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Tipos de placa miorrelaxante: Michigan, rígida ou resiliente
Placa miorrelaxante Michigan com guia canino, resiliente, jig ou de reposicionamento: a evidência, superior ou inferior e o que pedir ao laboratório.
Resposta curta
Os tipos de placa miorrelaxante se dividem pelo desenho: a estabilizadora rígida (Michigan), de arcada inteira, com um contato por dente antagonista e guia canino; a resiliente, de silicone; a anterior (jig), que só toca os incisivos; e a de reposicionamento, que leva a mandíbula para a frente. Nenhuma tem evidência forte em DTM ou bruxismo.
Quais são os tipos de placa miorrelaxante?
Os tipos de placa miorrelaxante se distinguem pelo desenho, e o desenho decide o que a placa faz com a oclusão. A revisão Cochrane de Singh e colaboradores (2024) separa as placas pelo modo de ação: estabilizadoras, reflexas e de reposicionamento. No pedido ao laboratório, quatro desenhos aparecem:
| desenho | como é | o que a evidência mostra | atenção |
|---|---|---|---|
| Estabilizadora rígida (Michigan) | arcada inteira, em geral superior; plano liso, um contato por dente antagonista e guia canino (Lukic, 2021) | na DTM muscular, evidência moderada de menos dor contra controle (Al-Moraissi, 2020); certeza muito baixa na Cochrane (Singh, 2024) | é o desenho da maior parte dos estudos; o efeito sobre o desgaste dentário não foi medido (Riley, 2020) |
| Resiliente (silicone) | lâmina macia, termoformada ou impressa em resina flexível; a semirrígida é vendida como hard soft | na DTM muscular, certeza muito baixa (Al-Moraissi, 2020); no bruxismo, não mudou a atividade muscular (Ferreira, 2024) | num estudo de 10 pacientes, aumentou a atividade muscular noturna em 5 (Okeson, 1987) |
| Anterior (jig, desprogramador, NTI) | cobre só os incisivos superiores; os posteriores não se tocam | num estudo com 10 bruxômanos, só ela reduziu a atividade muscular noturna; a Michigan não (Lukic, 2021) | complicações em dentes isolados e na oclusão (Stapelmann e Türp, 2008) |
| Reposicionamento anterior | rampa que leva a mandíbula para a frente, em geral até o topo a topo | na DTM articular, primeira no ranking de dor e melhor que a estabilizadora no estalido, com certeza muito baixa (Al-Moraissi, 2020) | a estabilidade a longo prazo não é boa (Guo, 2021) |
A tabela resume estudos pequenos, curtos e diferentes entre si. O desenho, a indicação e o tempo de uso são decisões suas; o laboratório precisa saber qual desenho você escolheu, em que arcada e em que posição.
O que é a placa Michigan com guia canino?
A placa Michigan é a placa estabilizadora rígida de arcada inteira, em geral desenhada na arcada superior. Na descrição usada por Lukic e colaboradores (Clinical and Experimental Dental Research, 2021), cada dente antagonista faz um contato no plano da placa, e a guia canino conduz os movimentos de lateralidade e de protrusão.
O mesmo estudo mostra o caminho digital: as duas arcadas foram escaneadas, a placa foi desenhada no CAD com contatos distribuídos e guia canino, e fresada num bloco de PMMA. Toda Michigan é uma placa estabilizadora, mas nem toda estabilizadora segue o esquema dela: o que faz a diferença é o esquema de contatos e de guia escrito no pedido.
O que as revisões mostram sobre a placa na DTM e no bruxismo?
As revisões mostram que a placa miorrelaxante tem evidência de certeza baixa ou muito baixa, na DTM e no bruxismo. Os ensaios existem em número, mas são pequenos, curtos e medem desfechos diferentes, e nenhuma revisão chegou a uma conclusão firme.
Na Cochrane de Singh e colaboradores (2024), 57 ensaios com 2.846 participantes compararam placas com nenhum tratamento, placebo ou outras terapias, quase sempre com a placa estabilizadora rígida. Só um estudo teve baixo risco de viés, e os autores chamaram o resultado de inconclusivo.
