Guia · Prótese sobre implante
Prótese e peri-implantite: perfil de emergência e higiene
Como o desenho da prótese sobre implante pesa na peri-implantite (ângulo de emergência, perfil, acesso à higiene, cimento) e o que pedir ao laboratório.
Resposta curta
O desenho da prótese sobre implante pesa no risco de peri-implantite: ângulo de emergência acima de 30° com perfil convexo, em implante de nível ósseo, e falta de acesso à higiene se associaram a mais doença em estudos transversais e no consenso da EAO de 2021. O contorno que ajuda é reto ou côncavo e deixa a escova passar.
Passo a passo
- 01
Meça o ângulo de emergência na periapical
Na radiografia periapical, trace uma linha paralela ao longo eixo do implante e a tangente ao perfil da peça, na mesial e na distal. Anote o ângulo e se o perfil é côncavo, reto ou convexo.
- 02
Sonde sem a prótese quando ela é parafusada
Remova a coroa ou a ponte parafusada e sonde de novo, registrando sangramento e supuração. Sem a prótese, a sonda chega mais fundo e o diagnóstico fica mais preciso.
- 03
Procure cimento na coroa cimentada
Em coroa cimentada com margem abaixo da mucosa, procure resíduo de cimento ao redor de toda a margem, incluindo vestibular e lingual, onde a radiografia periapical enxerga mal.
- 04
Teste o acesso à higiene
Passe a escova interdental junto ao pilar, pela vestibular e pela lingual. Em ponte esplintada, confira com atenção o implante do meio, unido aos dois vizinhos.
- 05
Decida o que muda na prótese
Se o contorno está sobre-estendido ou sem acesso, planeje a peça nova junto com o tratamento: perfil reto ou côncavo, ângulo de até 30° no nível ósseo e pilar mais alto quando a profundidade do implante permite.
- 06
Mande ao laboratório a referência e o pedido
Escaneie com scan body e escaneie a peça atual. Informe marca, plataforma, se o implante é de nível ósseo ou de tecido e a profundidade em relação à mucosa, e escreva o perfil que você quer.
Que desenho de prótese aumenta o risco de peri-implantite?
O desenho que aparece ligado a mais peri-implantite é o sobrecontorno: ângulo de emergência acima de 30° com perfil convexo, em implante de nível ósseo, e prótese que não deixa higienizar. O grupo 3 da 6ª Conferência de Consenso da EAO (Clinical Oral Implants Research, 2021) concluiu que sobrecontorno e acesso restrito à higiene aumentam o risco.
O número de referência vem de Katafuchi e colaboradores (Journal of Clinical Periodontology, 2018), com 168 implantes acompanhados por cerca de 11 anos. No nível ósseo, a peri-implantite chegou a 31,3% com ângulo acima de 30°, contra 15,1% com ângulo de até 30°, e a 37,8% quando o ângulo largo vinha com perfil convexo. No nível de tecido, a relação não apareceu.
Yi e colaboradores (Journal of Clinical Periodontology, 2020) repetiram o achado em 349 implantes e acrescentaram outro: o implante do meio, esplintado aos dois vizinhos, teve mais peri-implantite. Raabe e colaboradores (Clinical Oral Implants Research, 2026) avaliaram 332 implantes unitários depois de 11,2 anos em média. Ângulos acima de 30° no nível ósseo e acima de 48° no nível de tecido se associaram à doença.
São estudos transversais e retrospectivos: mostram associação, não causa. A revisão sistemática de Soulami, Slot e van der Weijden (Clinical and Experimental Dental Research, 2022) achou só três estudos elegíveis e pede cautela.
Como medir o ângulo de emergência?
O ângulo de emergência se mede na radiografia periapical, entre uma linha paralela ao longo eixo do implante e a tangente ao perfil da restauração, na mesial e na distal. Foi assim nos três estudos reunidos por Soulami e colaboradores (2022), que classificaram o perfil em reto, côncavo ou convexo.
O limite de 30° vale para implante de nível ósseo. No nível de tecido, Katafuchi não achou relação, e Raabe a viu acima de 48°. Por isso o tipo de implante vai no pedido: o limite muda com ele.
Que outros detalhes da prótese pesam no risco?
Pesam também o cimento residual, a altura do pilar e a esplintagem. Staubli e colaboradores revisaram 1.010 restaurações cimentadas (Clinical Oral Implants Research, 2017). O excesso de cimento foi apontado como possível indicador de risco, mais frequente quando o tecido cicatrizou por menos de quatro semanas, e os autores recomendam margem na altura da mucosa, com acesso para remover o cimento.
A revisão sistemática da AO e da AAP de Lin e colaboradores (Journal of Periodontology, 2025) reuniu 93 estudos. Pilares de 2 mm ou mais e implantes não esplintados tiveram menos perda óssea marginal; parafusada e cimentada não diferiram. Ângulo abaixo de 30° e perfil reto ou côncavo se associaram a menos peri-implantite, com dois estudos para cada achado.
Que sinais apontam a causa, e o que fazer?
