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Tipos de placa miorrelaxante: Michigan, rígida ou resiliente

Placa miorrelaxante Michigan com guia canino, resiliente, jig ou de reposicionamento: a evidência, superior ou inferior e o que pedir ao laboratório.

Por Equipe técnica Smile Digital LabPublicado em 8 min de leitura

Resposta curta

Os tipos de placa miorrelaxante se dividem pelo desenho: a estabilizadora rígida (Michigan), de arcada inteira, com um contato por dente antagonista e guia canino; a resiliente, de silicone; a anterior (jig), que só toca os incisivos; e a de reposicionamento, que leva a mandíbula para a frente. Nenhuma tem evidência forte em DTM ou bruxismo.

Quais são os tipos de placa miorrelaxante?

Os tipos de placa miorrelaxante se distinguem pelo desenho, e o desenho decide o que a placa faz com a oclusão. A revisão Cochrane de Singh e colaboradores (2024) separa as placas pelo modo de ação: estabilizadoras, reflexas e de reposicionamento. No pedido ao laboratório, quatro desenhos aparecem:

desenhocomo éo que a evidência mostraatenção
Estabilizadora rígida (Michigan)arcada inteira, em geral superior; plano liso, um contato por dente antagonista e guia canino (Lukic, 2021)na DTM muscular, evidência moderada de menos dor contra controle (Al-Moraissi, 2020); certeza muito baixa na Cochrane (Singh, 2024)é o desenho da maior parte dos estudos; o efeito sobre o desgaste dentário não foi medido (Riley, 2020)
Resiliente (silicone)lâmina macia, termoformada ou impressa em resina flexível; a semirrígida é vendida como hard softna DTM muscular, certeza muito baixa (Al-Moraissi, 2020); no bruxismo, não mudou a atividade muscular (Ferreira, 2024)num estudo de 10 pacientes, aumentou a atividade muscular noturna em 5 (Okeson, 1987)
Anterior (jig, desprogramador, NTI)cobre só os incisivos superiores; os posteriores não se tocamnum estudo com 10 bruxômanos, só ela reduziu a atividade muscular noturna; a Michigan não (Lukic, 2021)complicações em dentes isolados e na oclusão (Stapelmann e Türp, 2008)
Reposicionamento anteriorrampa que leva a mandíbula para a frente, em geral até o topo a topona DTM articular, primeira no ranking de dor e melhor que a estabilizadora no estalido, com certeza muito baixa (Al-Moraissi, 2020)a estabilidade a longo prazo não é boa (Guo, 2021)

A tabela resume estudos pequenos, curtos e diferentes entre si. O desenho, a indicação e o tempo de uso são decisões suas; o laboratório precisa saber qual desenho você escolheu, em que arcada e em que posição.

O que é a placa Michigan com guia canino?

A placa Michigan é a placa estabilizadora rígida de arcada inteira, em geral desenhada na arcada superior. Na descrição usada por Lukic e colaboradores (Clinical and Experimental Dental Research, 2021), cada dente antagonista faz um contato no plano da placa, e a guia canino conduz os movimentos de lateralidade e de protrusão.

O mesmo estudo mostra o caminho digital: as duas arcadas foram escaneadas, a placa foi desenhada no CAD com contatos distribuídos e guia canino, e fresada num bloco de PMMA. Toda Michigan é uma placa estabilizadora, mas nem toda estabilizadora segue o esquema dela: o que faz a diferença é o esquema de contatos e de guia escrito no pedido.

O que as revisões mostram sobre a placa na DTM e no bruxismo?

As revisões mostram que a placa miorrelaxante tem evidência de certeza baixa ou muito baixa, na DTM e no bruxismo. Os ensaios existem em número, mas são pequenos, curtos e medem desfechos diferentes, e nenhuma revisão chegou a uma conclusão firme.

Na Cochrane de Singh e colaboradores (2024), 57 ensaios com 2.846 participantes compararam placas com nenhum tratamento, placebo ou outras terapias, quase sempre com a placa estabilizadora rígida. Só um estudo teve baixo risco de viés, e os autores chamaram o resultado de inconclusivo.

