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Guia multifuncional no protocolo: o que é e quando usar
O que é a guia multifuncional do protocolo sobre implantes, o que ela faz na cirurgia, na moldagem e no registro de mordida, quando usar e o que enviar.
Resposta curta
A guia multifuncional é uma cópia em resina acrílica incolor da prótese total do paciente, usada no protocolo sobre implantes. Ela orienta a posição dos implantes na cirurgia, serve de moldeira para os transferentes e registra a relação entre as arcadas na dimensão vertical da prótese duplicada, o que encurta a fase de moldagem.
O que é a guia multifuncional?
A guia multifuncional é um dispositivo de resina acrílica incolor feito pela duplicação da prótese total do paciente, que reproduz a posição final dos dentes no protocolo sobre implantes. O nome vem das funções que ela acumula: orientar a posição dos implantes na cirurgia, servir de moldeira na transferência e registrar a mordida.
Muitos autores escrevem “o guia multifuncional”; é a mesma peça. Ozkomur e Manfroi (Journal of Prosthodontics, 2018) a descrevem como modelo cirúrgico na instalação dos implantes e como estrutura para a moldagem definitiva e o registro oclusal da prótese fixa de arcada total. A lógica é a do planejamento reverso: a posição dos dentes vem primeiro, e a dos implantes se ajusta a ela.
Para que serve a guia multifuncional no protocolo?
A guia multifuncional serve a quatro momentos do protocolo: a tomografia, a cirurgia, a moldagem dos implantes e o registro da relação entre as arcadas. Em todos, ela leva a mesma informação, a posição planejada dos dentes, e evita refazer moldagens preliminares, base de prova e plano de cera a cada etapa.
| momento | o que a guia faz | fonte |
|---|---|---|
| Tomografia | com marcadores radiopacos nas posições previstas, funciona como guia tomográfico | Duarte et al., 2022 |
| Cirurgia | orienta a posição dos implantes em relação aos dentes planejados | Ozkomur e Manfroi, 2018; Duarte et al., 2022 |
| Moldagem | recebe os transferentes unidos com resina acrílica e funciona como moldeira individual | Duarte et al., 2022 |
| Registro de mordida | registra a relação entre as arcadas na dimensão vertical da prótese duplicada | Ozkomur e Manfroi, 2018; Duarte et al., 2022 |
Duarte e colaboradores (Revista Fluminense de Odontologia, 2022) relatam um protocolo inferior com carga tardia. Depois da moldagem pela guia, restaram três consultas: prova da barra, prova dos dentes em cera e instalação. Sem ela, os autores contam moldagem anatômica, moldagem funcional e base de prova com plano de cera antes da prova dos dentes.
Quando usar a guia multifuncional?
A guia multifuncional faz sentido no protocolo do paciente desdentado quando a prótese total que será duplicada tem estabilidade, retenção, estética aceitável, dimensão vertical correta e contatos oclusais ajustados. São as condições que Duarte e colaboradores (2022) listam. Como a guia copia essa prótese, um erro nela passa para a guia.
Se a prótese atual não cumpre essas condições, ela precisa ser corrigida ou refeita antes da duplicação. A guia funciona na carga imediata e na tardia. Ozkomur e Manfroi (2018) a apresentam para carga imediata ou precoce; no relato de Duarte, a carga imediata foi descartada, e a guia guardada desde a cirurgia voltou na moldagem, depois da reabertura. A decisão de carga e de técnica é sua.
A moldagem pela guia multifuncional é precisa?
A moldagem pela guia multifuncional segue duas condições que a literatura associa a mais precisão em arcada total: transferentes unidos entre si e moldeira aberta. Na revisão de Papaspyridakos e colaboradores (2014), em desdentado total, a técnica com união foi mais precisa em 15 estudos, contra 1 a favor da técnica sem união e 9 sem diferença.
A mesma revisão achou a moldeira aberta mais precisa que a fechada em desdentado total e nenhuma diferença entre poliéter e silicone de adição. A revisão de Baig (2014), só com arcadas desdentadas, viu evidência conflitante sobre a união e não fez recomendação.
Sobre a guia em si, a evidência é in vitro. Araújo e colaboradores (The International Journal of Oral & Maxillofacial Implants, 2021) testaram a guia num modelo de maxila com quatro implantes inclinados. Unir os transferentes à guia com metal e resina deu desvio menor na análise 3D do que unir só com resina. Não há ensaio clínico que compare a guia com a moldeira convencional.
Guia multifuncional ou escaneamento com scan body?
