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Conteúdo técnico · Materiais

Placa oclusal: fresada, impressa ou termoformada?

Placa miorrelaxante fresada, impressa ou termoformada: desgaste, adaptação e envelhecimento de cada processo, com as fontes, e o que enviar ao laboratório.

Por Equipe técnica Smile Digital LabPublicado em 5 min de leitura

Resposta curta

A placa oclusal fresada teve a melhor adaptação num estudo clínico retrospectivo de 2026 com 49 pacientes: desvio de 0,039 mm, contra 0,28 mm da impressa, que também desgastou mais em seis meses. Em laboratório, a impressa rígida desgasta como a fresada, e a termoformada desgasta mais que as duas.

Como cada placa oclusal é feita?

A placa fresada é desbastada de um disco de PMMA polimerizado na fábrica; a impressa é construída camada a camada em resina fotopolimerizável e termina de polimerizar na pós-cura. A termoformada é uma lâmina de termoplástico aquecida e conformada, a vácuo ou sob pressão, sobre um modelo físico das arcadas. A fresada e a impressa saem de um desenho CAD feito sobre o escaneamento; a termoformada depende do modelo, de gesso ou impresso.

Os estudos comparam as três com a placa acrilizada convencional, em resina termopolimerizável ou autopolimerizável. Dentro de cada processo há materiais diferentes: resinas impressas rígidas e flexíveis, lâminas termoplásticas de durezas diferentes e, na fresagem, também o PEEK.

processomaterialdesgasteadaptação e retençãoenvelhecimento
Fresadadisco de PMMA polimerizado na fábrica; há também PEEKentre os menores em laboratório (Lawson, 2025); menor que o da impressa em 6 meses de uso (Yıldıran, 2026)a mais fiel ao desenho (Reymus, 2020); desvio de 0,039 mm em boca (Yıldıran, 2026); mais ciclos de colocar e tirar (Hickl, 2024)a mais estável na revisão de 21 estudos (de Melo-Soares, 2026)
Impressaresina fotopolimerizável, rígida ou flexívelrígida: parecido com o da fresada em laboratório; flexível: o maior do teste (Lawson, 2025); maior que o da fresada em boca (Yıldıran, 2026)mais repetível, menos fiel ao desenho (Reymus, 2020); desvio de 0,28 mm em boca (Yıldıran, 2026)depende da resina, da orientação e da pós-cura (de Melo-Soares, 2026)
Termoformadalâmina de termoplástico, como o PETG, sobre o modeloo maior entre os processos na revisão de 11 estudos (Grymak, 2022); maior que o das rígidas (Lawson, 2025)menos ciclos de colocar e tirar que a fresada (Hickl, 2024)o PETG foi o mais estável num teste de envelhecimento em saliva artificial (Nică, 2026)
Acrilizada (referência)PMMA termo ou autopolimerizável sobre o modelotermo: parecido com o da fresada; auto: maior (Lawson, 2025)a feita à mão aguentou mais ciclos de colocar e tirar que a impressa e a termoformada (Hickl, 2024)termo: intermediária; auto: a pior (de Melo-Soares, 2026)

A maior parte desses dados é de laboratório. O estudo em boca que comparou fresada e impressa tem 49 pacientes e seis meses, e não encontramos estudo clínico que compare os três processos. O esquema, a indicação e o tempo de uso da placa são decisões suas.

Qual placa oclusal desgasta menos?

Entre as placas rígidas, o desgaste em laboratório é parecido, e a termoformada e as resinas flexíveis desgastam mais. Na revisão sistemática de Grymak e colegas (Journal of Prosthodontics, 2022), com 11 estudos, a acrilizada termopolimerizável, a fresada e a impressa não diferiram entre si. A termoformada a vácuo teve o maior desgaste, e o PEEK, o menor.

Lawson e colegas (The Journal of Prosthetic Dentistry, 2025) repetiram a comparação com 400 mil ciclos de carga. As resinas impressas rígidas desgastaram como a fresada, a termopolimerizável e a fotopolimerizável. A termoformada e a autopolimerizável desgastaram mais, e as impressas flexíveis, mais que todas.

O que liga esses resultados é a dureza. No teste de Lawson, quanto menor a dureza do material, maior o desgaste, com correlação de −0,93. A revisão de Grymak acrescenta que os protocolos de teste variam muito entre os estudos e que todo material de placa pede polimento.

Em boca, o resultado foi outro. No estudo retrospectivo de Yıldıran, Kurtça e Röhlig (The Journal of Prosthetic Dentistry, 2026), as placas impressas tiveram mais desgaste de superfície que as fresadas depois de seis meses de uso, em 49 pacientes.

Qual placa oclusal adapta melhor?

A placa fresada foi a mais fiel ao desenho em laboratório e a que melhor se adaptou em boca. Reymus, Hickel e Keßler (Clinical Oral Investigations, 2020) imprimiram placas em quatro resinas e em duas orientações e as compararam com a fresada. A fresada teve a maior fidelidade ao arquivo CAD, e as impressas, a maior repetibilidade; a escolha da resina foi o que mais pesou, e os autores consideraram as duas equivalentes para a clínica.