A revisão de Riley e colaboradores (Health Technology Assessment, 2020) reuniu 52 ensaios. Contra nenhuma intervenção ou intervenção mínima, a placa não reduziu a dor em até três meses: diferença média padronizada de −0,18 (IC 95% de −0,42 a 0,06).

A diretriz do BMJ de 2023 (Busse e colaboradores), para dor crônica associada à DTM, fez recomendação condicional contra placas oclusais reversíveis, sozinhas ou combinadas. Fez recomendação forte contra placas orais irreversíveis e a favor de terapia cognitivo-comportamental, exercícios supervisionados, terapia manual e cuidado usual.

No bruxismo do sono, a revisão Cochrane de Macedo e colaboradores (2007) reuniu cinco ensaios e concluiu que não há evidência suficiente para dizer que a placa trata o bruxismo, com possível benefício no desgaste dentário. Riley e colaboradores (2020) não acharam nenhum estudo que medisse esse desgaste. A placa continua sendo uma medida reversível; o que esperar dela é conversa sua com o paciente.

Placa rígida ou resiliente: qual a diferença?

A placa rígida, de acrílico ou PMMA, é a dos estudos de placa estabilizadora; a resiliente, de silicone ou outro material macio, tem menos estudos e resultados mais irregulares. Os estudos que acharam diferença mediram atividade muscular, vibração da articulação e velocidade de melhora; na dor do terceiro mês, as duas se igualaram.

placamaterialo que os estudos mostraramlimite
Rígidaacrílico ou PMMAmenos atividade muscular noturna em 8 de 10 pacientes (Okeson, 1987); melhora mais cedo, no primeiro mês, na DTM (Poorna, 2022)estudos pequenos; sem diferença de dor no terceiro mês (Poorna, 2022)
Semirrígida (hard soft)termoplástico semirrígidomelhora dos sintomas no bruxismo, com menos vibração articular que a macia (Akat, 2025)49 bruxômanos, três meses
Resilientesilicone ou termoplástico macioaumento da atividade muscular noturna em 5 de 10 pacientes (Okeson, 1987); mais vibração articular em três meses (Akat, 2025)certeza muito baixa na DTM muscular (Al-Moraissi, 2020)

A revisão sistemática de Ferreira e colaboradores (European Journal of Oral Sciences, 2024) reuniu 12 estudos com bruxômanos. Nem a placa rígida nem a macia mudaram a atividade do masseter e do temporal ou a força de mordida; na atividade muscular, a certeza foi baixa para a macia e muito baixa para a rígida.

No ensaio de Poorna e colaboradores (International Journal of Rheumatic Diseases, 2022), 91 pacientes com DTM usaram placa estabilizadora rígida ou macia. Os dois grupos melhoraram; a rígida melhorou antes, e no terceiro mês a diferença desapareceu.

Rígida ou resiliente também decide o processo: a rígida pode ser fresada, impressa ou acrilizada, e a macia é termoformada ou impressa em resina flexível. Desgaste, adaptação e envelhecimento de cada processo estão no artigo placa oclusal fresada, impressa ou termoformada.

Placa jig: o que é e quando ela entra?

A placa jig é um dispositivo anterior que cobre só os incisivos superiores e mantém os dentes posteriores separados. Ela aparece em dois papéis: como desprogramador, usado por minutos para registrar a relação cêntrica, e como placa de uso noturno, no formato do NTI-tss.

Como desprogramador, ela reduz a atividade dos músculos elevadores antes do registro. Nofal e colaboradores (Scientific Reports, 2025) testaram, em 30 adultos sem DTM, o jig de Lucia e um desprogramador anterior impresso, ajustado para separar os posteriores em 1 mm. Com os dois, a atividade do masseter na relação cêntrica ficou parecida com a do repouso, e o jig foi o mais confortável.

Como placa noturna, o NTI-tss foi comparado à Michigan em 10 bruxômanos por Lukic e colaboradores (2021): só ele reduziu a atividade muscular durante o sono. Sete dos dez preferiram a Michigan, pelo conforto, e os autores alertam para o risco de mudança oclusal irreversível no uso prolongado. A revisão de Stapelmann e Türp (BMC Oral Health, 2008) recomenda essa placa só para o paciente que vai voltar às consultas de controle.