As causas abaixo vêm de estudos sobre contorno, acesso e retenção da prótese. Cada linha traz o que você vê no exame e o que muda na peça; a decisão de tratar e de refazer é sua.
| causa | sinal | o que fazer | fonte |
|---|---|---|---|
| Ângulo acima de 30° com perfil convexo, nível ósseo | sangramento, bolsa e perda óssea sob coroa volumosa | refazer com perfil reto ou côncavo e ângulo de até 30° | Katafuchi e colaboradores, 2018; Lin e colaboradores, 2025 |
| Ângulo muito largo em implante de nível de tecido | inflamação sob coroa com emergência larga | refazer com ângulo menor, conforme a profundidade permite | Raabe e colaboradores, 2026 |
| Sem acesso à higiene | placa e sangramento onde a escova não passa | abrir ameias e acesso no desenho | Schwarz e colaboradores, 2021 |
| Cimento residual | sangramento ou supuração em coroa cimentada com margem profunda | remover o cimento; margem na altura da mucosa ou peça parafusada | Staubli e colaboradores, 2017 |
| Implante esplintado aos dois vizinhos | mais doença no implante do meio | separar as peças ou abrir acesso entre elas | Yi e colaboradores, 2020 |
| Pilar baixo | perda óssea marginal maior | pilar de 2 mm ou mais quando a profundidade permite | Lin e colaboradores, 2025 |
Mudar a prótese ajuda a tratar a doença?
Mudar o contorno ajuda como parte do tratamento, não no lugar dele. Na revisão crítica de Mattheos e colaboradores (Clinical Oral Implants Research, 2021), modificar o contorno da prótese foi um complemento eficaz do tratamento anti-infeccioso da mucosite peri-implantar. O mesmo texto mostra que sulco de 3 mm ou mais reduz o efeito desse tratamento.
A prótese é um fator entre outros. Na revisão de Schwarz e colaboradores (Journal of Clinical Periodontology, 2018), a evidência forte de risco está na história de periodontite, no controle de placa ruim e na falta de manutenção. Cimento submucoso, falta de mucosa queratinizada e implante em posição que dificulta a higiene têm evidência limitada.
O que informar ao laboratório no pedido?
Para o laboratório desenhar um perfil que favoreça o tecido, informe marca e plataforma, se o implante é de nível ósseo ou de tecido, a profundidade dele em relação à mucosa e o perfil que você quer. Se a provisória já condicionou o tecido, escaneie o perfil dela: é a referência que a coroa definitiva vai seguir.
Quando o contorno é decisivo, peça para ver o desenho antes da fresagem: o caso para na fase Aprovação e só segue depois da sua resposta. A escolha entre parafusada e cimentada está no artigo coroa parafusada ou cimentada, e a provisória que condiciona o tecido, em provisórios de PMMA fresados.
Quem desenha a prótese sobre implante no Smile Digital Lab?
O Smile Digital Lab, laboratório digital de próteses para reabilitação oral em São Paulo, desenha e fresa coroas, provisórias e protocolos sobre implante, com componentes Neodent e Titaniumfix. Conferimos cada caso na chegada e em oito pontos antes de sair, e cada etapa fica registrada. O catálogo completo está em prótese sobre implante; no protocolo, a base da prótese tem um guia próprio, sobre o protocolo que acumula comida.
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Criar conta no portalPerguntas frequentes
Qual ângulo de emergência pedir ao laboratório?
Para implante de nível ósseo, até 30°, com perfil reto ou côncavo, foi o que os estudos associaram a menos peri-implantite (Katafuchi, 2018; Lin, 2025). No nível de tecido, o limite descrito é mais largo, acima de 48° em Raabe (2026). A profundidade do implante nem sempre permite; o desenho mostra antes da fresagem.
Coroa parafusada evita peri-implantite?
Na revisão sistemática de Lin e colaboradores (2025), parafusada e cimentada não diferiram na perda óssea marginal. A parafusada não deixa cimento no sulco e sai para a manutenção; o artigo sobre coroa parafusada ou cimentada compara as duas em detalhe.
Esplintar coroas sobre implantes vizinhos aumenta o risco?
Nos dados disponíveis, sim. Em Yi e colaboradores (2020), o implante do meio, unido aos dois vizinhos, teve mais peri-implantite, e na revisão de Lin (2025) os implantes não esplintados perderam menos osso. Quando a esplintagem é necessária, peça ameias que deixem a escova passar.
Fontes
- Restoration contour is a risk indicator for peri-implantitis: a cross-sectional radiographic analysis · Journal of Clinical Periodontology (Katafuchi et al., 2018)
- Association of prosthetic features and peri-implantitis: a cross-sectional study · Journal of Clinical Periodontology (Yi et al., 2020)
- Association of transmucosal emergence geometry and peri-implant diseases prevalence around bone- and tissue-level implants: a cross-sectional study · Clinical Oral Implants Research (Raabe et al., 2026)
- Implant-abutment emergence angle and profile in relation to peri-implantitis: a systematic review · Clinical and Experimental Dental Research (Soulami, Slot e van der Weijden, 2022)
- Peri-implantitis: summary and consensus statements of group 3. The 6th EAO Consensus Conference 2021 · Clinical Oral Implants Research (Schwarz et al., 2021)
- The influence of prosthetic designs on peri-implant bone loss: an AO/AAP systematic review and meta-analysis · Journal of Periodontology (Lin et al., 2025)
- Impact of design elements of the implant supracrestal complex (ISC) on the risk of peri-implant mucositis and peri-implantitis: a critical review · Clinical Oral Implants Research (Mattheos et al., 2021)
- Peri-implantitis · Journal of Clinical Periodontology (Schwarz, Derks, Monje e Wang, 2018)
- Excess cement and the risk of peri-implant disease - a systematic review · Clinical Oral Implants Research (Staubli et al., 2017)
- Diagnostic accuracy of peri-implant probing with or without prostheses in detecting peri-implantitis · Clinical Oral Implants Research (Xu et al., 2026)
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