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Conteúdo técnico · Prótese sobre implante

Ti-base ou pilar personalizado: o que muda no pedido

Coroa parafusada sobre base de titânio ou cimentada sobre pilar personalizado: sobrevida, gengiva, altura da base e o que escrever no pedido ao laboratório.

Por Equipe técnica Smile Digital LabPublicado em 6 min de leitura

Resposta curta

A coroa sobre Ti-base é colada a uma base de titânio fora da boca e parafusada no implante, sem cimento no sulco. O pilar personalizado é desenhado para o caso e recebe uma coroa cimentada, com a margem onde você definir. Numa revisão de 2023 com 857 próteses unitárias, a Ti-base teve 98,6% de sobrevida em um ano.

O que diferencia a Ti-base do pilar personalizado?

A Ti-base (base de titânio) é um componente pré-fabricado: embaixo, a conexão do implante; em cima, uma haste curta onde a peça de cerâmica é colada. O pilar personalizado é desenhado no CAD para aquele implante, com o perfil de emergência e a margem definidos no caso, e sai fresado em titânio ou em zircônia colada sobre uma Ti-base.

A diferença que pesa no pedido é quantas peças vão para a boca e onde fica o cimento. O consenso do ITI de 2013 descreve as duas montagens da prótese parafusada: o pilar pode ser separado da coroa, em duas peças, ou unido a ela na fabricação, em peça única. A coroa sobre Ti-base é a peça única; o pilar personalizado com coroa cimentada é a montagem em duas peças.

opçãocomo é feitacomo fica na bocaonde fica o cimentoo que a evidência mostra
Coroa parafusada sobre Ti-basecoroa de zircônia ou de dissilicato colada à Ti-base fora da bocaparafusada, pelo acesso da coroana junção coroa–base, feita fora da boca98,6% de sobrevida em 1 ano em 857 próteses (Chantler, 2023); 93,5% a 95,9% estimados em 10 anos, em 601 coroas posteriores (Graf, 2024)
Pilar personalizado sobre Ti-base, com coroa cimentadamesoestrutura de zircônia colada à Ti-base; a coroa é outra peçapilar parafusado, coroa cimentada sobre elena margem que você definirentra na conta das restaurações sobre Ti-base (Chantler, 2023); sem estudo próprio de longo prazo
Pilar personalizado em titânio, com coroa cimentadapilar fresado numa peça só, de titâniopilar parafusado, coroa cimentada sobre elena margem que você definirtecido mole igual ao do pilar pré-fabricado em 12 meses (Lops, 2023)
Pilar pré-fabricado, com coroa cimentadapilar de estoque do sistema, preparado ou nãopilar parafusado, coroa cimentada sobre elena altura que o pilar de estoque permitetecido mole igual ao do pilar personalizado em 12 meses (Lops, 2023)

Os estudos clínicos ainda são curtos: o acompanhamento médio na revisão de Chantler foi de 31 meses, e o mais longo, o de Graf, é retrospectivo. Entre as quatro montagens, a escolha é do seu planejamento.

A coroa sobre Ti-base dura tanto quanto a cimentada?

A coroa parafusada sobre Ti-base teve sobrevida igual à das outras opções nos estudos disponíveis, pelo menos no curto e no médio prazo. Na revisão sistemática de Chantler e colegas (Clinical Oral Implants Research, 2023), 857 próteses unitárias sobre Ti-base tiveram 98,6% de sobrevida em um ano. Na meta-análise de seis ensaios randomizados da mesma revisão, a sobrevida não diferiu da dos outros pilares.

Zhang e colegas (Journal of Prosthodontic Research, 2024) olharam só a coroa e o pilar em peça única. Em 20 estudos, a sobrevida em um ano foi de 100%, sem diferença para a coroa cimentada nas comparações diretas, e a incidência estimada de complicações ficou abaixo de 1%.

O dado mais longo é retrospectivo. Graf e colegas (Clinical Oral Implants Research, 2024) acompanharam 601 coroas posteriores parafusadas sobre Ti-base, de 3 a 12,9 anos. A sobrevida estimada em 10 anos foi de 93,5% no dissilicato de lítio monolítico e de 95,9% na zircônia com cerâmica de cobertura, que teve mais complicações. Coroas mais altas tiveram sobrevida menor.

A Ti-base muda o osso e a gengiva em volta do implante?

A Ti-base mudou muito pouco o osso, e o pilar personalizado não mudou a gengiva nos estudos que mediram. Liu, Chiam e Wang (International Journal of Oral & Maxillofacial Implants, 2024) reuniram seis ensaios randomizados com 274 implantes. A Ti-base teve 0,088 mm a mais de perda óssea marginal que o pilar de peça única, sem diferença de profundidade de sondagem, sangramento ou complicação protética. Os próprios autores consideram a evidência insuficiente.

Do lado do tecido mole, Lops e colegas (Journal of Clinical Medicine, 2023) compararam pilares CAD/CAM e pré-fabricados na região estética, em seis estudos com 230 implantes. Em 12 meses, recessão vestibular, papila e escore estético rosa não diferiram. O que leva ao pilar personalizado, então, é a geometria do caso: onde fica a margem, de onde sai o acesso e quanto contorno a gengiva pede.

Quando o pilar personalizado entra no lugar da Ti-base?

