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Ti-base ou pilar personalizado: o que muda no pedido
Coroa parafusada sobre base de titânio ou cimentada sobre pilar personalizado: sobrevida, gengiva, altura da base e o que escrever no pedido ao laboratório.
Resposta curta
A coroa sobre Ti-base é colada a uma base de titânio fora da boca e parafusada no implante, sem cimento no sulco. O pilar personalizado é desenhado para o caso e recebe uma coroa cimentada, com a margem onde você definir. Numa revisão de 2023 com 857 próteses unitárias, a Ti-base teve 98,6% de sobrevida em um ano.
O que diferencia a Ti-base do pilar personalizado?
A Ti-base (base de titânio) é um componente pré-fabricado: embaixo, a conexão do implante; em cima, uma haste curta onde a peça de cerâmica é colada. O pilar personalizado é desenhado no CAD para aquele implante, com o perfil de emergência e a margem definidos no caso, e sai fresado em titânio ou em zircônia colada sobre uma Ti-base.
A diferença que pesa no pedido é quantas peças vão para a boca e onde fica o cimento. O consenso do ITI de 2013 descreve as duas montagens da prótese parafusada: o pilar pode ser separado da coroa, em duas peças, ou unido a ela na fabricação, em peça única. A coroa sobre Ti-base é a peça única; o pilar personalizado com coroa cimentada é a montagem em duas peças.
| opção | como é feita | como fica na boca | onde fica o cimento | o que a evidência mostra |
|---|---|---|---|---|
| Coroa parafusada sobre Ti-base | coroa de zircônia ou de dissilicato colada à Ti-base fora da boca | parafusada, pelo acesso da coroa | na junção coroa–base, feita fora da boca | 98,6% de sobrevida em 1 ano em 857 próteses (Chantler, 2023); 93,5% a 95,9% estimados em 10 anos, em 601 coroas posteriores (Graf, 2024) |
| Pilar personalizado sobre Ti-base, com coroa cimentada | mesoestrutura de zircônia colada à Ti-base; a coroa é outra peça | pilar parafusado, coroa cimentada sobre ele | na margem que você definir | entra na conta das restaurações sobre Ti-base (Chantler, 2023); sem estudo próprio de longo prazo |
| Pilar personalizado em titânio, com coroa cimentada | pilar fresado numa peça só, de titânio | pilar parafusado, coroa cimentada sobre ele | na margem que você definir | tecido mole igual ao do pilar pré-fabricado em 12 meses (Lops, 2023) |
| Pilar pré-fabricado, com coroa cimentada | pilar de estoque do sistema, preparado ou não | pilar parafusado, coroa cimentada sobre ele | na altura que o pilar de estoque permite | tecido mole igual ao do pilar personalizado em 12 meses (Lops, 2023) |
Os estudos clínicos ainda são curtos: o acompanhamento médio na revisão de Chantler foi de 31 meses, e o mais longo, o de Graf, é retrospectivo. Entre as quatro montagens, a escolha é do seu planejamento.
A coroa sobre Ti-base dura tanto quanto a cimentada?
A coroa parafusada sobre Ti-base teve sobrevida igual à das outras opções nos estudos disponíveis, pelo menos no curto e no médio prazo. Na revisão sistemática de Chantler e colegas (Clinical Oral Implants Research, 2023), 857 próteses unitárias sobre Ti-base tiveram 98,6% de sobrevida em um ano. Na meta-análise de seis ensaios randomizados da mesma revisão, a sobrevida não diferiu da dos outros pilares.
Zhang e colegas (Journal of Prosthodontic Research, 2024) olharam só a coroa e o pilar em peça única. Em 20 estudos, a sobrevida em um ano foi de 100%, sem diferença para a coroa cimentada nas comparações diretas, e a incidência estimada de complicações ficou abaixo de 1%.
O dado mais longo é retrospectivo. Graf e colegas (Clinical Oral Implants Research, 2024) acompanharam 601 coroas posteriores parafusadas sobre Ti-base, de 3 a 12,9 anos. A sobrevida estimada em 10 anos foi de 93,5% no dissilicato de lítio monolítico e de 95,9% na zircônia com cerâmica de cobertura, que teve mais complicações. Coroas mais altas tiveram sobrevida menor.
A Ti-base muda o osso e a gengiva em volta do implante?
A Ti-base mudou muito pouco o osso, e o pilar personalizado não mudou a gengiva nos estudos que mediram. Liu, Chiam e Wang (International Journal of Oral & Maxillofacial Implants, 2024) reuniram seis ensaios randomizados com 274 implantes. A Ti-base teve 0,088 mm a mais de perda óssea marginal que o pilar de peça única, sem diferença de profundidade de sondagem, sangramento ou complicação protética. Os próprios autores consideram a evidência insuficiente.
Do lado do tecido mole, Lops e colegas (Journal of Clinical Medicine, 2023) compararam pilares CAD/CAM e pré-fabricados na região estética, em seis estudos com 230 implantes. Em 12 meses, recessão vestibular, papila e escore estético rosa não diferiram. O que leva ao pilar personalizado, então, é a geometria do caso: onde fica a margem, de onde sai o acesso e quanto contorno a gengiva pede.
Quando o pilar personalizado entra no lugar da Ti-base?