No estudo em boca de 2026, a diferença foi maior: desvio de adaptação de 0,039 mm nas placas fresadas, em PMMA e em PEEK, contra 0,28 mm nas impressas. A retenção ao longo do uso também muda. Hickl e colegas (The International Journal of Prosthodontics, 2024) puxaram 120 placas inferiores de modelos metálicos, ciclo após ciclo, até falharem. As fresadas e as feitas à mão aguentaram mais ciclos que as impressas e as termoformadas.

O material da placa envelhece na boca?

Todo material de placa perde propriedade com o envelhecimento, e a velocidade muda com o processo. Na revisão sistemática de de Melo-Soares e colegas (The Journal of Prosthetic Dentistry, 2026), com 21 estudos, as resinas fresadas foram as mais estáveis depois do envelhecimento artificial. A termopolimerizável ficou no meio, e a autopolimerizável foi a pior.

Nas impressas, os parâmetros de impressão e de pós-cura pesaram na estabilidade, e a termoformada nem sempre perde. Nică e colegas (Dentistry Journal, 2026) envelheceram quatro materiais em saliva artificial. Duas resinas impressas perderam mais propriedade que o PMMA fresado e que uma lâmina termoformada de PETG, e uma delas perdeu mais de 49% do módulo de flexão. O PETG foi o mais estável do teste.

O que pesa na escolha do processo?

O processo muda o material que vai cumprir o plano, e o plano (esquema oclusal, indicação, tempo de uso) é seu. Para placa rígida de uso prolongado, a fresada é a que reúne mais dados de adaptação e de estabilidade. A impressa rígida chega perto no desgaste em laboratório, mas depende da resina, da orientação e da pós-cura.

A termoformada é conformada sobre um modelo físico e desgastou mais que as placas rígidas nos testes, embora o PETG tenha envelhecido bem num deles. Os números de resistência à flexão e à fratura do PMMA fresado contra a acrilizada estão na página da placa fresada.

O que enviar ao laboratório para a placa?

Para qualquer placa, o laboratório precisa das duas arcadas, do registro de mordida na posição e na abertura que você definiu e de três decisões suas. Mande:

  • escaneamento intraoral das duas arcadas, ou modelos de gesso;
  • registro de mordida na posição e na abertura escolhidas para a placa;
  • a arcada da placa, a espessura e o esquema oclusal;
  • prescrição assinada, com CRO.

No Smile Digital Lab, a placa do catálogo é a fresada em PMMA, desenhada e fresada aqui, em São Paulo. Placa inferior, espessura e esquema de guia fora do comum são confirmados na abertura do caso; se o seu caso pede outro processo, pergunte antes de enviar. O guia de escaneamento intraoral mostra como escanear a mordida, e o básico está no guia de envio de caso.

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Perguntas frequentes

A placa impressa é tão resistente quanto a fresada?

Em laboratório, não. Uma revisão sistemática de 2024 no Journal of Prosthetic Dentistry concluiu que as resinas fresadas superam as impressas em dureza, desgaste, flexão e resistência à fratura, quando o ângulo e a espessura de impressão não são considerados. Contra a acrilizada convencional, as impressas foram satisfatórias, menos em dureza.

A orientação de impressão muda a adaptação da placa?

Muda. No estudo de Reymus, Hickel e Keßler (2020), as placas impressas na horizontal ficaram mais fiéis ao arquivo, e as impressas na vertical, mais repetíveis entre si. Mesmo assim, a resina escolhida pesou mais na precisão do que a orientação.

Que placa o Smile Digital Lab faz?

A placa do catálogo do laboratório é a fresada em PMMA, desenhada no CAD a partir do escaneamento e fresada aqui, em São Paulo. Se o seu caso pede placa impressa, termoformada, inferior ou um esquema fora do comum, pergunte antes de enviar.

Em que posição registro a mordida para a placa?

A posição é decisão sua. O laboratório precisa do registro de mordida na posição e na abertura que você escolheu para a placa: sem ele, não há como definir a espessura nem os contatos. Escaneie as duas arcadas e a mordida no mesmo arquivo.

Fontes

  1. Wear behavior of occlusal splint materials manufactured by various methods — a systematic review · Journal of Prosthodontics (Grymak et al., 2022)
  2. Wear resistance of 3D printed occlusal device materials · The Journal of Prosthetic Dentistry (Lawson et al., 2025)
  3. Mechanical performance of 3-dimensionally printed resins compared with conventional and milled resins for the manufacture of occlusal devices — a systematic review · The Journal of Prosthetic Dentistry (de Paula Lopez et al., 2024)
  4. Accuracy of CAD/CAM-fabricated bite splints: milling vs 3D printing · Clinical Oral Investigations (Reymus, Hickel e Keßler, 2020)
  5. Retrospective analysis of CAD-CAM occlusal devices · The Journal of Prosthetic Dentistry (Yıldıran, Kurtça e Röhlig, 2026)
  6. Pull-off behavior of hand-cast, thermoformed, milled, and 3D-printed splints · The International Journal of Prosthodontics (Hickl et al., 2024)
  7. Influence of aging and manufacturing techniques on the physical and mechanical stability of occlusal device materials — a systematic review · The Journal of Prosthetic Dentistry (de Melo-Soares et al., 2026)
  8. Mechanical properties of dental occlusal splint materials after accelerated aging in artificial saliva — an in vitro study · Dentistry Journal (Nică et al., 2026)

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