A revisão de Riley e colaboradores (Health Technology Assessment, 2020) reuniu 52 ensaios. Contra nenhuma intervenção ou intervenção mínima, a placa não reduziu a dor em até três meses: diferença média padronizada de −0,18 (IC 95% de −0,42 a 0,06).
A diretriz do BMJ de 2023 (Busse e colaboradores), para dor crônica associada à DTM, fez recomendação condicional contra placas oclusais reversíveis, sozinhas ou combinadas. Fez recomendação forte contra placas orais irreversíveis e a favor de terapia cognitivo-comportamental, exercícios supervisionados, terapia manual e cuidado usual.
No bruxismo do sono, a revisão Cochrane de Macedo e colaboradores (2007) reuniu cinco ensaios e concluiu que não há evidência suficiente para dizer que a placa trata o bruxismo, com possível benefício no desgaste dentário. Riley e colaboradores (2020) não acharam nenhum estudo que medisse esse desgaste. A placa continua sendo uma medida reversível; o que esperar dela é conversa sua com o paciente.
Placa rígida ou resiliente: qual a diferença?
A placa rígida, de acrílico ou PMMA, é a dos estudos de placa estabilizadora; a resiliente, de silicone ou outro material macio, tem menos estudos e resultados mais irregulares. Os estudos que acharam diferença mediram atividade muscular, vibração da articulação e velocidade de melhora; na dor do terceiro mês, as duas se igualaram.
| placa | material | o que os estudos mostraram | limite |
|---|---|---|---|
| Rígida | acrílico ou PMMA | menos atividade muscular noturna em 8 de 10 pacientes (Okeson, 1987); melhora mais cedo, no primeiro mês, na DTM (Poorna, 2022) | estudos pequenos; sem diferença de dor no terceiro mês (Poorna, 2022) |
| Semirrígida (hard soft) | termoplástico semirrígido | melhora dos sintomas no bruxismo, com menos vibração articular que a macia (Akat, 2025) | 49 bruxômanos, três meses |
| Resiliente | silicone ou termoplástico macio | aumento da atividade muscular noturna em 5 de 10 pacientes (Okeson, 1987); mais vibração articular em três meses (Akat, 2025) | certeza muito baixa na DTM muscular (Al-Moraissi, 2020) |
A revisão sistemática de Ferreira e colaboradores (European Journal of Oral Sciences, 2024) reuniu 12 estudos com bruxômanos. Nem a placa rígida nem a macia mudaram a atividade do masseter e do temporal ou a força de mordida; na atividade muscular, a certeza foi baixa para a macia e muito baixa para a rígida.
No ensaio de Poorna e colaboradores (International Journal of Rheumatic Diseases, 2022), 91 pacientes com DTM usaram placa estabilizadora rígida ou macia. Os dois grupos melhoraram; a rígida melhorou antes, e no terceiro mês a diferença desapareceu.
Rígida ou resiliente também decide o processo: a rígida pode ser fresada, impressa ou acrilizada, e a macia é termoformada ou impressa em resina flexível. Desgaste, adaptação e envelhecimento de cada processo estão no artigo placa oclusal fresada, impressa ou termoformada.
Placa jig: o que é e quando ela entra?
A placa jig é um dispositivo anterior que cobre só os incisivos superiores e mantém os dentes posteriores separados. Ela aparece em dois papéis: como desprogramador, usado por minutos para registrar a relação cêntrica, e como placa de uso noturno, no formato do NTI-tss.
Como desprogramador, ela reduz a atividade dos músculos elevadores antes do registro. Nofal e colaboradores (Scientific Reports, 2025) testaram, em 30 adultos sem DTM, o jig de Lucia e um desprogramador anterior impresso, ajustado para separar os posteriores em 1 mm. Com os dois, a atividade do masseter na relação cêntrica ficou parecida com a do repouso, e o jig foi o mais confortável.
Como placa noturna, o NTI-tss foi comparado à Michigan em 10 bruxômanos por Lukic e colaboradores (2021): só ele reduziu a atividade muscular durante o sono. Sete dos dez preferiram a Michigan, pelo conforto, e os autores alertam para o risco de mudança oclusal irreversível no uso prolongado. A revisão de Stapelmann e Türp (BMC Oral Health, 2008) recomenda essa placa só para o paciente que vai voltar às consultas de controle.