No fluxo digital, o escaneamento faz o papel da guia multifuncional. A prótese total ou o provisório, escaneado na boca e fora dela, leva a posição dos dentes e a mordida; os scan bodies levam a posição dos implantes. A guia continua útil quando a transferência é feita por moldagem, no fluxo analógico ou misto.
Existe também a versão digital da guia. Negreiros, Hamilton e Gallucci (The Journal of Prosthetic Dentistry, 2022) descrevem um guia cirúrgico multifuncional desenhado a partir de uma montagem virtual de dentes. A sequência de escaneamento está no guia de escaneamento de arcada total, e a comparação com a fotogrametria, em fotogrametria ou escaneamento intraoral.
O que enviar ao laboratório quando a moldagem é feita pela guia?
Quando a moldagem do protocolo é feita pela guia multifuncional, o laboratório precisa da própria guia, com os transferentes e o material de moldagem. Precisa também do antagonista e da marca e da plataforma dos implantes e dos pilares. A guia já leva o registro de mordida e a posição dos dentes. A lista completa:
- a guia com a moldagem e os transferentes unidos, sem remover nenhum deles;
- marca e plataforma dos implantes; marca, altura de cinta e ângulo de cada pilar multiunit, pela numeração FDI;
- o antagonista, em modelo de gesso ou moldagem;
- a cor dos dentes na escala e a cor da gengiva;
- o tipo de protocolo planejado e se haverá prova da barra ou dos dentes antes da peça final;
- a prescrição assinada, com CRO.
Combine com o laboratório, antes da cirurgia, quem duplica a prótese, em que resina, e se a mesma guia vai servir na cirurgia e na moldagem. O básico do pedido está no guia de envio de caso.
O Smile Digital Lab, laboratório digital de próteses para reabilitação oral em São Paulo, faz o protocolo de zircônia, sobre barra de titânio ou em PMMA, a prótese de carga imediata e a prótese total. Os componentes são Neodent e Titaniumfix, nacionais. As opções estão na página de prótese sobre implante.
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Criar conta no portalPerguntas frequentes
Guia multifuncional e guia cirúrgico são a mesma coisa?
Não. A guia multifuncional duplica a prótese do paciente e soma três funções: guia na cirurgia, moldeira dos transferentes e registro de mordida. O guia cirúrgico impresso a partir da tomografia e do escaneamento é desenhado para conduzir a fresa na posição planejada. Num mesmo caso podem entrar os dois.
A guia multifuncional serve para carga imediata?
Serve para carga imediata e para carga tardia. Ozkomur e Manfroi (2018) a descrevem como o recurso que permite carga imediata ou precoce no protocolo. No relato de Duarte e colaboradores (2022), com carga tardia, a guia guardada desde a cirurgia voltou na moldagem, depois da reabertura.
Que material de moldagem usar dentro da guia?
A escolha é sua. Na revisão de Papaspyridakos e colaboradores (2014), poliéter e silicone de adição não mudaram a precisão da moldagem de implantes. O que pesou foi unir os transferentes e usar moldeira aberta em desdentado total, e a guia faz as duas coisas.
A guia multifuncional substitui a prova dos dentes?
Não substitui. No relato de Duarte e colaboradores (2022), a moldagem pela guia eliminou a moldagem anatômica, a funcional e a base de prova com plano de cera, mas a prova da barra e a prova dos dentes em cera continuaram antes da instalação.
Fontes
- Multifunctional guide for implant placement, impressions, and an occlusal index for fixed complete dentures · Journal of Prosthodontics (Ozkomur e Manfroi, 2018)
- Otimização das etapas de confecção do protocolo Branemark com carga tardia utilizando o guia multifuncional · Revista Fluminense de Odontologia, UFF (Duarte et al., 2022)
- Accuracy of implant impressions for partially and completely edentulous patients: a systematic review · The International Journal of Oral & Maxillofacial Implants (Papaspyridakos et al., 2014)
- Accuracy of impressions of multiple implants in the edentulous arch: a systematic review · The International Journal of Oral & Maxillofacial Implants (Baig, 2014)
- Accuracy of impression techniques with maxillary angled implants using trays and multifunctional guides · The International Journal of Oral & Maxillofacial Implants (Araújo et al., 2021)
- A completely digital workflow for the transition from a failed dentition to interim complete-arch fixed implant-supported prostheses: a clinical report · The Journal of Prosthetic Dentistry (Negreiros, Hamilton e Gallucci, 2022)
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