Para que serve a placa de reposicionamento anterior?

A placa de reposicionamento anterior leva a mandíbula para a frente por meio de uma rampa e é indicada, na literatura, para o deslocamento de disco da ATM. Na revisão de Guo e colaboradores (Current Medical Science, 2021), o modo mais comum é posicionar a mandíbula em topo a topo e usar a placa 24 horas por dia, por três a seis meses.

O efeito de curto prazo aparece, mas a estabilidade a longo prazo não é boa, e a maior parte dos estudos é de série de casos, segundo a mesma revisão. Na rede de Al-Moraissi e colaboradores (2020), a placa de reposicionamento ficou em primeiro lugar para a dor na DTM articular e reduziu o estalido mais que a placa estabilizadora, com certeza muito baixa.

Placa superior ou inferior?

A placa pode ser superior ou inferior, e o único ensaio que encontramos comparando as duas não viu diferença na dor. Deregibus e colaboradores (Turkish Journal of Physical Medicine and Rehabilitation, 2021) dividiram 40 adultos com dor miofascial entre a Michigan superior e uma placa inferior. Em seis meses, nenhum dos grupos teve melhora significativa da dor; o grupo da placa inferior teve mais lateralidade aos três e aos seis meses.

A Michigan é desenhada, em geral, na arcada superior. O que decide a arcada é clínico e é seu; no pedido, escreva qual arcada recebe a placa, porque o plano, os contatos e a guia são desenhados sobre ela. No Smile Digital Lab, a placa inferior é confirmada na abertura do caso.

Placa em relação cêntrica ou em máxima intercuspidação?

A placa sai na posição do registro de mordida que você envia: o laboratório desenha sobre a relação entre as arcadas que recebe. Num ensaio de Hamata e colaboradores (Journal of Applied Oral Science, 2009), 20 pacientes com DTM muscular e bruxismo usaram placa feita em relação cêntrica ou em máxima intercuspidação. A dor caiu nos dois grupos, sem diferença entre eles.

Os autores sugerem a máxima intercuspidação quando a oclusão é estável e a diferença para a relação cêntrica é pequena. A amostra é pequena e o estudo tem mais de 15 anos. Se a escolha for a relação cêntrica, o jig ou o desprogramador anterior ajudam a registrá-la; a mordida escaneada em máxima intercuspidação não serve para uma placa planejada em relação cêntrica.

O que pedir ao laboratório na placa miorrelaxante?

Para desenhar a placa, o laboratório precisa de seis decisões suas por escrito e do registro que as sustenta. “Placa miorrelaxante”, sozinho, não diz arcada, desenho nem abertura, e sem isso o laboratório precisa perguntar antes de desenhar.

o que escreveropçõespor que o laboratório precisa
Arcadasuperior ou inferioro plano, os contatos e a guia são desenhados sobre ela
Desenhoestabilizadora (Michigan), anterior ou de reposicionamentocada desenho tem outra geometria
Esquema de guiaguia canino, função em grupo ou plano sem guiaa rampa e os contatos excursivos saem daqui
Espessura ou aberturaem milímetros, e onde você mediusem número, a abertura sai só do registro de mordida
Posição da mandíbularelação cêntrica, máxima intercuspidação ou a posição de reposicionamentoprecisa ser a mesma do registro enviado
Materialrígida (PMMA) ou outradefine o processo de fabricação

O pedido fica em aberto quando a mordida não corresponde ao plano: registro em máxima intercuspidação para uma placa em relação cêntrica, mordida sem a abertura escolhida, ou escaneamento de uma arcada só. Junto com as decisões, mande o escaneamento das duas arcadas, o registro de mordida na posição e na abertura da placa e a prescrição assinada, com CRO.

No Smile Digital Lab, a placa do catálogo é a placa fresada em PMMA, desenhada no CAD e fresada aqui, em São Paulo. Espessura e esquema de guia fora do comum são confirmados na abertura do caso; placa resiliente, jig e placa de reposicionamento não estão no catálogo, então pergunte antes de enviar. O guia de escaneamento intraoral mostra como escanear a mordida, e o básico está no guia de envio de caso.

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Perguntas frequentes

Qual a melhor placa miorrelaxante?