Para que serve a placa de reposicionamento anterior?
A placa de reposicionamento anterior leva a mandíbula para a frente por meio de uma rampa e é indicada, na literatura, para o deslocamento de disco da ATM. Na revisão de Guo e colaboradores (Current Medical Science, 2021), o modo mais comum é posicionar a mandíbula em topo a topo e usar a placa 24 horas por dia, por três a seis meses.
O efeito de curto prazo aparece, mas a estabilidade a longo prazo não é boa, e a maior parte dos estudos é de série de casos, segundo a mesma revisão. Na rede de Al-Moraissi e colaboradores (2020), a placa de reposicionamento ficou em primeiro lugar para a dor na DTM articular e reduziu o estalido mais que a placa estabilizadora, com certeza muito baixa.
Placa superior ou inferior?
A placa pode ser superior ou inferior, e o único ensaio que encontramos comparando as duas não viu diferença na dor. Deregibus e colaboradores (Turkish Journal of Physical Medicine and Rehabilitation, 2021) dividiram 40 adultos com dor miofascial entre a Michigan superior e uma placa inferior. Em seis meses, nenhum dos grupos teve melhora significativa da dor; o grupo da placa inferior teve mais lateralidade aos três e aos seis meses.
A Michigan é desenhada, em geral, na arcada superior. O que decide a arcada é clínico e é seu; no pedido, escreva qual arcada recebe a placa, porque o plano, os contatos e a guia são desenhados sobre ela. No Smile Digital Lab, a placa inferior é confirmada na abertura do caso.
Placa em relação cêntrica ou em máxima intercuspidação?
A placa sai na posição do registro de mordida que você envia: o laboratório desenha sobre a relação entre as arcadas que recebe. Num ensaio de Hamata e colaboradores (Journal of Applied Oral Science, 2009), 20 pacientes com DTM muscular e bruxismo usaram placa feita em relação cêntrica ou em máxima intercuspidação. A dor caiu nos dois grupos, sem diferença entre eles.
Os autores sugerem a máxima intercuspidação quando a oclusão é estável e a diferença para a relação cêntrica é pequena. A amostra é pequena e o estudo tem mais de 15 anos. Se a escolha for a relação cêntrica, o jig ou o desprogramador anterior ajudam a registrá-la; a mordida escaneada em máxima intercuspidação não serve para uma placa planejada em relação cêntrica.
O que pedir ao laboratório na placa miorrelaxante?
Para desenhar a placa, o laboratório precisa de seis decisões suas por escrito e do registro que as sustenta. “Placa miorrelaxante”, sozinho, não diz arcada, desenho nem abertura, e sem isso o laboratório precisa perguntar antes de desenhar.
| o que escrever | opções | por que o laboratório precisa |
|---|---|---|
| Arcada | superior ou inferior | o plano, os contatos e a guia são desenhados sobre ela |
| Desenho | estabilizadora (Michigan), anterior ou de reposicionamento | cada desenho tem outra geometria |
| Esquema de guia | guia canino, função em grupo ou plano sem guia | a rampa e os contatos excursivos saem daqui |
| Espessura ou abertura | em milímetros, e onde você mediu | sem número, a abertura sai só do registro de mordida |
| Posição da mandíbula | relação cêntrica, máxima intercuspidação ou a posição de reposicionamento | precisa ser a mesma do registro enviado |
| Material | rígida (PMMA) ou outra | define o processo de fabricação |
O pedido fica em aberto quando a mordida não corresponde ao plano: registro em máxima intercuspidação para uma placa em relação cêntrica, mordida sem a abertura escolhida, ou escaneamento de uma arcada só. Junto com as decisões, mande o escaneamento das duas arcadas, o registro de mordida na posição e na abertura da placa e a prescrição assinada, com CRO.
No Smile Digital Lab, a placa do catálogo é a placa fresada em PMMA, desenhada no CAD e fresada aqui, em São Paulo. Espessura e esquema de guia fora do comum são confirmados na abertura do caso; placa resiliente, jig e placa de reposicionamento não estão no catálogo, então pergunte antes de enviar. O guia de escaneamento intraoral mostra como escanear a mordida, e o básico está no guia de envio de caso.