O pilar personalizado com coroa cimentada entra quando o acesso do parafuso sairia numa face visível, quando a margem precisa ficar numa altura que a Ti-base não alcança ou quando você quer a face oclusal inteira. São as situações em que o consenso do ITI de 2013 recomenda a retenção por cimento, sempre com margem no nível da mucosa ou acima dela e com cautela na cimentação.

Há uma terceira via para o implante inclinado: o canal de parafuso angulado, que mantém a coroa parafusada. A meta-análise de Atieh e colegas (Journal of Esthetic and Restorative Dentistry, 2025) reuniu quatro estudos e 167 coroas fora da região de molares. O resultado foi comparável ao da coroa cimentada, com menos sangramento à sondagem. O acompanhamento ainda é curto, e o recurso depende de o sistema do implante ter o componente.

O cimento esquecido no sulco e a profundidade da margem estão no artigo coroa parafusada ou cimentada, que compara as duas retenções com os números.

A altura da Ti-base importa?

A altura da Ti-base importa para a coroa colada nela. Ntovas e colegas (Clinical Oral Implants Research, 2024) revisaram os estudos de laboratório sobre a cimentação de próteses CAD/CAM em Ti-bases, e a altura da base foi o fator que mais pesou na retenção. O jateamento ajudou em bases de pelo menos 3,5 mm sem microrretenções, e os autores pedem protocolo de cimentação validado.

As Ti-bases vêm em alturas de cinta e de haste diferentes, conforme o sistema. Se a mucosa é alta ou o espaço até o antagonista é curto, diga no pedido. As duas medidas definem a base e a proporção entre base e coroa, e no estudo de Graf a coroa mais alta durou menos.

O que escrever no pedido ao laboratório?

O pedido precisa dizer qual montagem você quer e dar ao laboratório o que o arquivo não mostra. Informe:

  • coroa parafusada sobre Ti-base, pilar personalizado com coroa cimentada ou pilar de estoque com coroa cimentada;
  • marca, sistema e plataforma do implante, e a marca e o modelo do scan body usado;
  • a altura de cinta que você quer, ou a espessura da mucosa, quando a mediu;
  • na coroa cimentada, a altura da margem em relação à mucosa;
  • se o acesso sair na vestibular, o que fazer: cimentar sobre pilar ou usar canal angulado, se o sistema tiver.

No Smile Digital Lab, os componentes de implante são Neodent e Titaniumfix, os dois nacionais. Na chegada, conferimos se o componente do seu caso está em estoque antes de seguir, e, se o seu sistema for outro, a conversa é antes do envio. A página da coroa de zircônia sobre implante mostra como a coroa é produzida. O artigo por que coroas sobre implante voltam explica o custo da plataforma errada no pedido, e o guia de escaneamento intraoral mostra como capturar o scan body.

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Perguntas frequentes

A coroa sobre Ti-base é parafusada ou cimentada?

As duas coisas, em momentos diferentes. A coroa é cimentada na Ti-base fora da boca, e o conjunto é parafusado no implante. Por isso não fica cimento no sulco, e a coroa sai pelo acesso do parafuso quando precisar de manutenção.

Pilar personalizado deixa a gengiva melhor que o pilar de estoque?

Nos estudos publicados até aqui, não houve diferença medida. Uma meta-análise de 2023 com 230 implantes na região estética não encontrou diferença de recessão vestibular, papila ou escore estético rosa em 12 meses entre pilares CAD/CAM e pré-fabricados. Os autores recomendam decidir caso a caso.

A Ti-base aumenta a perda óssea em volta do implante?

Muito pouco, pelo que se mediu. Numa meta-análise de 2024 com seis ensaios randomizados e 274 implantes, a Ti-base teve 0,088 mm a mais de perda óssea marginal que o pilar de peça única, sem diferença de sangramento, bolsa ou complicação protética. Os autores consideram a evidência insuficiente.

Com que componentes de implante vocês trabalham?

Os componentes de implante do laboratório são Neodent e Titaniumfix, os dois nacionais. Informe marca, sistema e plataforma do implante no pedido. Se o seu sistema for outro, fale com a gente antes de enviar, para confirmar o componente do caso.

Fontes

  1. Clinical performance of single implant prostheses restored using titanium base abutments — a systematic review and meta-analysis · Clinical Oral Implants Research (Chantler et al., 2023)
  2. Clinical performance of implant-supported single hybrid abutment crown restoration — a systematic review and meta-analysis · Journal of Prosthodontic Research (Zhang et al., 2024)
  3. Clinical performance and risk factors of all-ceramic screw-retained implant crowns in the posterior region based on a retrospective investigation · Clinical Oral Implants Research (Graf et al., 2024)
  4. Influence of Ti-base-supported implant restoration on peri-implant conditions — a systematic review and meta-analysis · The International Journal of Oral & Maxillofacial Implants (Liu, Chiam e Wang, 2024)
  5. CAD/CAM abutments in the esthetic zone — a systematic review and meta-analysis of soft tissue stability · Journal of Clinical Medicine (Lops et al., 2023)
  6. In vitro assessment of cementation of CAD/CAM fabricated prostheses over titanium bases — a systematic review · Clinical Oral Implants Research (Ntovas et al., 2024)
  7. Clinical performance of screw- versus cement-retained implant-supported fixed reconstructions (consensus statement) · ITI Academy (5ª Conferência de Consenso, 2013)
  8. Angled screw channel-retained vs. cement-retained implant crowns in nonmolar sites — a systematic review and meta-analysis · Journal of Esthetic and Restorative Dentistry (Atieh et al., 2025)

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