforma dos implantes ao provisório escaneado, está no guia de escaneamento de arcada total.
Quando a fotogrametria faz mais diferença?
A fotogrametria faz mais diferença quando a arcada tem muitos implantes ou implantes distantes entre si. Na meta-análise de Alfaraj e colaboradores (Journal of Prosthodontics, 2026), a precisão do registro digital caiu acima de quatro implantes, e a fotogrametria pareceu atenuar essa perda. No estudo clínico de Zhang (2023), o desvio cresceu com a distância entre implantes.
A escolha da técnica é sua. Em qualquer uma, Pozzi e colaboradores recomendam provar na boca um protótipo rígido enquanto faltam ensaios clínicos. Vale para toda peça definitiva rígida, como a barra de titânio fresada ou o protocolo de zircônia.
O Smile Digital Lab, laboratório digital de próteses para reabilitação oral em São Paulo, faz o protocolo de zircônia, sobre barra de titânio ou em PMMA, com componentes Neodent e Titaniumfix, nacionais. Conferimos cada caso na chegada e em oito pontos antes de sair. As opções de prótese estão na página de prótese sobre implante.
Serviços relacionados
- Protocolo de zircônia
- Protocolo de zircônia sobre barra de titânio
- Barra de titânio fresada
- Carga imediata
Perguntas frequentes
A fotogrametria dispensa a prova da barra?
Não há evidência para dispensar. Pozzi e colaboradores (2025) recomendam provar um protótipo rígido na boca enquanto faltam ensaios clínicos. Numa série retrospectiva de 2026, as 52 próteses feitas por fotogrametria intraoral passaram no teste de um parafuso, mas foi um estudo, com um sistema e cerca de um ano de acompanhamento.
A fotogrametria serve para carga imediata?
Serve. A revisão de Negreiros e colaboradores (2025) descreve o uso na carga imediata e na tardia. No ensaio piloto randomizado de Peñarrocha-Diago e colaboradores (2017), com 18 pacientes em carga imediata, fotogrametria e moldagem não diferiram em sucesso dos implantes nem em sobrevida da prótese.
Fotogrametria pelo celular funciona?
Há um primeiro estudo clínico. Em 10 arcadas com seis pilares multiunit, Santamaría-Laorden e colaboradores (2026) encontraram diferença média de 21 µm e 0,20° entre um aplicativo de celular e o aparelho de fotogrametria do mesmo fabricante. A comparação foi entre os dois, não contra a posição real dos implantes.
Preciso de scan body especial para a fotogrametria?
Sim. A fotogrametria lê marcas ópticas em scan bodies do próprio sistema, parafusados nos implantes ou nos pilares. O escaneamento intraoral que acompanha o caso usa os scan bodies do escâner. Informe no pedido o modelo de cada um.
Fontes
- Photogrammetry versus intraoral scanning in complete-arch digital implant impression: a systematic review and meta-analysis · Clinical Implant Dentistry and Related Research (Pozzi et al., 2025)
- Comparative accuracy of photogrammetry and intraoral scanners in recordings for complete arch implant-supported prostheses: a systematic review and meta-analysis · The Journal of Prosthetic Dentistry (Altalla et al., 2026)
- Accuracy of stereophotogrammetry in implant scanning compared to intraoral scanning in completely edentulous patients — a systematic review and meta-analysis · The International Journal of Prosthodontics (Noronha et al., 2026)
- A systematic review and meta-analysis of the accuracy of complete arch implant scanning techniques performed extraorally: reverse impression and extraoral photogrammetry methods · The Journal of Prosthetic Dentistry (Prasad et al., 2026)
- Accuracy of complete arch implant scans recorded by using calibrated scanning techniques: a systematic review and meta-analysis · The Journal of Prosthetic Dentistry (Revilla-León et al., 2026)
- Comparative analyses of accuracy between digital and conventional impressions for complete-arch implant-supported fixed dental prostheses — a systematic review and meta-analysis · Journal of Prosthodontics (Alfaraj et al., 2026)
- Clinical accuracy and short-term outcomes of intraoral photogrammetry for complete-arch implant rehabilitation: a retrospective multicentre study on 35 patients · Journal of Dentistry (Stefanović et al., 2026)
- Accuracy of photogrammetric imaging versus conventional impressions for complete arch implant-supported fixed dental prostheses: a comparative clinical study · The Journal of Prosthetic Dentistry (Zhang et al., 2023)
- A combined digital and stereophotogrammetric technique for rehabilitation with immediate loading of complete-arch, implant-supported prostheses: a randomized controlled pilot clinical trial · The Journal of Prosthetic Dentistry (Peñarrocha-Diago et al., 2017)
- Precision, patient satisfaction and impression time with complete-arch digital implant impression with intraoral scanning, dental photogrammetry and conventional impressions: an experimental clinical study · International Journal of Oral Implantology (Robert et al., 2026)
- Photogrammetry in implant dentistry · Australian Dental Journal (Negreiros et al., 2025)
- Accuracy of a smartphone app and photogrammetry algorithm in complete arch digital implant capture: an in vivo comparative study · The Journal of Prosthetic Dentistry (Santamaría-Laorden et al., 2026)
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