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Qual a melhor placa miorrelaxante?
Nenhuma revisão apontou um desenho superior com segurança. Na rede de 48 ensaios de Al-Moraissi e colaboradores (2020), a placa rígida estabilizadora teve evidência moderada de reduzir a dor muscular contra controle; a placa anterior ficou acima no ranking, mas com certeza baixa. A escolha depende do diagnóstico, e é sua.
Placa miorrelaxante lisa ou com guia canino?
Não encontramos ensaio clínico que compare as duas em pacientes. Num estudo de 1995 com 10 voluntários sem DTM, a placa com guia canino e a placa com função em grupo deram a mesma atividade do masseter (Borromeo e colaboradores). O esquema é decisão sua; escreva-o no pedido.
A placa miorrelaxante protege os dentes do bruxismo?
É para isso que ela costuma ser indicada, mas o efeito não foi medido em ensaio clínico. A revisão de Riley e colaboradores (2020) não achou nenhum estudo que medisse o desgaste dentário de bruxômanos com e sem placa. A Cochrane de 2007 só sugere que pode haver benefício no desgaste.
O Smile Digital Lab faz placa Michigan?
A placa do catálogo é a fresada em PMMA, rígida, desenhada no CAD a partir do escaneamento. Espessura, contatos e esquema de guia seguem o seu pedido; placa inferior e esquema fora do comum são confirmados na abertura do caso. Placa resiliente, jig e placa de reposicionamento: pergunte antes de enviar.
Fontes
- Occlusal interventions for managing temporomandibular disorders · Cochrane Database of Systematic Reviews (Singh et al., 2024)
- Management of chronic pain associated with temporomandibular disorders: a clinical practice guideline · The BMJ (Busse et al., 2023)
- Oral splints for patients with temporomandibular disorders or bruxism: a systematic review and economic evaluation · Health Technology Assessment (Riley et al., 2020)
- Effectiveness of occlusal splint therapy in the management of temporomandibular disorders: network meta-analysis of randomized controlled trials · International Journal of Oral and Maxillofacial Surgery (Al-Moraissi et al., 2020)
- Occlusal splints for treating sleep bruxism (tooth grinding) · Cochrane Database of Systematic Reviews (Macedo et al., 2007)
- Short-term effects of NTI-tss and Michigan splint on nocturnal jaw muscle activity: a pilot study · Clinical and Experimental Dental Research (Lukic et al., 2021)
- The NTI-tss device for the therapy of bruxism, temporomandibular disorders, and headache — where do we stand? A qualitative systematic review of the literature · BMC Oral Health (Stapelmann e Türp, 2008)
- The effects of hard and soft occlusal splints on nocturnal bruxism · The Journal of the American Dental Association (Okeson, 1987)
- Influence of occlusal appliances on the masticatory muscle function in individuals with sleep bruxism: a systematic review and meta-analysis · European Journal of Oral Sciences (Ferreira et al., 2024)
- Comparison of the effectiveness of soft and hard splints in the symptomatic management of temporomandibular joint disorders: a randomized control study · International Journal of Rheumatic Diseases (Poorna et al., 2022)
- Effects of different occlusal splints on joint vibrations in bruxers · Medicina (Akat, Akören e Tamam, 2025)
- Anterior temporalis and masseter muscle activity with different centric relation locating methods: a randomized cross-over trial · Scientific Reports (Nofal et al., 2025)
- An overview of anterior repositioning splint therapy for disc displacement-related temporomandibular disorders · Current Medical Science (Guo et al., 2021)
- Are occlusal splints effective in reducing myofascial pain in patients with muscle-related temporomandibular disorders? A randomized-controlled trial · Turkish Journal of Physical Medicine and Rehabilitation (Deregibus et al., 2021)
- Comparative evaluation of the efficacy of occlusal splints fabricated in centric relation or maximum intercuspation in temporomandibular disorders patients · Journal of Applied Oral Science (Hamata, Zuim e Garcia, 2009)
- A comparison of the effects of group function and canine guidance interocclusal device on masseter muscle electromyographic activity in normal subjects · The Journal of Prosthetic Dentistry (Borromeo, Suvinen e Reade, 1995)
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