Conteúdo técnico · Prótese sobre implante
O que é Ti-base (base de titânio) e o que muda no pedido
Ti-base é a base de titânio entre o implante e a coroa fresada. Quanto dura, quando o pilar personalizado é melhor e o que informar no pedido ao laboratório.
Resposta curta
A Ti-base, ou base de titânio, é um pilar pré-fabricado de titânio que encaixa na conexão do implante e recebe, colada por fora, a coroa ou o pilar fresado em zircônia. O conjunto é parafusado no implante. No consenso do ITI de 2023, a sobrevida em um ano das coroas unitárias sobre Ti-base foi semelhante à de outros pilares.
O que é Ti-base?
A Ti-base é um pilar pré-fabricado de titânio que fica entre o implante e a peça fresada no laboratório. A parte de baixo encaixa na conexão do implante e vem usinada pelo fabricante do sistema; a de cima recebe a coroa ou o pilar de zircônia, colados por fora. Um parafuso passa por dentro e prende o conjunto ao implante.
Duas medidas da base importam para o caso. A altura de cinta é a faixa de titânio que atravessa a gengiva; a área de colagem é a parte que entra na coroa. O consenso do ITI de 2023 registra que os desenhos variam muito em altura transmucosa, largura e contorno, e que os dados atuais não dão regra firme para escolher entre eles.
Na literatura, o conjunto tem dois nomes. Com uma peça de zircônia colada na base e a coroa cimentada por cima, é um pilar híbrido. Com a própria coroa colada na base e parafusada direto no implante, é uma coroa-pilar híbrida (hybrid abutment crown), que é a forma da coroa de zircônia parafusada sobre implante.
Quanto dura uma coroa sobre Ti-base?
A coroa unitária sobre Ti-base tem sobrevida de curto prazo semelhante à de coroas sobre outros pilares: é a primeira afirmação do consenso do ITI de 2023, apoiada numa meta-análise de seis ensaios clínicos randomizados. Na revisão de base, de Chantler e colaboradores (Clinical Oral Implants Research, 2023), 857 próteses unitárias sobre Ti-base tiveram sobrevida estimada de 98,6% em um ano, com acompanhamento médio de 31,2 meses.
Zhang e colaboradores (Journal of Prosthodontic Research, 2024) olharam só para a coroa-pilar híbrida parafusada. Em 20 estudos, a sobrevida em um ano foi de 100% e o sucesso, de 99%, com complicações abaixo de 1%. Os dois grupos de autores pedem estudos de cinco anos ou mais antes de qualquer conclusão de longo prazo.
Do lado biológico, a diferença é pequena. Liu, Chiam e Wang (The International Journal of Oral & Maxillofacial Implants, 2024) reuniram seis ensaios randomizados com 274 implantes. Com a Ti-base, a perda óssea marginal foi 0,088 mm maior que com o pilar de peça única, sem diferença em sondagem, sangramento ou complicação protética. Os autores consideram a evidência insuficiente para atribuir efeito à base.
Qual é a complicação mais comum da Ti-base?
A complicação técnica mais relatada na coroa sobre Ti-base é a peça fresada se soltar da base, segundo o consenso do ITI de 2023, que classifica as complicações técnicas como pouco frequentes. Por isso o consenso recomenda aproveitar ao máximo a retenção que o espaço protético permite: altura e forma da área de colagem, elementos de resistência e o protocolo de cimentação adesiva.
A altura é o que mais pesa. Ntovas e colaboradores (Clinical Oral Implants Research, 2024) revisaram os estudos de laboratório sobre colagem em Ti-base e apontaram a altura da base como o fator dominante. É dela que depende o efeito de qualquer tratamento de superfície: em bases sem microrretenção, o jateamento ajudou a reter a coroa quando a base tinha pelo menos 3,5 mm de altura.
Na prática, isso é espaço. Uma coroa posterior baixa sobre uma base curta tem pouca área de colagem; quando o espaço vertical é pequeno, vale discutir a base e o desenho na abertura do caso, antes da fresagem.
Ti-base ou pilar personalizado: quando usar cada um?
A Ti-base padrão serve quando o formato dela permite um perfil de emergência adequado e retenção suficiente para a coroa. Quando não permite, o consenso do ITI de 2023 recomenda o pilar personalizado. O mesmo texto pede que o pilar seja escolhido no planejamento, antes da instalação do implante, e confirmado depois que a gengiva amadurece.
| opção | como é | quando faz sentido | o que a evidência mostra |
|---|---|---|---|
| Coroa-pilar híbrida sobre Ti-base | coroa de zircônia colada na base, parafusada no implante | acesso do parafuso numa face aceitável; base que permite o perfil de emergência | 100% de sobrevida em um ano em 20 estudos (Zhang, 2024) |
| Pilar híbrido sobre Ti-base, coroa cimentada | pilar de zircônia colado na base; coroa cimentada sobre ele | acesso do parafuso que sairia numa face visível | o consenso do ITI trata as próteses unitárias sobre Ti-base em conjunto; o cimento residual entra na conta |
| Pilar personalizado | pilar desenhado para aquele implante e aquela gengiva | base padrão sem perfil de emergência ou sem retenção suficiente (ITI, 2023) | nos seis ensaios do ITI, sobrevida em um ano semelhante à da Ti-base |
Os estudos de Ti-base ainda são de curto prazo, e nenhum deles decide o caso por você. Se a dúvida é entre parafusar e cimentar, os números estão no artigo coroa parafusada ou cimentada.