Nenhuma revisão apontou um desenho superior com segurança. Na rede de 48 ensaios de Al-Moraissi e colaboradores (2020), a placa rígida estabilizadora teve evidência moderada de reduzir a dor muscular contra controle; a placa anterior ficou acima no ranking, mas com certeza baixa. A escolha depende do diagnóstico, e é sua.

Placa miorrelaxante lisa ou com guia canino?

Não encontramos ensaio clínico que compare as duas em pacientes. Num estudo de 1995 com 10 voluntários sem DTM, a placa com guia canino e a placa com função em grupo deram a mesma atividade do masseter (Borromeo e colaboradores). O esquema é decisão sua; escreva-o no pedido.

A placa miorrelaxante protege os dentes do bruxismo?

É para isso que ela costuma ser indicada, mas o efeito não foi medido em ensaio clínico. A revisão de Riley e colaboradores (2020) não achou nenhum estudo que medisse o desgaste dentário de bruxômanos com e sem placa. A Cochrane de 2007 só sugere que pode haver benefício no desgaste.

O Smile Digital Lab faz placa Michigan?

A placa do catálogo é a fresada em PMMA, rígida, desenhada no CAD a partir do escaneamento. Espessura, contatos e esquema de guia seguem o seu pedido; placa inferior e esquema fora do comum são confirmados na abertura do caso. Placa resiliente, jig e placa de reposicionamento: pergunte antes de enviar.

Fontes

  1. Occlusal interventions for managing temporomandibular disorders · Cochrane Database of Systematic Reviews (Singh et al., 2024)
  2. Management of chronic pain associated with temporomandibular disorders: a clinical practice guideline · The BMJ (Busse et al., 2023)
  3. Oral splints for patients with temporomandibular disorders or bruxism: a systematic review and economic evaluation · Health Technology Assessment (Riley et al., 2020)
  4. Effectiveness of occlusal splint therapy in the management of temporomandibular disorders: network meta-analysis of randomized controlled trials · International Journal of Oral and Maxillofacial Surgery (Al-Moraissi et al., 2020)
  5. Occlusal splints for treating sleep bruxism (tooth grinding) · Cochrane Database of Systematic Reviews (Macedo et al., 2007)
  6. Short-term effects of NTI-tss and Michigan splint on nocturnal jaw muscle activity: a pilot study · Clinical and Experimental Dental Research (Lukic et al., 2021)
  7. The NTI-tss device for the therapy of bruxism, temporomandibular disorders, and headache — where do we stand? A qualitative systematic review of the literature · BMC Oral Health (Stapelmann e Türp, 2008)
  8. The effects of hard and soft occlusal splints on nocturnal bruxism · The Journal of the American Dental Association (Okeson, 1987)
  9. Influence of occlusal appliances on the masticatory muscle function in individuals with sleep bruxism: a systematic review and meta-analysis · European Journal of Oral Sciences (Ferreira et al., 2024)
  10. Comparison of the effectiveness of soft and hard splints in the symptomatic management of temporomandibular joint disorders: a randomized control study · International Journal of Rheumatic Diseases (Poorna et al., 2022)
  11. Effects of different occlusal splints on joint vibrations in bruxers · Medicina (Akat, Akören e Tamam, 2025)
  12. Anterior temporalis and masseter muscle activity with different centric relation locating methods: a randomized cross-over trial · Scientific Reports (Nofal et al., 2025)
  13. An overview of anterior repositioning splint therapy for disc displacement-related temporomandibular disorders · Current Medical Science (Guo et al., 2021)
  14. Are occlusal splints effective in reducing myofascial pain in patients with muscle-related temporomandibular disorders? A randomized-controlled trial · Turkish Journal of Physical Medicine and Rehabilitation (Deregibus et al., 2021)
  15. Comparative evaluation of the efficacy of occlusal splints fabricated in centric relation or maximum intercuspation in temporomandibular disorders patients · Journal of Applied Oral Science (Hamata, Zuim e Garcia, 2009)
  16. A comparison of the effects of group function and canine guidance interocclusal device on masseter muscle electromyographic activity in normal subjects · The Journal of Prosthetic Dentistry (Borromeo, Suvinen e Reade, 1995)

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