O pilar personalizado com coroa cimentada entra quando o acesso do parafuso sairia numa face visível, quando a margem precisa ficar numa altura que a Ti-base não alcança ou quando você quer a face oclusal inteira. São as situações em que o consenso do ITI de 2013 recomenda a retenção por cimento, sempre com margem no nível da mucosa ou acima dela e com cautela na cimentação.
Há uma terceira via para o implante inclinado: o canal de parafuso angulado, que mantém a coroa parafusada. A meta-análise de Atieh e colegas (Journal of Esthetic and Restorative Dentistry, 2025) reuniu quatro estudos e 167 coroas fora da região de molares. O resultado foi comparável ao da coroa cimentada, com menos sangramento à sondagem. O acompanhamento ainda é curto, e o recurso depende de o sistema do implante ter o componente.
O cimento esquecido no sulco e a profundidade da margem estão no artigo coroa parafusada ou cimentada, que compara as duas retenções com os números.
A altura da Ti-base importa?
A altura da Ti-base importa para a coroa colada nela. Ntovas e colegas (Clinical Oral Implants Research, 2024) revisaram os estudos de laboratório sobre a cimentação de próteses CAD/CAM em Ti-bases, e a altura da base foi o fator que mais pesou na retenção. O jateamento ajudou em bases de pelo menos 3,5 mm sem microrretenções, e os autores pedem protocolo de cimentação validado.
As Ti-bases vêm em alturas de cinta e de haste diferentes, conforme o sistema. Se a mucosa é alta ou o espaço até o antagonista é curto, diga no pedido. As duas medidas definem a base e a proporção entre base e coroa, e no estudo de Graf a coroa mais alta durou menos.
O que escrever no pedido ao laboratório?
O pedido precisa dizer qual montagem você quer e dar ao laboratório o que o arquivo não mostra. Informe:
- coroa parafusada sobre Ti-base, pilar personalizado com coroa cimentada ou pilar de estoque com coroa cimentada;
- marca, sistema e plataforma do implante, e a marca e o modelo do scan body usado;
- a altura de cinta que você quer, ou a espessura da mucosa, quando a mediu;
- na coroa cimentada, a altura da margem em relação à mucosa;
- se o acesso sair na vestibular, o que fazer: cimentar sobre pilar ou usar canal angulado, se o sistema tiver.
No Smile Digital Lab, os componentes de implante são Neodent e Titaniumfix, os dois nacionais. Na chegada, conferimos se o componente do seu caso está em estoque antes de seguir, e, se o seu sistema for outro, a conversa é antes do envio. A página da coroa de zircônia sobre implante mostra como a coroa é produzida. O artigo por que coroas sobre implante voltam explica o custo da plataforma errada no pedido, e o guia de escaneamento intraoral mostra como capturar o scan body.
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Criar conta no portalPerguntas frequentes
A coroa sobre Ti-base é parafusada ou cimentada?
As duas coisas, em momentos diferentes. A coroa é cimentada na Ti-base fora da boca, e o conjunto é parafusado no implante. Por isso não fica cimento no sulco, e a coroa sai pelo acesso do parafuso quando precisar de manutenção.
Pilar personalizado deixa a gengiva melhor que o pilar de estoque?
Nos estudos publicados até aqui, não houve diferença medida. Uma meta-análise de 2023 com 230 implantes na região estética não encontrou diferença de recessão vestibular, papila ou escore estético rosa em 12 meses entre pilares CAD/CAM e pré-fabricados. Os autores recomendam decidir caso a caso.
A Ti-base aumenta a perda óssea em volta do implante?
Muito pouco, pelo que se mediu. Numa meta-análise de 2024 com seis ensaios randomizados e 274 implantes, a Ti-base teve 0,088 mm a mais de perda óssea marginal que o pilar de peça única, sem diferença de sangramento, bolsa ou complicação protética. Os autores consideram a evidência insuficiente.
Com que componentes de implante vocês trabalham?
Os componentes de implante do laboratório são Neodent e Titaniumfix, os dois nacionais. Informe marca, sistema e plataforma do implante no pedido. Se o seu sistema for outro, fale com a gente antes de enviar, para confirmar o componente do caso.
Fontes
- Clinical performance of single implant prostheses restored using titanium base abutments — a systematic review and meta-analysis · Clinical Oral Implants Research (Chantler et al., 2023)
- Clinical performance of implant-supported single hybrid abutment crown restoration — a systematic review and meta-analysis · Journal of Prosthodontic Research (Zhang et al., 2024)
- Clinical performance and risk factors of all-ceramic screw-retained implant crowns in the posterior region based on a retrospective investigation · Clinical Oral Implants Research (Graf et al., 2024)
- Influence of Ti-base-supported implant restoration on peri-implant conditions — a systematic review and meta-analysis · The International Journal of Oral & Maxillofacial Implants (Liu, Chiam e Wang, 2024)
- CAD/CAM abutments in the esthetic zone — a systematic review and meta-analysis of soft tissue stability · Journal of Clinical Medicine (Lops et al., 2023)
- In vitro assessment of cementation of CAD/CAM fabricated prostheses over titanium bases — a systematic review · Clinical Oral Implants Research (Ntovas et al., 2024)
- Clinical performance of screw- versus cement-retained implant-supported fixed reconstructions (consensus statement) · ITI Academy (5ª Conferência de Consenso, 2013)
- Angled screw channel-retained vs. cement-retained implant crowns in nonmolar sites — a systematic review and meta-analysis · Journal of Esthetic and Restorative Dentistry (Atieh et al., 2025)
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