A Ti-base serve para ponte e protocolo?
A Ti-base serve para prótese múltipla na versão não indexada, sem trava de rotação. A base de coroa unitária é indexada: encaixa no antirrotacional da conexão para a coroa não girar. Em prótese múltipla, ou com implantes não paralelos, a base indexada deixa de ser opção, como lembram De Angelis e colaboradores (Dentistry Journal, 2025).
No estudo deles, 40 próteses múltiplas parafusadas sobre bases não indexadas, sozinhas ou combinadas com indexadas e com multiunit, ficaram em média 2,17 anos em função. A sobrevida foi de 100%, e a taxa de complicação técnica, de 5%.
No protocolo, a base também pode ir sobre o pilar multiunit em vez de direto no implante: no protocolo de trabalho da linha GM, a Neodent lista uma base de titânio própria para o mini pilar cônico. Rosa, Gargari e Martelli (Dental and Medical Problems, 2026) compararam próteses parafusadas de zircônia sobre Ti-base e sobre multiunit em 10 estudos, com 684 implantes. A perda óssea marginal média foi de 0,68 mm, sem diferença entre os dois. O que é o multiunit e quando ele entra está em o que é multiunit.
O que escrever no pedido ao laboratório?
Para uma coroa sobre Ti-base, o pedido precisa identificar a conexão do implante e dizer como a coroa vai presa. Informe:
- marca, linha e plataforma do implante, como estão na etiqueta, e não só a marca;
- coroa parafusada direto na base (coroa-pilar híbrida) ou cimentada sobre pilar híbrido;
- a altura de cinta planejada para a base, ou que ela ainda está em aberto;
- unitária, com base indexada, ou ponte, com base não indexada;
- o scan body usado no escaneamento, ou o transferente na moldagem;
- o que fazer se o acesso do parafuso cair na face vestibular: cimentar sobre pilar ou usar canal angulado, se o sistema tiver.
Os componentes que usamos são Neodent e Titaniumfix, nacionais, e na chegada conferimos se o componente do seu caso está em estoque. A coroa em si está na página da coroa de zircônia sobre implante, e o que muda entre as próteses sobre implante, em prótese sobre implante. A lista completa de arquivos está no guia de envio de caso.
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Criar conta no portalPerguntas frequentes
Ti-base e pilar híbrido são a mesma coisa?
Quase. A Ti-base é só a peça de titânio. Com uma peça de zircônia colada sobre ela e a coroa cimentada por cima, o conjunto é um pilar híbrido. Com a própria coroa colada na base e parafusada no implante, a literatura chama o conjunto de coroa-pilar híbrida.
Coroa sobre Ti-base é parafusada ou cimentada?
As duas coisas, em momentos diferentes. A coroa é colada na base fora da boca, e o conjunto entra parafusado no implante. Na boca, a retenção é por parafuso, sem cimento para limpar no sulco. Os números de cada tipo de retenção estão no artigo sobre coroa parafusada ou cimentada.
Posso usar Ti-base de outra marca no meu implante?
A base precisa casar com a conexão do implante; o caminho mais seguro é a do próprio sistema ou uma que o fabricante declare compatível com aquela plataforma. Os componentes que usamos são Neodent e Titaniumfix, nacionais. Se o seu implante é de outro sistema, fale com a gente antes de enviar.
Que altura de Ti-base escolher?
Nos implantes de nível ósseo com conexão cônica, o consenso do ITI de 2023 recomenda a altura que deixa o ombro da base abaixo da mucosa, a uma distância segura do osso, com espaço para o perfil de emergência. A escolha é sua; diga no pedido a altura planejada ou que ela ainda está em aberto.
Fontes
- Clinical performance of single implant prostheses restored using titanium base abutments (consensus statement) · ITI Academy (7ª Conferência de Consenso, 2023)
- Clinical performance of single implant prostheses restored using titanium base abutments: a systematic review and meta-analysis · Clinical Oral Implants Research (Chantler et al., 2023)
- Clinical performance of implant-supported single hybrid abutment crown restoration: a systematic review and meta-analysis · Journal of Prosthodontic Research (Zhang et al., 2024)
- Influence of Ti-base-supported implant restoration on peri-implant conditions: a systematic review and meta-analysis · The International Journal of Oral & Maxillofacial Implants (Liu, Chiam e Wang, 2024)
- In vitro assessment of cementation of CAD/CAM fabricated prostheses over titanium bases. A systematic review · Clinical Oral Implants Research (Ntovas et al., 2024)
- Retrospective clinical evaluation of non-engaging abutments used for multi-unit screw-retained fixed prosthesis · Dentistry Journal (De Angelis et al., 2025)
- Marginal bone loss in screw-retained zirconia fixed prostheses supported by Ti-base or multi-unit abutments: a systematic review and meta-analysis · Dental and Medical Problems (Rosa, Gargari e Martelli, 2026)
- Um sorriso para todos: Neodent NeoArch, solução fixa imediata para arco total (protocolo de trabalho) · Neodent (2022)
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